FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Isabel Furini

 

FOLHA EM BRANCO
Isabel Furini


as palavras recuam
(acanhadas)
escondem-se
nos cantos quase inacessíveis da mente
não querem ocupar a folha em branco.

procuro as palavras com empenho
e com mais empenho elas se escondem
com medo do professor
e dos colegas
que vão julgar a aparição de cada letra no teatro surreal de meu poema.

Enquanto assisto Tv. e tomo um café
(nesta noite outonal)
percebo a branca ave da inspiração
e descubro que o poema
(íntegro e arredio)
com certeza sentia frio e dormia na xícara de cerâmica.

Isabel Furini
Curitiba - PR - Brasil

 

 
 

Isabel Rosete

 

SOU SOBERANA PERANTE VÓS
Isabel Rosete


Eu, Poeta de cara lavada na água não-canalizada,
Eu, Poeta de cara lavada na água das fontes límpidas
Por onde ainda não passaram as vossas mãos impuras
Nem as vossas bocas sujas pelo mais imundo
Que há em muitos de vós,
Sou soberana perante todos vós,
E digo-o assim com esta cara lavada
Sem cremes que lhe possam dar outro brilho,
Vermes húmidos de caras pálidas,
Gentes que me invejam
E me chamam arrogante,
Porque me assumo na minha Identidade.

Vós, cobardes e hipócritas,
Invejosos de rosto encoberto
Sois mero lixo que deito fora
No contentor mais próximo e mais nauseabundo.

Isabel Rosete
Lisboa - Portugal

 

 
 

Ivan Silveira Braga

 

COQUEIRO
Ivan Silveira Braga


Você tem toda razão
Sua conversa bate forte
Eu esqueço tudo
Vou levando a vida
Com alguns sentimentos
Falando só
Sete léguas
Mil regiões na alma
Milagre
Coqueiro
E as areias da Estrela do Norte
Você tem mais razão ainda
Falando no meu ouvido
Com carinho
caindo fora
pegando a rodagem
até a lua me repara
pra lá e pra cá
na mesma moagem
de vez em quando
eu me lembro
não sei se é saudade
ando escutando sua voz
seu cabelo sacode a tarde...

Ivan Silveira Braga
Taguatinga – DF - Brasil

 

 
 

Ivo Darci Mahlke

 

ESTAÇÕES
Ivo Darci Mahlke


Quando a saudade se achega no rancho
Traz na garupa uma paz de tapera
Pode ser que a madrugada triste
Desperte a vida pra uma primavera

Ah, se a viola mostrasse o caminho
Para nunca sentir solidão
Eu não teria que ficar .sozinho
A esperar por mais um verão

Na revoada das aves em bando
Vai a tristeza do abandono
Para buscar uma nova morada
Fugindo das noites frias de outono

Longas noites junto ao braseiro
Sinto o inverno chegar sorrateiro
E no silêncio fica a esperança
Para que chegue um novo janeiro

E aos poucos o corpo adormece
Nada resta senão sonhar
E pedir que o tempo não esqueça
Pra que a vida assim aconteça
Permitindo que eu volte a amar

Ivo Darci Mahlke
Restinga Seca - RS - Brasil

 

 
 

Ivone Boechat

 

RESISTÊNCIA
Ivone Boechat


Quando encontrares
comigo
pela estrada da vida,
não se admire da velhice,
leve um susto
outra vez,
por me achar viva:
bala perdida,
corrupção,
ebola,
mau político,
racionamento,
escassez,
ingratidão;
antes da pirraça,
me abrace como amigo,
deixe a esperança exalar,
recorde o tempo da escola,
a pipoca na praça;
fale coisas bonitas de você,
deixe assunto de violência
e perigo
para quem recebe
uma fortuna na tv
só pra contar desgraça.

Ivone Boechat
Rio de Janeiro - Brasil

 

 

 

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