FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Julian dos Santos Silva

 

SOSSEGA
Julian dos Santos Silva


Ceva um mate só pra este fim de tarde
De um verde pampa carregado de saudade
Saudade boa, pra sentir em hora de calma
Saudade boa, que não aflija a alma

Aquece a água com tuas mãos de ternura
Teus olhos negros prenunciam noite escura
Esquece tudo e nesta sombra, sossega
Que a vida é simples não precisa muita entrega

A noite entra dando cancha pra conversa
E as mãos pequenas sem nenhum pouco de pressa
Na mansidão de um lugar que nada passa
Mas vai na estrada a vida dando o ar da graça

Me alcança um mate e senta junto pra matear
Porque o amargo só se adoça em companhia
Vou me perdendo nos “jujos” do teu olhar
Buscando a noite que este mate anuncia

Julian dos Santos Silva
Restinga Seca - RS - Brasil

 

 
 

Juraci Martins

 

LABIRINTOS DA VIDA
Juraci Martins


Me sinto só
nos meus pensamentos...
Ora alegrias, ora sofrimentos...
Percebo então, sou quase um cofre
Guardando relíquias e segredos...
Me sinto nua, por fora... tenho flores por dentro
Mas não sei a quem ofertá-las
Sinto medo...
Minha inquirição é: de Donde me vêm esses tormentos?
Que tentam apagar
os meu alentos,
Confundem meu
Raciocínio...
Na serração caminho
Pisando sobre espinhos
Buscando libertação.
Quero sentir-me vestida
Segura no meu espaço
E ofertar minhas flores
A cada um que passar
E assim poder
Amar...amar!...amar.

Juraci da Silva Martins
São Sepé - RS - Brasil

 

 
 

Jussára C. Godinho

 

LAMENTO DE UM RIO
Jussára C. Godinho


Nascimento e morte de um rio
Nasci sereno
manso e cristalino
por entre os verdes
doce vale menino

Cresci robusto
forte e valente
e fui andando
emocionando gente

Atravessei cidades
quase poderoso
mas tanta maldade
Deixou-me horroroso

Os lixões, lixos, lixinhos
Deixaram-me malcheiroso
afogaram meus peixinhos
Não sou mais um rio garboso

Jussára C. Godinho
Caxias do Sul - RS - Brasil

 

 
 

Kel Lestat

 

SEUS OLHOS
Kel Lestat


Seus olhos, tão vivos, tão belos, tão puros
De vivo luzir
São estrelas cadentes
Que as águas dormentes do mar vão ferir
Seus olhos tão vivos, tão belos, tão puros
Tem meiga expressão
Mais doce que a brisa
De noite soprando
Mais doce que a flauta
De noite a solidão quebrando
Seus olhos tão vivos, tão belos, tão puros
De um vivo luzir
São meigos infantes,
Brincando, saltando
Em jogo infantil
Inquietos, travessos, causando tormento,
Com beijos me pagam
A dor de um momento.
Seus olhos tão vivos, tão belos, tão puros
Assim é que são:
Às vezes luzindo,
Serenos, tranquilos,
Às vezes vulcão!
Seus olhos tão vivos, tão belos, tão puros
Assim é que são...
Eu amo esses olhos
Que falam de amor com tanta paixão.

Kel Lestat
Rio de Janeiro - Brasil
Blog: kellestat.blogspot.com

 

 
 

Laerte Antônio

 

SARIEBACITUBAJ
Laerte Antônio


Outubro. Ei-las vestindo longo escuro,
gesto todo olhos: negros e brilhantes.
Essas senhoras sempre tão galantes,
altivas a espiar além do muro...

Dançantes... e num ponto assim maduro,
deixam boca e sentidos marejantes...
Convidam a aventuras degustantes
por entre as rendas de seu longo escuro...

Mil olhos, mil doçuras, mil detalhes:
tais senhoras convidam a grimpar-lhes
o corpo todo favos, doces olhos...

Melhor é saboreá-las nos refolhos
dos braços... que ficar doido esperando...
Dai graças, vós que ainda estais grimpando.

Laerte Antônio
Casa Branca-SP-Brasil

 

 

 

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