Carmo Vasconcelos

 

 

"FÉNIX"

Eventos

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Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores

EVENTO POÉTICO
“FALAR DE TEATRO, EM POESIA”
AVSPE, Março 2011

Uma abordagem sobre as origens do TEATRO
Pela Diretora de Eventos Literários, Carmo Vasconcelos

Efigênia Coutinho
Presidente Fundadora AVSPE

 


O TEATRO - UMA DAS BELAS ARTES

De Ésquilo ( 525 a 456 a .C.) a Gil Vicente (1465? — 1536?)


(Breve abordagem)

Por Carmo Vasconcelos

As origens mais remotas



O teatro surgiu a partir do desenvolvimento do homem, através das suas necessidades. O homem primitivo era caçador e selvagem, por isso sentia necessidade de dominar a natureza. Através destas necessidades surgem invenções como o desenho e o teatro na sua forma mais primitiva. O teatro primitivo era uma espécie de danças dramáticas colectivas que abordavam as questões do seu dia-a-dia, uma espécie de ritual de celebração, agradecimento ou perda. Estas pequenas evoluções deram-se com o passar de vários anos. Com o tempo o homem passou a realizar rituais sagrados na tentativa de apaziguar os efeitos da natureza, harmonizando-se com ela. Os mitos começaram a evoluir, surgem danças miméticas (compostas por mímica e música).
Com o surgimento da civilização egípcia os pequenos ritos tornaram-se grandes rituais formalizados e baseados em mitos. Estes rituais propagavam as tradições e serviam para o divertimento e honra dos nobres.



Teatro na Grécia Antiga


Na Grécia sim, surge o teatro. Surge o “ditirambo”, um tipo de procissão informal que servia para homenagear o Deus Dionísio (Deus do Vinho). Mais tarde o “ditirambo” evoluiu, tinha um coro formado por coreutas e pelo corifeu, eles cantavam, dançavam, contavam histórias e mitos relacionados a Deus. A grande inovação deu-se quando se criou o diálogo entre coreutas e o corifeu. Cria-se assim a acção na história, e surgem os primeiros textos teatrais. No início fazia-se teatro nas ruas, depois tornou-se necessário um lugar. E assim surgiram os primeiros teatros.

A cada nova safra de uva, era realizada uma festa em agradecimento ao deus, através de procissões. Com o passar do tempo, essas procissões, foram ficando cada vez mais elaboradas, e surgiram os "directores de Coro", os organizadores de procissões. Os participantes cantavam, dançavam e apresentavam diversas cenas das peripécias de Dionísio e, em procissão urbanas, reuniam-se aproximadamente 20 mil pessoas, enquanto que em procissões de localidades rurais (procissões campestres), as festas eram menores.
O primeiro director de Coro foi Téspis, que foi convidado pelo tirano Psistrato para dirigir a procissão de Atenas. Téspis desenvolveu o uso de máscaras para representar, pois em razão do grande número de participantes era impossível todos escutarem os relatos, porém podiam visualizar o sentimento da cena pelas máscaras. O "Coro" era composto pelos narradores da história, que através de representação, canções e danças, relatavam as histórias do personagem. Ele era o intermediário entre o actor e a plateia, e trazia os pensamentos e sentimentos à tona, além de trazer também a conclusão da peça.
Em uma dessas procissões, Téspis inovou ao subir em um "tablado" (Thymele – altar), para responder ao coro. Em razão disso, surgiram os diálogos e Téspis tornou-se o primeiro actor grego.
A encenação das peças era feita exclusivamente por atores masculinos que usavam máscaras e representavam também personagens femininos, que deram origem às grandes obras do teatro ateniense. As Grandes Panatenéias, em honra da Deusa Atena, eram celebradas de quatro em quatro anos, com concursos de música e canto, corridas de cavalos e outras competições desportivas; finalizavam com uma procissão que percorria a via sagrada, para oferecer à Deusa o manto luxuoso. Era a festa mais importante da Cidade-Estado de Atenas.
Do ponto de vista cultural, Atenas não era superada por nenhuma outra cidade grega. Lá viveram os maiores pensadores e artistas do mundo grego; alguns deles da própria humanidade. No período clássico, o teatro tornou-se uma manifestação artística independente, embora os principais temas permanecessem ligados à religião e à mitologia. Os dois géneros básicos do drama teatral foram a tragédia e a comédia.



