"FÉNIX"

Colectânea Literária

POESIA

 

 

 
 

COLHENDO FLORES

Ligi@Tomarchio®


Colho flores
coloco água no vaso
ornamento o dito de porcelana
e nada acontece!

Olho ao redor
nada a combinar
tudo determina
que não deveria as ter colhido!

Procuro novamente
como demente
onde está o sentido
de tudo o que está contido!

O vaso contém água e flores
colhidas há pouco, com amor.
A mesa está arrumada
o ambiente a esperá-las!

Qual o problema então
se tudo está de acordo?
Não se pode então
colher flores no jardim...

Será roubo?

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

DESESPERO

Ligi@Tomarchio®


No limiar das minhas forças
tento me libertar
mas quando percebo
nada faz sentido.

As formas se contorcem
a luz se apaga
a água evapora
o ar se transforma.

Dentro de mim não há nada.
Tudo está corroído
doído, rompido.
Só resta opressão.

Ratos roem meu cérebro
cobras devoram meu coração
vermes penetram em minhas vísceras.
A luz me cega.

Talvez, quem sabe...
Um anjo vermelho
um demônio alado...
Como posso saber?

Respostas, não obtenho
nada escuto nesse túnel...
Escuro está e sem retorno.
Perdida estarei?

Vãs esperanças remotas
povoam meu inconsciente
desprovido de sabedoria
corroído pela dor.

Dor sem tréguas
guerra sem paz
fogo ardente
eloqüente, incandescente.

Paixão existe, sobra...
Que triste não saber
como me consolar
diante desse impasse!

Onde está a leveza do ser
daquele que sente amor
sufocado pelo ódio
de não conseguir lutar?

Impotência diante de injustiças
sociais, mentais, nacionais.
Quero crer que sobreviva
a tanta insensatez.

O elixir que me falta
a todos é distribuído
de formas distintas
mas dosadas de certa forma...

Crerei talvez num futuro
não para mim que estou no fim...
Desejo que todos descubram
qual o segredo da passividade dominante!

Desprezo o fraco
assim como a mim.
A fraqueza enternece
amortece nossos anseios.

Como desejar ser otimista?
Como não ficar com os pés no chão?
Como ver injustiças?
Preciso lutar de alguma forma real!

A luta não é fácil
requer astúcia e equilíbrio.
Como encontrá-lo
onde estão as forças?

Desejo com ardor e paixão
que todos acordem e lutem
para que o mundo
não exploda rapidamente!

Tantas mudanças inconcebíveis
incompreensíveis para mim...
Indignada me vejo
sem nada poder mudar!

Não bastam gritos e histeria
é preciso agir rápido
armar-nos de qualquer forma
colocarmos abaixo toda essa vergonha!

Vergonha sinto desse povo
inerte, pasmo, apático,
alienado, colonizado!
Quero crer, homens surjam!

Homens, humanos e sem medo
destemidos e sem receio
que lutem com todo amor
e mudem esse mundo imundo!

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

DEUSES

Ligi@Tomarchio®


Rituais, ritos, ritualística.
Encenações, aberrações, corações.
Seres místicos, exóticos,
sensíveis e frágeis.

Seus nomes já conhecidos hoje,
nos emocionam, seduzem...
Arrastam-nos a mundos,
embutidos, sofridos...

Egos em desespero,
sensações conturbadas,
escondidas, não permitidas,
terremotos de sentimentos!

Arrebatadores gregos!
Trágicos, contundentes.
Sofridos, puros,
com o perdão de Zeus para tudo.

Enfim, deuses
jamais rudes,
mas inocentes vítimas
de um destino!

Tragédias ou não,
sempre aquecidas pelo sol,
davam aos seus espectadores
a certeza do amanhã melhor e sempre...

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

DIVAGAÇÕES

Ligi@Tomarchio®


Enfumaçados desejos
em clausura
remetem grosseiros
passado imperfeito
presente passado
futuro incerto.
Concreta, só a morte
a terra sobre os ossos
vermes famintos
a escuridão...
a escuridão.

Alma perdida
emoldura cenário
carrega fardos
vê beleza, mas nega
socorre perdidos
e confunde
o caminho de volta.
Retorno improvável
reprovado por todos
tolos sábios...
A verdade não existe
apenas
a realidade
crua.

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

LOUCURA DE POETA

Ligi@Tomarchio®


Se há loucura na poesia
devaneios de poeta
utópicos pensamentos
presságios lentos
atentos aos lamentos
carentes de sonhos...

Devolva poeta
seu talento ao vento
ao mar os devaneios
paixão ao fogo
ao ar sonhos...

Elementos da natureza
composta por sinfonias
sons arrogantes e largos
na laguna do pensamento.

Quisera ser poeta louca
para negar minha natureza
e certeza do amanhã...

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

O SEQÜESTRO

Ligi@Tomarchio®


Cândido momento...
Bandido!
Rouba pensamentos
seqüestra minh'alma
arrebatada por sonhos...

Qual será o resgate
que o tempo pede?

Dor por amar!
Angústia de não esquecer!
Amor incondicional!
Renúncia de prazeres!
Paixão pela vida!

Vida...

Terei paz?

A paz não abandona
quem dela se alimenta!

Basta!

Pagarei o resgate!

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 
 

REPRIMINDO EMOÇÕES

Ligi@Tomarchio®


Paixão não existe mais
perde-se no tempo a compreensão
um vazio enorme se apodera
tudo está perdido, nada pode ser resgatado!

A esperança permanece,
uma luz no fim do túnel,
interminável, cheio de fantasmas
que grande insanidade!

Esse vazio impenetrável, invisível
adormece e consome como um verme
corrói tudo de bom que possa existir
num ser ainda não descoberto internamente!

A falta de tesão pela vida
traz o desejo da morte
egoisticamente, sem futuro
numa encruzilhada fatal!

Talvez seja preciso morrer para renascer
matar as paixões, reprimir sensações
e é certo que um dia
alguém possa entender toda dor sentida!

Dor de alguém que consegue ainda sorrir
escondendo toda sua insegurança
diante do espelho da vida
toma consciência e se recolhe!

Conduzi-lo de que forma
ajudá-lo como, se é impenetrável
apaixoná-lo como?
Quem sabe?

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 

 

 

 
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