"FÉNIX"

Colectânea Literária

POESIA

 
   
   
 

EXTREMO


Guardei
os olhos e bocas
do domingo de outubro
em que pude levar o sorriso nos braços
manhã,
um repentino cavalo
e o casaco se desgarrou
depois me achou
rastros,
e o pássaro
também é peixe
vesti o chão
que Deus me deu
e em direção ao sol
a palavra exata
acertou-me o coração.

Alberto Araújo

 
   
   
 

ROSAS E VELAS


Rosa
simbologia da carne
subsiste a razão
fabrica o reino de Deus
no coração
Vela
simbologia da luz, da alegria
luz que se acende na escuridão
mais que tudo;
é a alma padecente
no momento de solidão.

Alberto Araújo

 
   
   
 

PLANETÁRIO AMOR


Planeta mesclado
de sabedoria
momento íntimo
na face cintilante
amor, olhos
na urdidura da tarde (in put)
mais um dia... na gaveta
e o porvir, granulado de desejos
olhar a luz
talvez o medo apareça momentaneamente
mas larga o medo
a caixa do impossível
acaba de se abrir
completamente.

Alberto Araújo

 
   
   
 

HÁLITO DO DESEJO


Numa flor (o poema na soleira)
meu passo é compasso, e no safári o gesto é sóbrio,
sorriso e farpas, ponta
de punhal – resina no dorso da água e sal
no desejo... o hálito é digesto
– absorvo ab
sorvo
absor
vo
a língua dilatada
desabotoa-se... Na flor, o amor
é tudo, tudo
o aspargo apaziguado sobrevoa
e o poema na espora
passa por baixo da soleira da porta
o amor
veste-se solstíciamente.

Alberto Araújo

 
   
   
 

ASAS DA BORBOLETA


A borboleta
sobrevoa o living
e o seu hálito seca
minha boca – pétalas
ânimo róseo
e o silêncio mira o CÉU
porque a boca está muda???
-calou-se para beijar a minha boca
o amor,
é como uma rosa,
cultivada, não tende se acabar é nunca
a minha língua
na tua boca
se
adunca.

Alberto Araújo

 
   
   
 

BEIJA-FLOR (3)


O beija-flor. beija a flor
e o
desejo é lampejo
abre-se a janela
e tudo que pulsa – pulsa
a boca seminua
o abajur, o livro
a mulher nua
ah, a Lua!
– o beija-flor, beija a lua.

Alberto Araújo

 
   
   
 
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