"FÉNIX"

Colectânea Literária

PROSA

 
   

AMILTON MACIEL MONTEIRO

   
 
ORIGEM
E
PRIMEIROS AVANÇOS
DE
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
 
   
   

Dados biográficos


Amilton Maciel Monteiro, brasileiro, advogado, casado, pai de três filhos e avô de sete netos, nasceu na cidade paulista de Guaratinguetá e, há mais de cinquenta anos, reside em São José dos Campos. Nesta cidade trabalhou no Banco do Brasil e, depois de aposentado, também colaborou, no CTA (Centro Técnico Aeroespacial) e na então Faculdade de Direito do Vale do Paraíba, onde, em 1969, se formou em Ciências Jurídicas e Sociais. Bacharelado e concursado para Juiz do Trabalho,,ministrou aulas de Educação Moral e Cívica no Colégio Estadual Maria Luiza Guimarães Medeiros e, por mais de dez anos, lecionou Teoria do Estado e Direito Constitucional na mencionada Faculdade de Direito, que hoje integra a Univap, Universidade do Vale do Paraíba. Desde o ano de 1968 participa do Movimento das Equipes de Nossa Senhora (ENS). É autor dos livros: “Estágios D´Alma” (poesias), “Cassiano, fragmentos para uma biografia”, “Elementos Históricos da Univap e de seu Berço”, “Vocabulário Bíblico”, “Poesias Recolhidas”, e “Mitos, Fatos & Memórias”, sobre a origem e os primeiros avanços de São José dos Campos. Pertence à União Brasileira de Trovadores – Seção de São José dos Campos.
   
   
 

