"FÉNIX"

Colectânea Literária

POESIA

 

 

 
 

MEMÓRIA

Ligi@Tomarchio®


Leve chuva salta
do infinito prateado
em longos sonoros riscos
elevando asfalto, que imanta.

Longos sons permutam
disputando espaços reluzentes
cristalinos pássaros etéreos
voam asas transparentes.

Sob a câmera indiscreta
vejo-me desnuda
ao redor, brincadeiras, crianças...
No coração, a dor da memória.

 
 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

FLAUTA

Ligi@Tomarchio®


Mágica, solene
flauta penetrante
ousa lângüida
na fundura do ser
realizar sonhos celestiais
transcende, carregada de paz
saltitando sons universais
perenes, imortal
deleite dos deuses
prazer do cosmo que a sente.

Seu brilho reluz anseios
requer saber ouvir
retém o fôlego fugaz
do ser em êxtase
refletindo emoções contidas
desnudando egos reprimidos.

Flauta solene e mágica
traga a paz
devolva esperança
conserve sabedoria.

Mágica, lângüida e fugaz
troveje pela última vez
ilumine com relâmpagos
o âmago inocente
carente, sedento de poesia.

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

INDEGUSTÁVEL

Ligi@Tomarchio®


Vem canoa balançando
          ondas sonoras
causadora de tantos romances
          dissabores
faz do mundo o universo
          transcendente
da náusea homérica
          corrupção
sem fronteiras.

Degustei,
cheirei,
escutei,
olhei,
senti.
Nada faz sentido.
Recordação.
Transcendi,
morri.
Agora, quero silêncio.

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

FLUIR

Ligi@Tomarchio®


Rodopiando por espaços
solenes compassadas cores
sem tons,
dissonância arrogante.

Rumos ausentes
fluem do átomo
relato incansável
repetitivo, criador.

Amor repentino
eloqüente
morno, louco
perfumada ousadia.

Florestas deusas
trazem ao interior
de si para si
plenitude e dor.

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

FOME DE JUSTIÇA

Ligi@Tomarchio®


Depurador de ar
expurga
gordura das frituras.
Fritos estão os brasileiros
acreditam no Primeiro Mundo.
Colonizados, massacrados, massificados,
lutam a cada dia por dinheiro
para amainar o cheiro
da gordura dos fartos bolsos
dos que detém o poder.
Sem terra, em greve de fome
presos, cerceados de defesa
buscam um pequeno, mas seu
naco de terra, onde um dia
o depurador de ar
eliminará a gordura das cozinhas.
As verduras frescas, os galinheiros,
crianças saudáveis esperançosas
terão escola, brincarão de bola
bonecas espalhadas, seguras
por cercas, onde o gado pastará,
as plantações brotarão
sem greve de fome
sem invasões "marginais" necessárias
como cidadãos que sempre foram
respeitados serão
ao menos, até a próxima eleição.

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

CRIAÇÃO

Ligi@Tomarchio®


Esquiva-se do céu
mostra o corpo
denota o espectro
de luz e dor.

Contém o sonho
dorme com gnomos
mostra aos deuses
parte do rito.

Zeus o espera
etéreo pensar
de pássaros errantes
num mar derrotado.

Escombros e sombras

escombros?

Assombro de réus
tragando peçonha fé

fé?

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

ÉBANO LUNAR

Ligi@Tomarchio®


Ébano lunar
cadente estrela, cadência
ausência de tons, sons,
cristalizando sonhos
tristonhos lampêjos
poço, fundo, raso,
escasso, insensato
meu carrasco
minha prisão
reprimida frustração.

Cometas, asteróides
vídeo game cego
surdo criado, mudo
maldição, partida
sem volta, revolta
revolvendo mares
moluscos, algas
coloridos peixes, corais.

Coberta estou. Incrustada
de pontiagudas, severas
dilascerantes idéias.
Corpo inerte.
Caos.

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 
 

DOR

Ligi@Tomarchio®


E ESSA DOR QUE NÃO PASSA...
Torrente de águas a me sufocar
sobre mim, o oceano a desabar.

ESSA DOR QUE NÃO PASSA...
Amarga, fria, comprida!
É fel que se mistura com vida.

DOR QUE NÃO PASSA...
É o fim da alegria, da folia!
Nunca mais ouvirei aquela melodia.

QUE NÃO PASSA...

NÃO PASSA...

PASSA...

 
Ligi@Tomarchio
 
 

 

 

 

 
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