FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Jandyra Adami

 

MEU FILHO
Jandyra Adami


Quando te notei em mim
Eras menor que a cabeça de um alfinete
Entretanto, já fazias parte do meu ser
Respiravas a minha respiração
Alimentavas-te através do meu sangue
Sentias bem de perto o bater do meu coração
Aqui de fora eu também sentia o teu
Aos poucos foste crescendo,
E com isto transformando meu corpo
Numa modificação gloriosa
Pois nada se compara ao corpo sem curvas
De uma mulher grávida.
Sem te conhecer eu já te amava
Sem saber se eras menino ou menina
Escolhia nomes para teu Batismo.
Durante oito meses ficaste comigo
E só eu tinha a dádiva de sentir-te,
De saber que existias, com todos os reflexos
da vida que terias, tu me chutavas,
batias com as mãozinhas em meu ventre,
que com muito carinho te guardava
Estavas protegido de todos os perigos
Pois somente eu tinha acesso ao teu corpinho.
Através das mãos que te acariciavam
aqui do lado de fora
Para os outros eras um sonho...
Parte de tua vida em mim ficaste sentado
Era difícil aguentar aquela dor diferente
pois quando mexias, minha barriga toda doia
Por confusões de sangue, negativo e positivo,
Tiveste que deixar o teu troninho
Pois eras meu Rei mesmo antes do nascimento
Parto cesariana, chegaste chorando como tem que ser
Eu não te vi pois dormia, e este prazer quem teve primeiro
Foram as pessoas que mais te amaram depois de mim:
Papai Antônio e Vovó Geralda
Eras tão pequeno meu filho, com oito meses apenas
Uma transfusão de sangue, um susto grande para nós:
Tiraram todo teu sangue para que pudesses viver
Ficaste na encubadora por cinco dias
Mas, desde o começo, ias ao quarto para mamar
Sugavas meu seio com tanta força que eu pressentia:
"este menino vai ser muito grande e guloso também"
E assim aconteceu, o milagre da vida, a tua vida...
E depois, com o correr do anos, eu posso dizer
sem medo de errar: valeu a pena tudo que passei,
todos os exames que fiz na gravidez , as horas de
medo, de angústia, tudo foi muito pouco
pois tu és tudo aquilo que imaginamos,
que pedimos a Deus: saudável, humilde,
bom filho, amigo, bom tudo.
És belo e forte. Tua grandeza de espírito,
tua generosidade, teu caráter, medem tanto quanto tu
1.90 de bom marido, bom pai, bom filho, repito.
Que pena a vovó ter partido antes de conhecer tua família?
Obrigada Júnior por teres escolhido meu ventre
para teu renascimento
Obrigada meu Deus, pelo presente de tê-lo consentido...

Jandyra Adami
Sta Rita - Brasil

 

 
 

Janete Sales Dany

 

LIBERANDO A CELERIDADE DA IMAGINAÇÃO
Janete Sales Dany


Eu abro as asas num êxtase sublime e canto o meu hino
Violento a atmosfera com a pressa do falcão peregrino
O voo é tão fugaz que não escuto o estrondar dos sinos
Cortejo o azul do céu e finalizo no oásis do meu destino

No solo uso a sabedoria; vou além do que é esperado
Rasgo o verde da relva com a velocidade do guepardo
Sigo persistente debaixo da tormenta e do sol severo
Não há lonjura que me faça abdicar do que eu quero

Solto o meu corpo nas águas; nem sei se é norte ou é sul
Permeio o mar dos sonhos com a rapidez do marlin azul
Meu desejo navega distante e contempla lugares irreais
Trago a minha centelha e celebro o nirvana no meu cais!