A tragédia grega


Muitas das tragédias escritas se perderam, e na atualidade são três os Trajediógrafos mais conhecidos e considerados importantes: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes
Ésquilo ( 525 a 456 a .C. aproximadamente) – Principal Texto: Prometeu Acorrentado. Tema Principal que contava fatos sobre os Deuses e os Mitos.
Sófocles ( 496 a 406 a .C. aproximadamente) – Principal Texto: Édipo Rei. Tema Principal que tratava das grandes figuras Reais.
Eurípides ( 484 a 406 a .C. aproximadamente) – Principal Texto: As Troianas – Tema Principal que tratava dos renegados, dos vencidos (Pai do Drama Ocidental)

Como ensinou Aristóteles, a tragédia não era vista com pessimismo pelos gregos e sim como educativa. Tinha a função de ensinar as pessoas a buscar a sua medida ideal, não pendendo para nenhum dos extremos de sua própria personalidade. Para o filósofo de Estagira, entretanto, a função principal da tragédia era a catarse, descrita por ele como o processo de reconhecer a si mesmo como num espelho e ao mesmo tempo se afastar do reflexo, como que "observando a sua vida" de fora. Tal processo permitiria que as pessoas lidassem com problemas não resolvidos e reflectissem no seu dia-a-dia, exteriorizando suas emoções e internalizando pensamentos racionais. A reflexão oriunda da catarse permitiria o crescimento do indivíduo que conhecia os limites de seu “métron”. A catarse ocorreria quando o herói passasse da felicidade para a infelicidade por "errar o alvo", saindo da sua medida ideal.
A questão da "medida de cada um" é recorrente na obra dos trágicos, mas trabalhada de forma diferente de acordo com a concepção de destino.
O objectivo de Ésquilo era homenagear Zeus como principal deidade, prevendo o destino de cada um. Quando alguém tentava fugir de seu destino, por sair de seu “métron”, acabava cumprindo o destino escrito por Zeus. Basta ler a Oréstia para perceber a visão de destino e o papel de Zeus.
Sófocles, por sua vez, escreveu verdadeiras odes à democracia, pregando abertamente que somente ela poderia aproximar os homens dos deuses. Aquele que não respeitava a democracia (representada pelo coro), procurava se auto-governar, e fugir de seu destino terrível teria como resultado final aquele mesmo destino que destemidamente lutava contra. Para ele, o homem só encontraria sua medida na vida pública, actuando na pólis, por intermédio da democracia ateniense. Isso fica muito claro em Antígone e Electra (na oposição entre lei humana e lei divina, mostrando que a lei humana emanada pela democracia, ou coro, se aproximava da lei dos deuses).
Em compensação, Eurípedes dizia que o coração feminino era um abismo que podia ser preenchido com o poder do amor ou o poder do ódio. É visto por muitos como o primeiro psicólogo, pois se dedicava ao estudo das emoções na alma humana, principalmente nas mulheres. Aristóteles o chamou de o "maior dos trágicos", porque suas obras conduziam a uma reflexão - catarse - que os demais trágicos não conseguiam. Numa sociedade patriarcal e machista, Eurípedes enfatizava a mulher e como ela poderia fazer grandes coisas quando apaixonada ou tomada de ódio. Defendia que o amor e o ódio eram os responsáveis pelo afastamento da medida de cada um. Podemos destacar Medéia e Ifigênia em Áulis, como duas peças de Eurípedes nas quais os sentimentos e emoções são levados à flor da pele.



A comédia


A comédia foi um gênero mais voltado para o cotidiano, para os costumes, que são tratados sobre tudo como objeto de crítica e sátira. Dentre os principais comediógrafos destacam-se: Aristófanes (445 - 385 a .C.), autor de A Paz, Lisístrata, A Assembleia de Mulheres, Os Cavaleiros e Plutos; É considerado o maior representante da comédia antiga.
Menandro (340 - 292 a .C.), autor de O Intratável.

 


O Teatro Português
Gil Vicente


Gil Vicente (1465? — 1536?) é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Há quem o identifique com o ourives, autor da Custódia de Belém, mestre da balança, e com o mestre de Retórica do rei Dom Manuel. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, actor e encenador. É frequentemente considerado, de uma forma geral, o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico já que também escreveu em castelhano - partilhando a paternidade da dramaturgia espanhola com Juan del Encina.
A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, fazendo-se o balanço de uma época onde as hierarquias e a ordem social eram regidas por regras inflexíveis, para uma nova sociedade onde se começa a subverter a ordem instituída, ao questioná-la. Foi, o principal representante da literatura renascentista portuguesa, anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita que influenciou, por sua vez, a cultura popular portuguesa.



