Carmo Vasconcelos

"FENIX"

 

Enlaces Poéticos

Com :

MADALENA GOMES

Duetos “Prosa & Verso” duma série feita em 1996

com a minha muito querida amiga, escritora MADALENA GOMES (inéditos):
(In Memorian)

INICIAL RESPOSTA
MG - A PONTE CV - A PONTE
MG - CRUELDADE CV - CRUELDADE
MG - ILHA CV - ILHA
MG - TÚNICA INCONSÚTIL CV - TÚNICA INCONSÚTIL
MG - UM SONHO CV - UM SONHO

 

Madalena - A PONTE (PROSA)


Na estrada da vida, sozinha, indiferente, eu caminhava, atenta apenas a não tropeçar. Passos medidos, contidos, alheios à multidão. Nem a vela de um sobressalto no horizonte da minha praia interior. Liso, a perder de vista, o mar que me separava dos outros.
E continuaria assim, a caminhar sozinha, indiferente, apenas atenta a não tropeçar, se não tivesses vindo por sobre o abismo. Estendeste-me a mão, a ponte de um sorriso, e o milagre deu-se: fiz-me ao mar ao teu encontro.

Madalena Gomes

 

 Carmo - A PONTE (VERSO)

Pela estrada da vida seguia o meu rumo
De passo medido, pisando indiferente,
Passadas contidas, coração a prumo,
Meu Eu solitário, distante e ausente.

Eu era Pégaso roçando o asfalto,
Minh'alma uma praia de calmo horizonte,
Sem aragem ou vela de sobressalto,
Entre mim e os outros, liso mar defronte.

Ignorante de amor, oca de erotismo,
Findaria o meu rumo sem tropeçar,
Se tu não surgisses transpondo o abismo,
Fazendo um maremoto no meu liso mar.

Emersos das vagas, tua mão estendida,
E o teu sorriso, veloz raptor,
Me desnortearam da estrada da vida,
E sem medo me fiz ao Mar do Amor!

Carmo Vasconcelos

 

Madalena - CRUELDADE (PROSA)

Pisaste o meu coração como quem pisa uma flor
Os teus dedos ficaram perfumados de sangue

Madalena Gomes

Carmo - CRUELDADE (VERSO)


Rejeitando sem dó o meu amor,
Como se fosses o Senhor do Mundo,
Meu pobre coração pisaste fundo,
Não vendo que matavas uma flor.

Porém, cravado em ti sem compaixão,
Deixei um espinho do meu corpo exangue,
E plos teus dedos um odor a sangue,
Espargi feito remorso sem perdão.

Carmo Vasconcelos

 

Madalena - ILHA (PROSA)

Eis-me rodeada de ti por todos os lados como uma ilha.
O que vai ser de mim? Como evadir-me desse mar de ternura,
desse mar de tormenta?
Mas será que quero evadir-me?

Madalena Gomes

Carmo - ILHA (VERSO)


Do amplexo do mar com a terra-mãe,
Do seu Divino amor me tornei filha,
Verde, longínqua e solitária ilha,
Sedenta de amor, de azul e de além.

E quando à minha sede respondeste
E feito um mar de amor me rodeaste,
A minha insularidade ampliaste
E mais sede de além, de azul, trouxeste.

Porque és mar de ternura e de tormenta,
Num vaivém de chegada e de partida,
Salpicas-me de anseios de evasão…

Mas como suportar a despedida
É dúvida que ainda me atormenta…
Será que quero evadir-me ou não?

Carmo Vasconcelos

 

Madalena - TÚNICA INCONSÚTIL (Prosa)

"Eis-me vestida de ti - Túnica inconsútil"

Madalena Gomes

Carmo - TÚNICA INCONSÚTIL (VERSO)



Já despida de sonhos, sem pudor,
Entregava-me nua à solidão,
Quando surgiste como uma visão,
Vestindo etérea túnica de amor.

Hirta de gelo na minha nudez,
A inconsútil túnica vesti...
Subitamente, o gelo se desfez,
E hoje sou brasa vestida de ti!

Carmo Vasconcelos

 

Madalena - UM SONHO (Prosa)


Sonhei que era o vento e que as minhas mãos arrancavam melodias da harpa das árvores. Sonhei que era o mar e fui cantar à tua porta. Sonhei que era a brisa e fui beijar o teu rosto. E tu acordaste e tangi a harpa para ti.

Madalena Gomes

Carmo - UM SONHO (Verso)


Nos breves instantes
dum sonho-momento,
sonhei que era o vento
fustigando escarpas,
e com as mãos pujantes,
das árvores fiz harpas
gemendo arquejantes.

Sonhei que era o mar,
calmo em maré morta,
e de sons de prata,
qual desiderata,
se fez meu cantar
jorrado em cascata
junto à tua porta.

Sonhei que era a brisa
que em doce soprar
sensual desliza
nas cores do sol-posto,
e em meigo roçar
fui beijar teu rosto
e fiz-te acordar.

E nesse momento
voltei a ser vento,
de novo nasci,
e em turbamento,
meus dedos em farpas,
as árvores-harpas
tangi para ti !

Carmo Vasconcelos

 

 
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