FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Conceição Tomé (São Tomé)

 

DESENCANTO
Conceição Tomé (São Tomé)


Porquê este meu desalento,
Que me deixa assim prostrada,
Como se a alma fosse trespassada
E tudo perdesse o encanto?

Não será pela demora da chuva,
Que teima em não cair
E os campos precisam florir…
Pelo vento gélido da madrugada,
Assobiar por cima do telhado
E a deixar o meu sono agitado…
Nem pela chegada do novo dia
Enevoado, carregado de nostalgia…
Tão-pouco pelo sol de inverno,
Que se esgueira para a outra rua,
E deixa a minha rua sombria.

É apenas desencanto:
Com a passividade da humanidade,
Perante tanta iniquidade…
Com o silêncio dos inocentes,
Que não ousam clamar por justiça…
Com as exacerbadas paixões,
Alienadas, nefastas e incongruentes…
Com os valores invertidos das novas gerações…
E o fanatismo de várias religiões,
Que matam e exploram humanos crentes!

Conceição Tomé (São Tomé)
Amora - Portugal

 

 
 

Cristiane Grando

 

A ÁRVORE DA MINHA INFÂNCIA
(ao primo Luciano Gava)
Cristiane Grando


o pessegueiro era uma ideia
da árvore sendo casa

nossa casinha
os seus galhos

as folhas nos protegiam
do vento e do sol
do calor intenso

os espaços entre as folhas
eram as janelas da nossa casa:
nossos olhos e alma

In: “Arvoressências”

Cristiane Grando
Cerquilho - SP - Brasil
www.arvoressencias.com
https://www.facebook.com/kitandaole?fref=ts

 

 
 

Cristina Bezerra Rodrigues

 

A JOVITA RODRIGUES SANTOS
Cristina Bezerra Rodrigues


A mãe alinhavava seus sonhos de menina,
baila, bailarina, seu sonho de voar.

A bailarina brincava desde muito pequenina,
salta, bailarina, com seu salto a ganhar.

A mãe recompunha a rotura da menina,
pisa, bailarina, com sua marcha a planar.

A menina cresceu sem ser bailarina,
renasce Cristina, no seu sonho de brilhar.

E a mãe seguiu sua sina, na lida de vê-la prosperar,
remenda a ternura da vida, na costura do seu trilhar.
Jovita, ferramenta de amor, com suas mãos moldou o que sou:
sonho perene da vida, na busca pelo louvor.

Cristina Bezerra Rodrigues - Brasil
em Espanha

 

 
 

Danielli Rodrigues

 

O ADEUS!
Danielli Rodrigues


Um dia a amizade aparece.
Diálogos, conselhos
Partilha de choros e sorrisos
Envolto aos ombros
E abraços de um amigo.

Um dia a amizade solidifica.
Momentos, decisões
Surgem os comprometimentos
De erros e acertos
Na vida de um amigo.

Um dia a amizade some.
Achismos, egocentrismos
Rompem sentimentos
De tudo o nada
Simplesmente jaz um amigo.

Danielli Rodrigues
Londrina - Brasil

 

 
 

Deodato António Paias

 

POEMA SOBRE OS POVOS VIVIDOS EM PORTUGAL
Deodato António Paias


Os povos que habitaram Portugal
Povos Ibéricos e pré-romanos
Foram muitos mais… afinal
Antes da invasão dos romanos.

A Península Ibérica habitada
Pelos povos nativos inicialmente
Ibéricos, Celtas e maralhada
Antes de Cristo certamente.

Eram agricultores e pastores
À cerâmica eles se dedicavam
Eram todos bravos trabalhadores
Com arte os ouros moldavam.

Chegaram os Celtas deu mistura
Dando origem aos celtiberos
Viviam nos montes… loucura
A fazer muralhas eram certeiros.

Mais tarde outros apareceram
Os Fenícios e os Cartagineses
Costumes havidos desapareceram
Muito mais espertos quantas vezes.

Trouxeram novas mercadorias
Fenícios o hábito da escrita
Trouxeram muito mais valia
E uma vida muito mais realista.

Da mistura saíram os Lusitanos
Dos quais se destacou o Viriato
Foram os nossos velhos veteranos
Já tinham carne e pesca no prato.

Os Bárbaros e os Visigodos
Já eram muito mais civilizados
Depois os Mouros foram todos
Ficamos nós aqui endividados.

Deodato António Paias
Lagoa - Portugal

 

 

 

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