O Teatro português antes de Gil Vicente


O teatro português não nasceu com Gil Vicente. Esse mito, criado por vários autores de renome, como Garcia de Resende, na sua Miscelânia, ou o seu próprio filho, Luís Vicente, por ocasião da primeira edição da "Compilação" da obra completa do pai, poderá justificar-se pela importância inegável do autor no contexto literário peninsular, mas não é de todo verdadeiro já que existiam manifestações teatrais antes da noite de 7 para 8 de Junho de 1502, data da primeira representação do "Auto do vaqueiro" ou "Auto da visitação", nos aposentos da rainha.
Já no reinado de Sancho I, os dois actores mais antigos portugueses, Bonamis e Acompaniado, realizaram um espectáculo de "arremedilho", tendo sido pagos pelo rei com uma doação de terras. O arcebispo de Braga, Dom Frei Telo, refere-se, num documento de 1281, a representações litúrgicas por ocasião das principais festividades católicas. Em 1451, o casamento da infanta Dona Leonor com o imperador Frederico III da Alemanha foi acompanhado também de representações teatrais.
Segundo as crónicas portuguesas de Fernão Lopes, Zurara, Rui de Pina ou Garcia de Resende, também nas cortes de D. João I, D. Afonso V e D.João II, se faziam encenações espectaculares. Rui de Pina refere-se, por exemplo, a um "momo", em que Dom João II participou pessoalmente, fazendo o papel de "Cavaleiro do Cisne", num cenário de ondas agitadas (formadas com panos), numa frota de naus que causou espanto entrando sala adentro acompanhado do som de trombetas, atabales, artilharia e música executada por menestréis, além de uma tripulação atarefada de actores vestidos de forma espectacular.
Contudo, pouco resta dos textos dramáticos pré-vicentinos. Além das éclogas dialogadas de Bernardim Ribeiro, Cristóvão Falcão e Sá de Miranda, André Dias publicou em 1435, um "Pranto de Santa Maria" considerado um esboço razoável de um drama litúrgico.
No Cancioneiro Geral de Garcia de Resende existem alguns textos também significativos, como o Entremez do Anjo (assim designado por Teófilo Braga), de D. Francisco de Portugal, Conde de Vimioso, ou as trovas de Anrique da Mota (ou Farsa do alfaiate, segundo Leite de Vasconcelos) dedicados a temas e personagens chocarreiros como "um clérigo sobre uma pipa de vinho que se lhe foi pelo chão", entre outros episódios divertidos.



