FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Hilda Persiani

 

OUTONO E INVERNO
Hilda Persiani


Gosto de olhar através da minha janela
As tardes de outono, o sol se escondendo,
As folhas caindo... A paisagem já não é bela,
Os pássaros aos poucos vão desaparecendo.

O ar mais fresco minha face acaricia,
Procuro vislumbrar nessa transformação,
A semelhança com a vida , que dia a dia
Vai modificando o exterior e o coração,

Mas tudo acontece tão naturalmente,
O Outono da vida devagar vai chegando
E nos vai transformando tão sabiamente,

Ela é sutil , que nós nem vamos notando...
De repente, o outono passa, nem percebemos,
Chega o inverno da vida e já envelhecemos!

Hilda Persiani
Curitiba - Brasil

 

 
 

Hiroko Hatada Nishiyama

 

AS DUAS ROSAS
Hiroko Hatada Nishiyama


Mistério!
Eram duas rosas
No mesmo galho
Uma branca, a outra, carmim.
Por uma sina do destino
A rosa branca enfeitou a lápide
Branca, marmórea
De uma menina!
A rosa carmim
Despetalou-se e voou ao vento
Até ao pé de uma cruz
Tosca, de madeira
Fincada no chão,
Assinalando a última moradia
De alguém sem nome, sem lápide!
E ali ficou, ali murchou.
E ali se fez pó.
Quem somos?
Mistério!

Hiroko Hatada Nishiyama
São Paulo - Brasil

 

 
 

Humberto Rodrigues Neto

 

LAMENTAÇÕES DE JÓ
(Jó, cap. 38: vs. 4 e 21)
Humberto Rodrigues Neto


Toda a vida de Jó sobre este mundo
foi exemplo de amor pelos carentes;
mesmo rico, votava amor profundo
aos mendigos, aos pobres e aos doentes.

Mas um dia, seus bens, riqueza e paz
escoam-se e contrai mortal doença
que as carnes rói-lhe de modo pertinaz,
e que o inclina a tomar-se da descrença!

Caridoso e fiel que sempre fora,
lamenta a Deus a sorte que o desmembra!
Por que amargar tal vida sofredora,
se de um só mal que tenha feito, lembra?

E do alto, vem-lhe voz soturna e cava:
“Já não se lembram os teus pensamentos
do tempo em que Eu previra e já lançava
da Terra o alicerce e os fundamentos!

Tu o sabes, tendo embora te esquecido,
que em tal tempo de há muito já vivias;
tu o sabes, pois já então eras nascido
e é grande a quantidade dos teus dias”!

Como Jó, quantos há que inda creditam
seu mal a um Deus tirânico e soez,
pois faltos da razão ainda acreditam
que o homem vive apenas uma vez!

Humberto Rodrigues Neto
São Paulo - Brasil

 

 
 

Humberto Soares Santa

 

E DEUS FEZ A MULHER
Humberto Soares Santa


(Homenagem ao sacrifício da mulher mãe)


A mulher e seus sentidos sempre alerta,
Resultaram da mistura em dose certa
Colocada num cadinho com a costela.
Perfume a mulher tem e tem amor,
Se Deus a pintasse com mais cor,
Certamente que seria menos bela.

Com um pouco mais de dor, era queixume.
Com um pouco mais de amor, era ciúme.
Com um pouco mais de olhar, era gazela.
Com um pouco mais de fulgor, seria raio.
Com um pouco mais de flor, seria Maio.
Com um pouco mais de luz, seria estrela.

A mulher é bela em qualquer idade
Mas só pode ser mãe sem virgindade
Pois só a mãe de Deus morreu donzela !

Humberto Soares Santa
Cotovia-Portugal

 
 

de Margarida Soares Santa

 

 

 
 

Iara Almansa Carvalho

 

FIM DE CARNAVAL
Iara Almansa Carvalho


E agora, Maria?
O carnaval acabou,
o dia raiou
é quarta-feira de cinzas!
Onde penduraste a fantasia?
Tudo mudou da noite para o dia.
A ilusão fugiu,
sorrateira
deixando a quadra vazia,
emudecida!
Sozinha? Por que Maria?
Sandálias na mão,
pés descalços
em retirada na avenida
despedindo-se da folia
sem vestígios de alegria!
Procuras o que, Maria?
As cortinas fecharam,
o palco está nu

Iara Almansa Carvalho
Criciúma - SC - Brasil

 

 

 

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