"FENIX"

Colectânea de Arte

PINTURA

 

 

CAROLA JUSTO

 

 

 

Da Autora

Ser artista, para mim, significa escutar o a voz do interior, deixar vir o que de lá quer surgir e dar-lhe uma forma. Dentro de nós há uma fonte inesgotável. Essa fonte que flui também na noite, como dizia João da Cruz, expressa-se como verdadeira originalidade. Por isso, se seguirmos o que todos pensam e todos fazem, afastamo-nos dessa fonte que nos quer trazer ideias criativas, intuições e sonhos nos quais se manifestam símbolos da humanidade e também a nossa cultura e individualidade. Kandinsky dizia que uma obra artistíca verdadeira deve espelhar três factores: 1º a individualidade, 2º a cultura do presente e 3º o eterno. Hoje, o 3º factor, o eterno, muitas vezes, está esquecido.
Acho que a obra dum/a artista que é um servidor do eterno, do divino e se esquece do pequeno eu, vai permanecer. Criando arte, o ego (= o eu inferior que quer brilhar, possuir e dominar), esse eu levanta o dedo, mas se o seguirmos, as energias vêm de lá e não da fonte inesgotável e por isso, quando se permanece nesse nível facilmente nos sentimos esgotados. E além disso, a obra sofrerá, não terá uma força transformadora. A fonte da criatividade, bem cuidada e bem tratada, nunca se esgota. O que vem da fonte da criatividade tem força transformadora em si e nos outros.
A criatividade é algo feminino. Um(a) artista expressa em primeiro lugar a parte feminina da alma (que existe também nos homens). A mulher tem o desejo profundo de criar, alimentar, ordenar e embelezar. A mulher dá à luz. É isso que constitui o caracter feminino da arte nos artistas em geral: dar à luz a obra artística através da criatividade, alimentar espiritualmente, ordenar o caos e transformar o incompleto e o feio no belo. Em geral, artistas têm dentro de si uma tensão, um sofrimento, um paradoxo, algo psicológicamente andrógino. Como são muito sensíveis e têm sentimentos fortes, sofrem mais. O dar à luz anda sempre ligado à dor. Não quero glorificar a dor, mas a dor é o portão para a espiritualidade e para uma arte profunda. A dor é um meio, nunca é a meta. A meta não é a escuridão mas sim a luz, a felicidade.
Arte é transformação - não só do feio no belo, da dor na alegria, da escuridão na luz e do caos ma ordem - a arte transforma aquele que a cria e aquele que a vê e a deixa entrar no coração. A arte acorda e dirige energia psiquica. Arte é encanto. Arte é magia.

Carola Justo

 

 

 

 

Currículo

Carola  Justo
Kassel, Alemanha

www.carola-justo.de

1955
Nascida no Sul da Alemanha. Aos 13 anos primeiras aulas de pintura com um pintor expressionista

1974 – 78
Curso Superior de Pedagogia Social e de Filosofia em Munique

1978 – 80
Assistente social na Caritas de Munique
Formação de pintura na Universidade Popular de Munique

1980 
Casamento e aquisição da nacionalidade portuguesa, mudança para Kassel

1981, 1982, 1986 e 1994
nascimento dos filhos

1983 – 1985
Curso em terapia de família analítica em Marburgo

1985 – 1995 
Cursos em desenho e pintura na Universidade Popular de Kassel: pintura a óleo, aguarela, a acrílico, caricatura, pintura de ícones.

1987 – 1992 
Co-editora e redactora – inclusivamente lay-out – da revista camarária do Conselho de Estrangeiros de Kassel; orientadora e professora de cursos de alemão e de pintura para estrangeiros
Desde 1992 começo do desenvolvimento dum próprio estilo (com tintas acrílicas) que se vai transformando durante os anos seguintes

1996    
Membro activo da galeria Kunstmagazin em Kassel

Desde 2001
Docente de Cursos de Meditação na Universidade Popular de Kassel e em conventos.

Desde 2006 
Membro activo da associação de artistas ART VOR ORT;

Desde 2011  
Membro fundador da associação de Arte e Cultura de Baunatal, Alemanha

Março 2012 
Membro fundador da “ARCADIA - Associação Arte e Cultura em Diálogo” e curadora da Galeria ARCADIA, Branca, Aveiro

2.6. – 9.8.12  
Participação na KUNSTMEILE 2012, exposição acompanhando a documenta 13, exposição de Arte Mundial.

1.6. – 1.9.13  
Participação na 2ª Bienal Internacional “Mulheres d’Artes” em Espinho,Portugal.
 

 

DESDE 1997 À VOLTA DE 50 EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS, ENTRE OUTRAS:

Hofgeismar: Galeria „Am Markt“ (1997), Bruxelas: Comissao Europeia (1998), Göttingen: Galeria do Hospital Universitário (1999); Benediktbeuern: Convento de Benediktbeuern (1999 e 2010), Altmorschen: Convento Haydau (2001), Vellmar: Igreja Evangélica Vellmar-Mitte (2002), Fuldabrück: Igreja Evangélica (2003), Borken: Banco (2007), Fritzlar: Museu Regional de Fritzlar (2008), Lohfelden: Câmara Municipal (2009), Baunatal: Câmara Municipal (2009) e Igreja Evangélica de Großenritte (2010), Fulda: convento Frauenberg (2009), Hannoversch Münden: Câmara Municipal (2010). Kassel: Barmer Ersatzkasse (1999), Galeria Studio Kausch (1999), Galeria Manás (2000), Igreja da Cruz (2001 e 2007), Igreja S. João (2001); Igreja S. Miguel (2000 e 2008); Tribunal Distrital de Kassel (2006). Igreja S. Nicolau de Flüe (2007), Clinica da Diaconia (2011 e 2013), Plansecur (2012), Igreja S. Kunigundis (2012), KUNSTMEILE (2012), Branca, Portugal: Galeria ARCADIA (2012) etc.    
 

 

Exposições em grupo:

Câmara Municipal de Fuldatal (1997); Vrchlabi, República Checa: Castelo de Vrchlabi (2013); Newark, New Jersey, USA: C.R.E.A. (2013); Perth Amboy, New Jersey, USA: Perth Amboy Gallery Center for the Arts (2013); Espinho, Portugal: 2ª Bienal Internacional “Mulheres d’Artes” (2013), Kassel: Domaine:Gallery (2013), Centro Antroposófico (2013).

 

  

 

 

Sobre Carola Justo

“A pintura de Carola Justo está na continuidade do ‘Blauer Reiter’ (‘Cavaleiro Azul’). A sua obra é neo-simbolista. Mostra nos seus quadros a unidade entrelaçada e o desenvolvimento que conduz da planta ao animal, do animal ao Homem e do Homem ao Santo. É um desenvolvimento que tem como meta a realização. Esta realização expressa-se especialmente nos seus rostos humanos, através da sua ternura, beleza e pureza.
Os motivos que se repetem nos quadros de Carola Justo são pares de pessoas e de pássaros. Árvores e outros elementos vegetais aparecem nos seus quadros, muitas vezes na forma do Ginkgo. O Ginkgo é um símbolo da vida que se renova constantemente contra todas as resistências e por isso é também um símbolo do futuro. Ginkgo é a planta da unidade. A unidade do ser é uma carácterística da pintura de Carola Justo.”
 
Prof. Dr. Dr. Leo Weber, historiador de Belas Artes

 

 

 

 

 

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