Voltando a Gil Vicente


É provável que Gil Vicente tenha assistido algumas destas representações. Viria, contudo, sem qualquer dúvida, a superá-las em mestria e em profundidade, tal como diria Marcelino Menéndez Pelayo ao considerá-lo a "figura mais importante dos primitivos dramaturgos peninsulares", chegando mesmo a dizer que não havia "quem o excedesse na Europa do seu tempo".
De facto, a sua obra tem uma vasta diversidade de formas: o auto pastoril, a alegoria religiosa, narrativas bíblicas, farsas episódicas e autos narrativos.
O seu filho, Luís Vicente, na primeira compilação de todas as suas obras, classificou-as em autos e mistérios (de carácter sagrado e devocional) e em farsas, comédias e tragicomédias (de carácter profano). Contudo, qualquer classificação é redutora - de facto, basta pensar na Trilogia das Barcas para se verificar como elementos da farsa (as personagens que vão aparecendo, há pouco saídas deste mundo) se misturam com elementos alegóricos religiosos e místicos (o Bem e o Mal).
Gil Vicente retratou, com refinada comicidade, a sociedade portuguesa do século XVI, demonstrando uma capacidade acutilante de observação ao traçar o perfil psicológico das personagens. Crítico severo dos costumes, de acordo com a máxima que seria ditada por Molière ("Ridendo castigat mores" - rindo se castigam os costumes), Gil Vicente é também um dos mais importantes autores satíricos da língua portuguesa. Em 44 peças, usa grande quantidade de personagens extraídos do espectro social português da altura. É comum a presença de marinheiros, ciganos, camponeses, fadas e demónios, e de referências – sempre com um lirismo nato – a dialectos e linguagens populares.
Entre suas obras estão Auto Pastoril Castelhano (1502) e Auto dos Reis Magos (1503), escritas para celebração natalina. Dentro deste contexto insere-se ainda o Auto da Sibila Cassandra (1513), que, embora até muito recentemente tenha sido visto como um prenúncio dos ideais renascentistas em Portugal, retoma uma narrativa já presente na General Estória de Afonso X. Sua obra-prima é a trilogia de sátiras Auto da Barca do Inferno (1516), Auto da Barca do Purgatório (1518) e Auto da Barca da Glória (1519). Em 1523 escreve a Farsa de Inês Pereira.
Nos Autos de Mofina Mendes, onde se inclui uma anunciação, de acordo com os temas marianos, gratos ao autor, são geralmente apontados, como aspectos positivos das suas peças, a imaginação e originalidades evidenciadas; o sentido dramático e o conhecimento dos aspectos relacionados com a problemática do teatro.
O seu lirismo religioso, de raiz medieval e que demonstra influências das Cantigas de Santa Maria está bem presente, por exemplo, no Auto de Mofina Mendes, na cena da Anunciação, ou numa oração dita por Santo Agostinho no Auto da Alma. Por essa razão é, por vezes, designado por "poeta da Virgem".
O seu lirismo patriótico presente em "Exortação da Guerra", Auto da fama ou Cortes de Júpiter, não se limita a glorificar, em estilo épico e orgulhoso, a nacionalidade: de facto, é crítico e eticamente preocupado, principalmente no que diz respeito aos vícios nascidos da nova realidade económica, decorrente do comércio com o Oriente (Auto da Índia). O lirismo amoroso, por outro lado, consegue aliar algum erotismo e alguma brejeirice com influências mais eruditas (Petrarca, por exemplo). (subsídios Wikipédia e biblioteca da autora)

Muito mais haveria a dizer sobre este vasto e interessante tema, porém não cabe aqui senão uma breve abordagem sobre as origens do TEATRO, como dito a princípio, e esta já vai longa.

Desejando-vos, prezados poetas, o máximo prazer nesta leitura,
Carmo Vasconcelos
Directora de Eventos Literários AVSPE

Hoje, dia 12 de Agosto, (2010) dia em que comemoramos O Dia Nacional das Artes, entre elas a Poesia, partilhamos o encerramento do belíssimo

Evento Poético

"Dilemas"

que teve na sua nave de comando a nossa
Diretora de Eventos Literários, Poetisa e Patronesse AVSPE,
Carmo Vasconcelos.

Meus agradecimentos a sua pessoa Carmo, e a todos os Participantes.

Efigenia Coutinho
Presidente Fundadora AVSPE



ACADEMIA VIRTUAL SALA DE POETAS E ESCRITORES
Evento "DILEMAS" Julho 2010
Por Carmo Vasconcelos
 

“O espírito esboça, mas é o coração que modela.”
Auguste Rodin


O PENSADOR (Le Penseur) é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin. Esculpida a primeira versão em 1880, ela retrata um homem em meditação soberba, lutando com uma poderosa força interna.
Originalmente chamada de O POETA, a peça era parte de uma comissão do Museu de Arte Decorativa em Paris para criar um portal monumental baseado na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Cada uma das estátuas na peça representava uma das personagens principais do poema épico. O Pensador, originalmente, procurava retratar Dante em frente dos Portões do Inferno, ponderando seu grande poema. A escultura está nua porque Rodin queria uma figura heróica à la Michelangelo para representar o pensamento assim como a poesia.
Logo, o Pensador sugere-nos o pensamento em luta para destrinçar nossos Dilemas.
E eles são tantos – dilemas éticos, dilemas sociais, dilemas amorosos, dilemas existenciais – que muitas penas e poetas jamais extinguirão a versatilidade sobre o tema.
Qual de nós não se viu já nessa hipotética posição do Pensador, procurando a saída para as encruzilhadas que a vida nos apresenta? Tantos caminhos a desafiar o livre arbítrio com que nos dotou o Criador… Quantas vezes quase sucumbimos a essa tremenda luta interna que se nos depara? Batalhas entre razão e coração, entre o dever e o prazer, entre os modelos impostos pela sociedade e a nossa personalidade? Entre ir e ficar; odiar ou perdoar; e até, entre viver sofrendo ou deixar-se morrer.
Tantos são nossos dilemas, queridos poetas… que não chegaria esta página inteira para mostrar exemplos.
Então, ilustres poetas, estimados amigos e companheiros de letras, vamos deixar à vossa inspiração a enorme paleta de ideias que a vossa alma desenhe, para que pintem em poesia tudo o que O PENSADOR, originalmente O POETA,
nos sugere como “DILEMAS”.