Concluo o meu trajeto com a celeridade do beijar flor
Além da pressa que existe tem que haver muito amor
No instante do arrebol o colibri louva a mãe natureza!
Rezo para que a minha essência nunca perca a pureza

Somos cérebros que peregrinam com muita velocidade
A fantasia voa longe e sempre se firma numa afinidade
Em qualquer rota pode existir a cólera de um temporal
Tudo que se alcança nesta vida é fruto do próprio astral

Janete Sales Dany
São Paulo - Brasil
http://danysempre.blogspot.com.br/

 

 
 

João Coelho dos Santos

 

SONHEI COM CRISTO
João Coelho dos Santos


Num sonho, muito distante, voei
Para bem longe, no tempo e no espaço.
Com bordão de viagem e cabaça de água
Peregrinei por essas terras além.

Meus passos me levaram até Jerusalém
E pude sentir a frescura
Dos palmares de Betfagé,
Tocar um fresco fio de água
Que jorrava da fonte de Siloé.
Segui às torres Hípica, Mariana e Farsala,
Ao Pátio dos Gentílicos,
Ao Hiéron, a casa de Jeová,
E olhei ao redor, na Torre Antónia.
Mercavam-se brocados da Babilónia
E, no Templo, vi o Messias de varapau,
Zangado deveras, a escorraçar os vendilhões
E vi mercadorias aos trambolhões.
Enquanto um vento triste visitava ruínas
Ao redor de El- Kurds, da Jerusalém,
Vi a Torre das Fornalhas, a Porta de Efrain
E mesmo o túmulo de Raquel, perto de mim.
Reconheci Osanias, rico saduceu,
Membro de sanedrim, de joias finas e véu,
E Cláudia, mulher de Poncius,
Que costumava subir, envolta em seu manto,
Ao terraço dessa Torre para ouvir, com espanto
E encanto, pregar o rebelde,
O Rabi Jesuchoa Natzarieh.
Próximas, vi Magdala, Joana, e outra Maria,
Susana e a mulher do poço de Samaria.
Uma praça escaldava ao sol.
Ouvi o povo eufórico a exultar
Porque o Rabi Jesuchoa,
Primo de Iokanan, que antes O batizara,
Fora preso em Betânia.
Vi atarem-Lhe os pulsos com uma corda
E Sareias a acusar que O ouvira dizer
Descendente da Casa de David, ser,
E que destruiria o Templo e a Lei,
Embora deste mundo não fosse Rei.
Nesse meu sonho ainda vi
Que, por ter ficado em silêncio, pasmado,
Também às acusações de Hannan,
Foi violentamente esbofeteado.

O meu reino não é deste Mundo!
“Eu sou a verdade e a vida” – ouvi.
Vertia tédio o magistrado Poncius Pilatos,
Que fora prefeito de Batávia,
Disse não Lhe ter achado culpa
E que não passava de um simplório primário
Cujo crime singelo era o de ser visionário.
Escolhei, clamou, quem quereis que liberte,
Jesuchoa ou Barr – Abbas
Que matou um romano legionário
Nas proximidades de Xistus?
Vendilhões e prostitutas gritavam
Por clemência a Barrabás.
O ansião Rabi Robão solene afirmava:
Antes sofra um homem que um povo!
Pilatos, o sanedrim, as mãos lavou
E, crucificar Jesus, então mandou.
Porque se dizia Rei e os reis são coroados,
A ornar-Lhe a cabeça, por escárnio
Uma coroa de espinhos do nabka,
Instrumento de doloroso martírio,
Lhe colocaram até sangue escorrer,
Como agravo para tão grande ultraje,
E iniciou o longo e sangrento Calvário.
Foi de sangue o suor de Cristo e seu sofrer.
Numa fenda da rocha se ergueu
A cruz do nazareno.
Ladeiam o “perigoso” Jesus, no momento fatal,
Outros condenados ao martírio da cruz:
Um ladrão de Betebara, estrada de Siquém
E um temível assassino de Emath.
Saciaram os judeus um ódio sacerdotal.
No erguer da cruz mais se rasgaram
Suas inocentes e divinas carnes.
Terá sido a suprema dor do meu Senhor.
Cristo recusou o vinho de Tharses,
O vinho da misericórdia,
Que O poria inconsciente, sem dor.
Legionários descansaram, ao sol-poente,
Lanças de pontas faiscantes.
Pareceu-me ver uma mágoa
Misericordiosa no olhar de Cristo.