PRÓLOGO


A formação cívica de um povo depende em grande parte do conhecimento que ele tenha de sua própria história. Daí a importância de se transmitir principalmente aos jovens toda informação possível a respeito de seus ancestrais e de seus feitos, seja através das instituições oficiais, seja por meio da sociedade como um todo. A inteligência do patrimônio físico e moral herdado de nossos antepassados, serve de inspiração e sustentáculo na construção do mundo de hoje e de amanhã. E, como só se ama o que se conhece, o domínio do conhecimento de nossos fatos históricos servirá, no mínimo, de um instrumento de valorização de nossa herança sócio-cultural e de sustentáculo para a construção de um mundo melhor, já que foge à natureza humana o descaso ao que se aprendeu a valorizar.
Com efeito, tudo de bom que se semeia no intelecto, mais cedo ou mais tarde reverte em benefício da coletividade. Esse é um apanágio da humanidade. Por conseguinte, amar e valorizar o bem comum que nos chegou através de sucessivas gerações, retransmitindo-o com zelo às novas que se sucedem no tempo, é, antes de tudo, um dever patriótico.
Os antigos sábios latinos costumavam dizer: “Nil est intellectu quod prius non fuerit in sensu”, ou, no vernáculo: nada existe na inteligência que primeiro não tenha passado pelos sentidos. Por conseguinte, instruir os mais jovens sobre a história de sua terra e de sua gente, constitui obrigação não só dos pais e educadores, mas é essencialmente um dever das autoridades constituídas. E, para tanto, para a importante missão, são válidos todos os recursos eficientes postos à disposição pelos modernos meios de comunicação.
Por pensar deste modo foi também que o autor, nos idos de 1977, considerou bastante oportuna a iniciativa da Prefeitura Municipal de São José dos Campos que, durante a administração do Engº Ednardo José de Paula Santos e com apoio na Lei Municipal nº 1.804/76, instituiu e regulamentou um concurso público, de âmbito nacional, com o objetivo de levantar o maior número de dados possíveis, visando à futura elaboração de uma História da cidade que serviu de berço ao imortal poeta Cassiano Ricardo.
Desse modo, através de um Decreto que recebeu o nº 2212/77, criou-se um prêmio a que se deu justamente o nome do saudoso vate, com a referida intenção de incentivar “estudos e pesquisas” que refletissem as origens e as evoluções históricas da cidade de São José dos Campos, abrangendo “suas atividades sociais, econômicas e culturais, na fluência do tempo”, nos próprios dizeres da referida norma. Em contrapartida, a Prefeitura se comprometia publicar os três primeiros trabalhos premiados, bem como outros eventualmente distinguidos com Menção Honrosa pela Comissão Julgadora.
Dos trabalhos que participaram do mencionado certame, três deles efetivamente foram premiados, Outros três obtiveram Menção Honrosa, conforme divulgação feita pela imprensa local e pelo jornal O Estado de São Paulo, edição de 28.07.77, à página 31, que inclusive mencionou a colocação e os nomes dos autores de todos os trabalhos escolhidos, bem como dos participantes da Comissão Julgadora, presidida pelo ilustre jornalista e professor Hélio Damante: os ilustres Professores Hugo Benatti Júnior, sociólogo e consagrado Mestre do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e das então Faculdades Integradas de São José dos Campos, hoje Universidade do Vale do Paraíba (Univap), e ainda pelo não menos ilustre Dr. Altino Bondesan, brilhante advogado, professor de Direito, jornalista e escritor joseense, autor, entre outras obras, do elogiado “São José dos Campos em Quatro Tempos” e o próprio jornalista Hélio Damante. Além desses três ilustres homens de letras, a referida comissão foi ainda secretariada por dois nomes dos mais conceituados dentre os intelectuais da cidade: o Prof. Domingos de Macedo Custódio, conhecido semeador de escolas, e o Prof. Benedito Rodrigues Matias, apaixonado estudioso e pesquisador das coisas, dos fatos e das origens da terra de Cassiano Ricardo.
Embora oficial, infelizmente a promessa de publicação de todos os trabalhos premiados não se concretizou por razões não declaradas, mas possivelmente motivada pela mudança do Governo Municipal de fato ocorrida. nesse particular. Mas é evidente que o descumprimento daquele compromisso legal por parte do poder público, além de decepcionar os participantes premiados no certame, frustrou igualmente os munícipes de um modo geral. Pois, com a falta da prometida divulgação, só a Comissão julgadora pode conhecer as principais pesquisas então levadas a efeito por diversos estudiosos e que envolviam o passado da querida São José dos Campos.
Vale lembrar que a divulgação do resultado do Concurso propiciou, na ocasião, pronunciamentos e aplausos de diversos vereadores do Município, exaltando o valor das pesquisas levadas a efeito pelos concorrentes em geral, conforme ficaram registrados nos anais da Câmara Municipal. Provocou, inclusive o pronunciamento de diversos edis com pedidos ao novo Sr. Prefeito da cidade para que, o quanto antes divulgasse todos os trabalhos concorrentes, a fim de que se cumprisse integralmente o seu Regulamento e se desse aos estudantes e estudiosos da terra uma excelente oportunidade de ter o maior conhecimento possível de tudo que se conseguiu resgatar da longa, mas muito oculta e pouco divulgada história da cidade de São José dos Campos. Nesse sentido, por exemplo, foi registrado sob nº 1.373 nos anais da Câmara, o requerimento do edil Benedito Machado Siqueira, advogado e professor de História. Aprovado na Sessão Ordinária de 09.08.77, o referido requerimento foi transcrito em ata com votos de aplausos e congratulações à Comissão Julgadora e aos autores dos trabalhos laureados. Aliás, mesmo antes dessa manifestação do ilustre vereador Machado Siqueira, dois outros seus colegas de Câmara, na Sessão Ordinária do dia 02 daquele mesmo mês, os Srs. Antonio Pereira Lima e João Bosco da Silva, pronunciaram-se a respeito, conforme registram os Anais da Edilidade local, com elogiosas referências ao certame de cunho histórico e cultural, em prol da memória de São José dos Campos.
A presente publicação, com ligeiras atualizações, é praticamente o trabalho que obteve o segundo lugar naquele Concurso Público dos idos de 1977. Trata-se na verdade de uma coletânea de fatos, memórias e mitos arraigados e consagrados pelos joseenses, e que o autor conseguiu resgatar em diversas fontes, naquela ocasião. Ele pretende explicar a ela formação do povo de São José dos Campos, cidade que acolheu o autor como um de seus verdadeiros filhos há mais de cinqüenta anos, desde que ele aqui chegou com sua família em outubro de 1959.
Com a divulgação deste seu trabalho, agora em segunda edição revista e ampliada, quer assim o autor, de coração, prestar uma singela homenagem à querida cidade que não só o acolheu como carinho, mas que também se tornou o berço de dois dos seus três filhos e de alguns de seus sete netos.
Elaborada há cerca de trinta e sete anos, esta obra tem como base, principalmente, além do resultado de inúmeros diálogos que o autor manteve com antigos joseenses, várias consultas a velhos jornais e revistas que vasculhou alhures, bem como vários livros e documentos autênticos e raros, incluindo alguns deles pesquisados no Arquivo Nacional e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Se o esforço de divulgação destes elementos, agora, servir de subsídio aos jovens estudantes deste Município, bem como a futuros e autênticos historiadores, dar-se-á o autor plenamente recompensado de seu esforço.
Nesta oportunidade, desejo expressar novamente o meu sincero agradecimento à ilustre Profa. Maria de Fátima Ramia Manfredini, graças à qual foi possível uma revisão dos originais, feia pela elevada competência da Profa. Teruka Minamissawa, e inclusive a sua transposição para o moderno sistema de computação. Sem a erudita e valiosa colaboração das duas ilustres mestras, dificilmente estas pesquisas teriam vindo à luz.


São José dos Campos/SP;
27.07.2014
O Autor.

   
   
 
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