"FÉNIX"

Colectânea Literária

PROSA e ARTE

 

 

ILKA VIEIRA

 
 
 

Minha Biografia Poética
 

Nasce a poesia!
Como todo recém-nato,
precisará de um espaço aconchegante
para se desenvolver...
ousadia para se exibir...
brilho próprio para se destacar...
sonhos para se motivar...
críticas para se corrigir...


A poesia tem luz própria; além de iluminar a inspiração, estimula a mão que cria a dança das letras, através de melodias da alma.
Escrever é uma das coisas que não tenho medo de recomeçar. Escrever libertou-me de tudo. Aprendi a abrir as asas e estendê-las ao próximo, ao distante e... a mim mesma. Não consigo escrever muito sobre a vida de alguém, porque sempre procuro semelhanças com a minha própria vida. Quando escrevo, gosto de mudar repentinamente de um assunto para outro, e depois retornar a cada um deles com maior ênfase.
Costumo dar cor às coisas que não têm cor, poesia ao que está morto e chances à hora final. Já consegui me dar nova vida e sinto que, quando quero, dou nova forma ao meu corpo, novos traços à minha face e... me recomponho. Sempre tive medo de dormir sozinha. Hoje, quando durmo com alguém, conscientizo-me de que estou, antes de tudo, dormindo comigo mesma. Faço-me duas até me fortalecer.
Não tenho nenhuma saudade de mim, porque o que fui não quero ser mais. Desperdicei-me por muitos períodos, mas não me cobro, sou livre para falhar. Nos momentos de justificativa, seria bom que substituíssemos as palavras pelos abraços. Os abraços são mais expressivos, por mais sufocantes que se comportem.
Hoje, percebo os fatos antes de entendê-los, e quando eles tentam se expor a mim, já me esclareci. Não sei se é do amor que sinto falta ou do desejo de partilhar a minha vida. Conflitos, descobertas... tudo e sempre sozinha. Esse foi um lado da vida perdido, irreparável, talvez porque o desejo da partilha fosse sempre o meu lado verdadeiro, mais real, mais desesperado, e por isso o tenha negado tanto. Nem mesmo a minha ilimitada carência foi partilhada, nem a deixei ser pressentida conscientemente.
Agora, tenho certeza de que posso dividir a minha vida entre o antes e o depois. Havia esquecido o poder que a dor tem de fazer renascer. Por todo o tempo transcorrido, coloquei-me do lado de fora, registrando, minuto a minuto, cotidianamente; sensações não vividas.
Fui retirada de mim mesma a fórceps, a cabeça esmagada, o corpo massacrado. Não gritei ao nascer e prendi na garganta meu momento de morrer.
E agora... vivo, vivo muito!!!

Ilka Vieira

 
 
 
 
SER
Ilka Vieira

Amadureci descobrindo que não posso ser uma única pessoa, porque não posso ser a mesma pessoa em todos os momentos...
Preciso ser o que a vida me permite sem que eu regrida na dignidade, na sensibilidade e na sabedoria.
Já não me cobro tanto e abraço meus pequenos defeitos, porque preciso deles para que eu faça parte da humanidade.
Sei que me comporto como exagerada, porque reajo com MUITO para tudo. Sinto muito calor ou muito frio; sinto muita melancolia ou muita alegria; sinto muito amor ou total indiferença; lembro-me de tudo ou de nada (jamais me recordo vagamente...).
Meus passos são largos, muito apressados ou então não saio do lugar, porque não sei caminhar lentamente...
Falo muito baixo ou grito, porque regulo o tom da minha voz através do tom de quem estou ouvindo... de quem estou apreciando ou está me incomodando. Reajo ao silencio do meu ouvinte com um tom muito alto ou com o próprio silencio como resposta.
Tudo em mim é muito intenso, porque não sei lidar com a minha intensidade de querer acertar.
Canso-me de SER... de não SER mais... ou de voltar a SER. Temo me perder... depois, temo me achar sem mais me querer...

Incomoda-me SER cíclica: numa temporada quero tudo por perto e bem perto (família, amigos, grandes amores...). Em outra temporada, quero tudo bem longe, inclusive Eu de mim mesma.

Imaturidade? Despersonalidade? NÃO, Não, não... não sei! Mas é preciso ter maturidade para se ver como verdadeiramente se é!
É preciso ter personalidade para permitir-se despersonalizar diante das exigências da vida!
É preciso ter calma até para ter calma... é preciso aceitar que o sorrir pode ser um carinho ao impedimento de chorar...

Sou Ilka Vieira, mas sou tantas Ilkas também... sou Ilka sem ser ILKA e sou Ilka sem certeza se e de onde advém...
 
Mas, pra quem não teme a franqueza
de quem se confessa nu e imperfeito,
mergulhe na minha alma com inteireza,
sou Ilka Vieira sem questão de sujeito.

Ilka Vieira

 
 
 
 

 

O poeta é o ser que mais necessita de renovação. Cansa-se com facilidade do cotidiano, mas através dele adquire passaportes para as mais profundas paisagens.
O poeta chama de alma a essência que salvaguarda suas emoções, o alicerce que sustenta sua vida e a eternidade que sobrevive à sua morte.
O poeta deixa deslizar a pena através da folha, transparecendo em cenário o renascimento de atitudes da alma.

Ilka Vieira
 
 

 
 

ÍNDICE

ESCRITAS EM CENA

(clique no nº da página)

PÁG.2

  PÁG.3
SAUDADE   LIÇÃO DE SOL
O ESPETÁCULO DA SOLIDÃO   ALIMENTO DA ESPERANÇA
MAGIA DAS LEMBRANÇAS    
 

POEN-SAMENTOS

(clique no nº da página)

PÁG.4

  PÁG.5
AMAR   LUZES DA RAZÃO
COMO BARCOS   PAI PERFEITO
CRONÓMETRO DA VIDA   PRESSA DO EU
GRANDEZA   RECOMPENSA
ILUSÕES   VOLTA POR CIMA
INSPIRAÇÃO    
 
 
 
 

 
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