“Pai, porque me abandonaste?
Perdoai-lhes, que não sabem o que fazem!”
Um cão abriu a goela e ganiu.
Um grito varou o ar, tremeram astros no céu!
Choros e lágrimas de Maria morriam no pôr-do-sol
Palpitaram estrelas e lua…
Soltaram-se gemidos de contrição
Que fizeram gelar meu coração!
Na cruz arrefecia o maior amigo do homem
E o povo divertia-se, ria e aplaudia,
Enquanto se apagava a mais pura voz do amor.
O Rei dos judeus e de todos os pobres,
Morreu no madeiro dos condenados,
Enquanto impávidos, os legionários
Jogavam as vestes do Santo aos dados!
Na hora do desmaio empalidecido das estrelas
José de Ramata reclamou o corpo para o sepultar.
Ao terceiro dia, Jesus ressuscitou.

Uns O escutaram e O seguiram,
Outros O perseguiram e assassinaram.
O Emanuel pagou com a vida a sua rebeldia
E o mundo não mais foi igual a partir desse dia.
Ateou-se o fogo nas searas servis,
Adormecidas e escravas
Dividiram-se pai e mãe, filho e filha,
Na liberdade de O aceitar ou rejeitar.
E, mais do que nunca, não se entendem
Saduceus, soforins, escribas e fariseus.

Perdido no tumulto dos meus pensamentos,
Estremunhado e cansado, acordei.
No meu sonho, testemunhei
A Páscoa da Paixão do meu Senhor.
Por nos amar de mais, Jesus
Foi morto, como ladrão, na cruz
E nós, não O sabemos amar
Como Ele nos amou!
Na clareira luminosa da minha Fé
Sonhei e mais um horizonte se projetou.

João Coelho dos Santos
Lisboa - Portugal

 

 
 

João Furtado

 

AMOR DE PERDIÇÃO
João Furtado


Foi um sonho e pareceu real a rosa
Que acordado ainda tenho a duvida
Parecia ter vida a rosa primorosa
Fechava e abria e claro seduzia
A borboleta que mal deixara o casulo
Ávida de experimentar da vida a alegria

Enamorada a borboleta se apaixonou
E pela rosa encantada de fome expirou

***

ALMA GÉMEA MINHA
João Furtado
Existe a máquina do tempo
Esta na nossa humana mente
Regresso 40 anos frequentemente
Para sentir o senti naquele tempo

Foi uma foto simples e a preto e branco
Vi e o um coração vibrou como nunca antes
E vi nos negros e belos olhos presentes
Que tu serias aquela que tudo dedico
Se longe estiveres meu coração palpita
E sente que metade de mim está longe
Até dormir para mim é mil sacrifícios
És a mulher dos meus sonhos e desígnios
Se não te digo mais é porque a ideia me foge
Pois sinto, meu amor, que és a bendita

Alma gémea minha!

João Pereira Correia Furtado
Praia - Cabo Verde
http://joaopcfurtado.blogspot.com

 

 
 

Joaquim Marques

 

SEGREDOS DE PRIMAVERAS
Joaquim Marques


Quando em noite de luar
Sentados à beira mar
Em meu ouvido sussurravas;
Segredos de Primaveras
Que apenas eram quimeras
De sonhos que tu sonhavas!

O cheiro da maresia
Que a brisa até nós trazia
Como perfume ficava;
Impregnado em teu rosto
Do sal, eu sentia o gosto
Quando teus lábios beijava!

Lá do alto a lua cheia
Com seu clarão permeia
A evolução das águas;
E as ondas prateadas
Felizes por ser beijadas
Levavam as tuas mágoas!

Olhei os teus olhos negros
Escuros como rochedos
Que banhados p'lo luar;
Refletiam belos sonhos
De certo modo bisonhos
Na sua forma de amar!

Nessa longa madrugada
Amaste e foste amada
E ao partir me disseras;
Pra esquecer o que contaste
As quimeras que sonhaste
Em passadas Primaveras!

Joaquim Marques
Gaia - Porto - Portugal

 

 

 

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