Eliane Triska

 
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OS TEMPOS E SUA VOZ

PREFÁCIO


O amor é uma terra estranha cheia de surpresas, idas e vindas.
Para quem ama, a vida é posta toda a cada momento, de certo modo, para dizer que vivemos, porque repetimos não mais do que um mesmo instante: o instante buscado. De não sobrar pavio aceso, nenhuma gota a queimar, tudo é posto em chamas. Giramos em torno desse nada.
Diante da falta de sentido da vida, a voz é a forma que toma o grito, lá, onde a vida não é mais que um tempo sonoro a se cumprir como linguagem. De tanto insistir, sem resposta, cria-se o discurso, para tornar audível, ao outro, a paixão de viver esse nada, em sua borda mais incandescente, como o ar que entra pela primeira vez em nossos pulmões.
Quem melhor do que o poeta para expor-se às chamas, em sua intensidade máxima, para testemunhas o que de melhor vale à vida? Exposição deveras mascarada, na medida em que fica entre a cera, que sustenta a chama desse amor, e a fumaça a evolar-se em poemas sublimes. E é o que basta para cobrar, do leitor, o contaminar-se de seu estilo, de sua força e beleza, enquanto a chama evolui-se em meio ao vento, alterando as consciências, em seus objetivos mais práticos, imediatos e diretos, para que o ser ganhe altura.
Ler um bom poema exige esse abandono do tempo, do cotidiano, em movimento que vão, ora ao sabor da rima, ora a de uma deixa que só aparece no final; ora ao sabor da leveza de um sopro, ora ao impacto do retorno à palavra que faltou, ou quando se antecipa um tempo ainda futuro para o sentido das reticências do começo. Encontrar esse ponto de arrebatamento talvez seja a tarefa mais árdua para o poeta no uso da palavra.
E o que dizer quando somos convidados a prefaciar a primeira aparição de um poeta, a estreia de letras, nas paredes das páginas, a se oferecerem como marcas de chamas que por ali deixaram seu rastro singular? Tarefa de não menos abandono. Fica o prefácio, à porta, a desejar que partam os poemas, para uma terra estranha. É melhor, assim, não se ter a chave. E o leitor, é deixa-lo lançar-se em seu comboio, com direito a se perder de saída, entre os versos de ida e os de retorno, identificando o que melhor soe afinado com o movimento de sua própria alma, essa terra estranha.
Ler um poema é sair de casa. É tempo de partida. É sempre um estrear. Sem prazo de retorno, nem direitos adquiridos de um sentido. Mas é nesse ponto que o poeta experimenta o percurso completo do seu próprio abandono, uma vez desapropriado de seu rebento, entregue ao mundo, sem fio, sem celular, sem carteiro.
Como quem solta um pombo-correio, com a mensagem em suas asas, anuncia que estamos diante do primeiro livro de poemas de Eliane Triska. Ao leitor, cabe desvelar, nos movimentos de nuvens, por onde passa o sutil traçado de suas linhas, a aterrissagem do sentido, o mergulho em sua sonoridade, ou estatelar-se em algum rochedo, na dureza de algum verso, para se recobrar, no fim, ante o próprio voo em seu reverso de leitor.
Em Os tempos e sua voz, Eliane tem o ímpeto de uma entrada em cena, fazendo do soneto uma escolha, enquanto os leitores estarão, eventualmente, distraídos entre versos brancos. Mas, quando chegarem aos seus poemas, irão se surpreender com um cenário onde a leitura toma um rumo de um rastilho em ziguezague. Depois, virá o trabalho de encontrar a brasa que arde sob as cinzas, em sonetos que tornam vivos os versos, bastando um sopro da rima.
Percorrendo os poemas de Eliane, no modo com que os dispõe, bem podemos pensar que, para quem ama, a vida e o amor são um e mesmo experimento, uma terra estranha. E, para o leitor saber o que se colhe da sua poesia, é preciso, como no campo do amor, que deixe seus passos perderem a ordem, ao ordenarem-se pelo vaivém entre o lugar de aparição do sujeito da paixão e a frase em que se perdeu como objeto amado. Nessa busca, desalinhada a sintaxe, sem nexo, a licença está dada por si.
Entre...

Luciano Fialkowski

BIOGRAFIA

Meus versos, recebem a moldura do carinho desse convite, que muito me honrou.
Iniciei a escrever poesias em 2006. Simplesmente escrevo: uma emoção... uma história...um coração de memórias.
Nasci no Brasil, no dia 21 de agosto de 1953, na cidade de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul.
Resido na cidade de Canoas.
Sou formada em Direito e Psicologia.
Minha poesia e carinho.

Eliane Triska

Extraído do seu livro

Os tempos e sua voz

 

Índice

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Pág.3 Pág.4 Pág.5
A força das gerações Ano velho Beijo negado Destino
A terceira margem Ânsia invisível Bela Adormecida Dois tempos
A voz do tempo Ansiar perdido Caixa de brinquedos Dor
Agenda & Perdida Ao lado Celibato Dores do amanhã
Alta a um louco Ar nevado Dança real Dupla
Amo-te... Até o final dos dias... Dês-esperança E a Lua
Pág.6 Pág.7 Pág.8 Pág.9
Em demasia... Forças inúteis! Medusa Minha morte
Encontro Hoje resolvi Meu carnaval Minha vida
Escrevendo um coração Inscrito Meu coração Não mais do que isto!
Floração Luzes Meu impreciso Natureza surda
Fogo sagrado do amor Madrugada de orações Meu sorriso! Ninguém falou sobre a dor em nós
Força oculta Mãos de paz Minha alma No desfiladeiro

Pág.10

Pág.11 Pág.12 Pág.13
O apagar de uma estrela Preto e branco Sem me ver Suporta, saudade!
Ó meu amor! Quando voltas? Sem partitura Tardes de jasmins
O nascimento de Jesus Quem sou Senhor meu! Texto concebido à poesia...
Olhos no cais Refratário pergaminho Seremos Toque
Os rios do meu agosto... Resto... Solidão Veleiro da minha vida
Pena desalmada Roda da palavra Solo sagrado Velha árvore
Pés no chão Se me quiseres achar... Sonhos de maçã Voluntário à eternidade
 
 

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