"FÉNIX"

Colectânea Literária

POESIA

 
   
   
 

DE MARIA E DE LUZIA

a Luzilândia, minha unha acolhedora.


Morei
onde mora ”Maria”
nasci
cresci
e na fotografia
os meus olhos atravessaram
os olhos de “Luzia”
dos meus punhos
ouvia o pedido
de misericórdia
de compaixão.
e Deus segurou
minha mão
da minha entranha
viam-se as ruas descalças
as águas do Parnaíba
(chama que nunca cessa)
fogos de artifícios.

Morei onde mora “Mãe Maria”
terra de coqueiros
dos peixes, dos cactos alinhados
da alegria
o meu sangue inesgotável
e a minha asa de nobreza
herdei da terra de Santa Luzia
inda que o branco
excelso da maresia
e o mundo seja uma silenciosa artilharia
nunca esquecerei
morei onde mora “Maria”
Versos, areias e sentimentos
Nos versos;
o sentimento é conciso na flor
o grilo cantando a palavra amor
ventania, o homem e a mulher (peles sensíveis e nuas)
na areia;
a luz veemente do sol
(cavalgaduras descalças) – sobretudo o belo,
o óbvio, a mão estendida e a boca seminua

No sentimento;
o amor abarca o mundo,
é tão profundo... Que o nome de Deus
segue por toda a rua

Alberto Araújo

 
   
   
 

DA JANELA


Vê-se o natural –
belo vestido
que veste o mundo
rompem-se as dúvidas
e a monotonia nos olhos do adeus
a palavra exata,
o amor como as águas de um rio
o ramo na mão de Deus
e assim – o porvir
torna-se o fio lúcido
da paisagem da janela
estrelas desabam
dentro de mim, e na urdidura
do que é belo, a vida torna-se bela
:
bela

Alberto Araújo

 
   
   
 

A VOZ DO POETA


Estou afivelado a ti – polegadamente
desde o prumo à minha superfície esférica
linha, fibra e pérolas –
ilimitado faro, se postam no gesto os meus desejos
e o brejo de minha tez.

fotografia e digital
caminha, caminha... sobre o que é insensatez

Meus olhos
descobrem a poesia – calcanhar e sexo
Seguir o sol é digestivo
e do prédio onde moro
dá para ver o paletó do novo dia

Estou afivelado à tua praça
costuro-me completo
mapa – tatuagem – geografia.


Alberto Araújo

 
   
   
 

O QUE SOU


.......................... Um pássaro
a sobrevoar
o ar do teu sertão
Belo, tão belo
que a alma vira lua

farejando das amendoeiras
o arrebol
e nos trópicos incendeio
o ventre do girassol

Asas, núpcias
e o tremor da alegria
acerta sua lâmina
em direção ao coração do teu sol.

Alberto Araújo

 
   
   
 

DA LONGA ESPERA


Cessam-se as lágrimas
o que foram devaneios – despem-se,
e nos olhos da moça um punhado de desejo
(um beijo)
E a boca insaciada – sacia-se

da longa espera
dá-se para ver o esôfago do livro, a fresta da janela.
O telefone que se moldura – o rastro da velha cidade
a roupa fina no armário desdobra-se em claridade.

da longa espera dá-se para ver o vestir da casa –
a planta – o pássaro, o santuário, o viaduto

:

uma varanda nua
o violão que era mudo.

Alberto Araújo

 
   
   
 

O MOÇO CHEGA


.......................... e traz consigo
na bagagem
a palavra exata
a flecha que desata – do impossível
a água clara

E bebe de si
a frase, o verso que se exala
O moço chega
tem o mesmo cheiro
o mesmo desejo
que falou na fala

:

algo que a folha traduz.

Alberto Araújo

 
   
   
 
Livro de Visitas