FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Luísa Galvão Lessa Karlberg, IWA

 

SUA BÊNÇÃO, MEU PAI! SUA BÊNÇÃO, MINHA MÃE!
Luísa Galvão Lessa Karlberg, IWA


Eu nasci assim...
Um casamento ao modo antigo,
Dois jovens enamorados, felizes,
Inocentes, puros, sonhadores consigo,
Um lar com oito filhos formaram,
Com carinho, amor, compreensão,
Tudo com respeito e atenção,
Preocupados nos filhos, em sua educação,
Sabedores da semente que plantaram neste chão.
Crescemos em harmonia, em companhia de muita filosofia:
Respeito, amor, trabalho, estudo, honestidade,
Sem ao mundo fazer nenhuma maldade,
Vida regrada, sem exagero e muita lealdade,
Aprendendo as verdades sem idolatria,
Mas vendo no mundo a covardia.
Os pais acompanhavam sem nos carregar,
Mostravam o mundo sem dele nos isolar,
Davam abrigo, sem nos esconder,
Mostravam perigos para com eles aprender.
Meu pai, um sábio homem,
Fez nesta vida um pacto, nunca passar fome,
Foi escolado na dignidade da vida,
A ninguém deixou ferida,
Soube respeitar e valorizar às pessoas,
Foi à escola aprender só coisas boas,
Não tirou diploma, nem ganhou medalhas,
Mas enfrentou e venceu ferrenhas batalhas,
Procurou ambiente de estudos para os filhos,
Ofertou educação, espaço para a maturidade,
Não fabricou castelos, mas deu-nos liberdade
Para estudar, refletir, multiplicar, criar,
Sem pisar em ninguém,
Incutiu o valor da bondade,
Tudo feito com lealdade,
E, por fim, disse: vão conquistar o mundo,
Ele é grande, perigoso, profundo,
Mas não é o vulcão imundo,
Para quem nasceu em família decente,
Cedo aprendeu a trabalhar e ser gente,
Saber abrir portas, fechaduras,
Sem jamais perder a ternura.
Minha mãe uma sábia do lar,
Fez do casamento seu altar,
Ali colocou os filhos a rezar,
Com fé, força, devoção,
Ensinando valiosas lições,
Sem fraquejar ao curvar vergalhões,
Por suas mãos habilidosas,
Fez dias e noites famosas,
E a todos encantou, com gestos, ações,
Nunca despendeu juízo em infelizes corações,
Pois é mulher tecida em fibras de ouro,
Olha a vida e o mundo como tesouro.
Por tudo isso sou ser sonhadora,
Uno sonhos e disciplinas,
E no mundo sou caminhante dessas doutrinas.
Sua bênção, meu Pai! Sua bênção, minha mãe!

Luísa Galvão Lessa Karlberg, IWA
Rio Branco - Acre - Brasil

 

 
 

Luiz Antonio Cardoso

 

NO PRINCÍPIO
Luiz Antonio Cardoso, MUC


No principio
foi a solidão
esta deusa indiferente que inspira o padecer!
Depois
vieram resquícios de esperança
na mais bela e radiante atenção,
que durou tão pouco...
que foi tão passageira...
que mal pude avaliar
o momento de transição
entre o pulsar da vida
tão linda leve e serena,
e o retorno da imensidão silenciosa
e obscura
que persiste
neste ser.

No princípio
foi a desilusão,
este produto inacabado menos alegria e mais devastação!
Depois
surgiu uma nova ilusão
utópica, como de costume,
mas linda,
com sorriso disfarçado
ameaçando fazer-me feliz.
Mas tão logo desacreditei no infortúnio,
cai novamente
lentamente
tristemente
na mais profunda desilusão.