Convosco, neste abraço em poesia,
Carmo Vasconcelos
(Directora de Eventos Literários AVSPE)

Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores
Evento TROV (ADEJ) ANDO NA AVSPE - Agosto 2010
Pela Directora de Eventos Literários, Carmo Vasconcelos

 

O Trovador, pintura medieval, autor desconhecido.
Enviada pela escritora Carmo Vasconcelos



SUA EXCELÊNCIA: "A TROVA"

TROVA é a arte de acomodar o infinito nos limites de um grão de areia.
( Waldir Neves)

Não chores se não puderes
teus sonhos realizar,
chora quando não tiveres
mais razão para sonhar.

Antonio Juraci Siqueira
Belém, Brasil

 

Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.

António Aleixo
Vila Real de Santo António, Portugal


Trova é um poema autónomo de quatro versos, monostrófico (contém uma estrofe apenas) com quatro versos heptassílabos (redondilha maior), sem título, que se completa em seus quatro versos.
A trova completa-se em si, sem aceitar mais nenhuma estrofe.
O esquema rítmico da trova é de rimas alternadas (ABAB) ou cruzadas (ABBA).



Estimados leitores, estas trovas que seguem, surgiram espontaneamente, numa brincadeira sem pretensões, a que chamámos TROV (ADEJ) ANDO NA AVSPE.
Sabemos que algumas nem cumprem os verdadeiros preceitos da trova, mas não queremos, por isso, desperdiçar os improvisos que os nossos poetas amigos aqui deixaram com carinho.
Podemos seguir agora em tema livre, ampliando este abraço poético, em homenagem a Sua Excelência, a Trova



SUA EXCELÊNCIA A TROVA

TROVADORISMO


Designa-se por Trovadorismo o período que engloba a produção literária de Portugal durante seus primeiros séculos de existência (séc. XII ao XV). No âmbito da poesia, a tônica são mesmo as Cantigas em suas modalidades; enquanto a prosa apresenta as Novelas de Cavalaria.


CARACTERÍSTICAS


A poesia desta época compõe-se basicamente de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos (alaúde, flauta, viola, gaita etc.). Quem escrevia e cantava essas poesias musicadas eram os jograis e os trovadores. Estes últimos deram origem ao nome deste estilo de época português.
O marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirós, provavelmente em 1198, intitular Cantiga da Ribeirinha.
Mais tarde, as cantigas foram compiladas em Cancioneiros. Os mais importantes Cancioneiros desta época são o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.
As cantigas eram cantadas no idioma galego-português e dividem-se em dois tipos: líricas (de amor e de amigo) e satíricas (de escárnio e mal-dizer).
Do ponto de vista literário, as cantigas líricas apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lírica portuguesa e até brasileira. Já as cantigas satíricas, geralmente, tratavam de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.
        Cantigas de amor
Origem da Provença, região da França, trazidas através dos eventos religiosos e contatos entre as cortes. Tratam, geralmente, de um relacionamento amoroso, em que o trovador canta seu amor a uma dama, normalmente de posição social superior, inatingível. Refletindo a relação social de servidão, o trovador roga a dama que aceite sua dedicação e submissão.
Eu-lírico - masculino
        Cantigas de amigo
Neste tipo de texto, quem fala é a mulher e não o homem. O trovador compõe a cantiga, mas o ponto de vista é feminino, mostrando o outro lado do relacionamento amoroso - o sofrimento da mulher à espera do namorado (chamado "amigo"), a dor do amor não correspondido, as saudades, os ciúmes, as confissões da mulher a suas amigas, etc. Os elementos da natureza estão sempre presentes, além de pessoas do ambiente familiar, evidenciando o caráter popular da cantiga de amigo.
Eu-lírico - feminino
        Cantigas satíricas
Aqui os trovadores preocupavam-se em denunciar os falsos valores morais vigentes, atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.
         o       Cantigas de escárnio - crítica indireta e irônica
         o       Cantigas de maldizer - crítica direta e mais grosseira


(Pesquisa de Carmo Vasconcelos em “Literatura online”)

 

A Directora de Eventos Literários
Carmo Vasconcelos

Livro de Visitas

 

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