No princípio
foi a depressão
esta morte não-morte que embaça a visão!
Depois
surgiu um alívio
momentâneo
instantâneo
fugaz
que veio definir a felicidade
como se ela existisse
afinal.
Mas logo
tudo voltou ao normal.
As pessoas voltaram a caminhar a passos largos.
A solidão voltou a rondar meu universo.
A desilusão fez-se a visão deste poeta.
A depressão venceu nova batalha, silenciosa.
A exclusão impôs-se a inclusão,
mostrando que discursos,
palavras,
poesias,
versos
e etc.
são vazios,
quando não saem do papel.

Luiz Antonio Cardoso, Presidente do Movimento União Cultural
Taubaté - Estado de São Paulo - Brasil

 

 
 

Luiz Carlos Martini

 

MINHA ESTRADA
Luiz Carlos Martini


Dois caminhos tem minha estrada.
Um que vem outro que vai
Uma porteira pra quem entra,
e outra, pra quem sai

Dois caminhos tem minha estrada
Que todo dia sorri
Pois você passou por ela
Lá te conheci

Dois caminhos tem minha estrada
Onde passa o vaga-lume
Tem o brilho das estrelas
O aroma do perfume

Dois caminhos tem minha estrada
Tão real, às vezes esquecida
Palco de encontros
Também despedidas

Dois caminhos tem minha estrada
De malfadada realidade
Desejo do caminhante
Encontrar a felicidade

Dois caminhos tem minha estrada
Começo, meio e fim
É grande, é pequena
Mas cabe dentro de mim

Dois caminhos tem minha estrada...

Luiz Carlos Martini
Restinga Seca - RS - Brasil

 

 
 

Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Prof.

 

MISTAGOGIA DE UM POETA
Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Prof.


O poeta tem um poder imensurável para transformar a solidão em multidão,
Tem também a sutileza de adulterar tantas certezas em cruéis dúvidas
Com facilidade transforma o que era concreto em abstração,
É capaz de fulminar o amor em paixão e amenizar a paixão em amor
Faz os questionamentos certos para obter as respostas duvidosas
Faz da palavra um hino que penetra o coração e a alma
Brinca com o pensar e o sentir em forma de poesia
Através da poesia faz do pesadelo um dia irradiante de luz
Uma noite de luar em eternidade
Um momento em encanto perene
Uma vida frágil e sem sentido
Em símbolo, em mito e em uma lenda eterna
Converte um olhar gélido em delírio incontrolável
Como também uma lembrança amarga em martírio
A ilusão em realidade
A desilusão em espasmos fantasmagóricos
O poeta ludibria o tempo em vento
Manuseia a tempestade em uma brisa suave
Se apropria das palavras e faz delas pensamentos
O seu gozo se chama palavras
Às vezes é lacônico
Ás vezes nebuloso
Ás vezes indecifrável
Tem a mágica de revelar o segredo indômito
E o mais incrível: fazer de uma loucura a mais sincera sanidade!!!!

Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Prof.
Barra do Corda - Brasil

 

 
 

Luiz Eduardo Caminha

 

OUTONO
Luiz Eduardo Caminha


O compasso da vida
Me abre os olhos,
A bruma cobre,
Densa, silente,
O leito do rio,
A roupagem da mata.

A brisa fresca da manhã,
Faz a pele aquecida,
Contrastar com a natureza,
O calor do corpo, da noite.

A vida,
Parte deste ar outonal,
Desperta alegre,
Aos primeiros raios,
Do astro rei.

Num cochilo do tempo,
e repente,
Como se um hiato houvesse,
A névoa some,
A mata descortina seu verde,
É manhã.

O céu azul límpido,
Perpassa à bicharada,
A onda cálida,
Do novo dia.

A sinfônica dos pássaros,
A voz dos bichos,
A melodia das águas,
Serpenteando a corrida do rio,
Misturam-se ao som,
Barulho da cidade.

O tempo passa,
A tribo humana,
Segue seu passo.
A natureza aguarda,
Como mágica,
A volta do crepúsculo,
O sumir do novo dia.

Luiz Eduardo Caminha
Florianópolis - SC - Brasil
http://stmt.com.br/site/

 

 

 

Livro de Visitas