FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Luiz Gilberto de Barros – Luiz Poeta

 

ASSASSINOS DE ALUGUEL
Luiz Gilberto de Barros – Luiz Poeta


A cada cada vez que alguém vem e me assassina,
Eu resusscito, sou teimoso…sigo em frente,
Pois meu amor é uma gota cristalina
Que me anima, toda vez que estou carente.

Por ser ingênuo e por amar como um menino,
Brinco de sonhos, coleciono fantasias,
Choro, sozinho, o desamor e o desatino
E comemoro minha dor com poesias.

Sou dependente de um olhar afetuoso,
Por isso sofro quando há, num pensamento,
Algum resquício de um desejo mais maldoso
Ou mentiroso, feito de ressentimento.

Sou passarinho e sobrevivo do meu canto,
A dor dói tanto, quando vejo em quem consola,
Um alçapão, uma arapuca, um desencanto
E a solidão num fundo triste de gaiola.

E se me prendem num desejo insatisfeito,
Há no meu peito um novo voo que me resgata,
Pois é no sonho mais sentido e mais perfeito,
Que eu rejeito a falsidade que me mata.

Sou um menino indefeso, que ao chorar
Guarda no olhar, a mais sincera piedade
Desses que esquecem o seu tempo de sonhar
E se preocupam com quem sonha de verdade.

Meus assassinos de aluguel ganham tão pouco,
Pois se soubessem quanto custa o meu amor,
Perceberiam que todo poeta louco
Guarda fortunas num cofre de sonhador.

Luiz Gilberto de Barros – Luiz Poeta
Presidente da Academia Pan-Americana de Letras e Artes
Poeta, escritor, músico, compositor, artista plástico.
Rio de Janeiro - Brasil
www.luizpoeta.com.br

 

 
 

Maia de Melo Lopo

 

DEIXA
Maia de Melo Lopo


Deixa ir a lei da dor, vai voltar, esconde-te nas sombras da sombra emoldurada,
Desabrocha fome retraçada, reacendida, vomita, sopro leve corações ateados,
Queimados, chamas negras, ardentes na pura noite azul, flamejante, por ti amada.
Horas doces, livres mãos, perdidas, dores sangrentas, luto silencioso, amar vidas,
Vampiros, tormentas, pérolas caídas, balouça o lume da morte, mortes vencidas.

Deixa ir o amanhecer, meio-dia, gente grita, marcha sobre a campa, amor morto,
O povo atravessa casa do esgoto, queixume, velhas mães, amantes esquecidas,
Pomba voa, xaile no rio, lembrança perfumada Lisboa, fado rouco chia no porto,
Olhar dança, cavalgam ondas do Inferno, vozes degoladas, esperanças ingratas,
Repousam bocas desertas, abismo, sol-posto, ladrões recitam palavras insensatas.

Deixa ir a fome do entardecer, ingratos assassinos, o amor nada sabe, terror, orgias,
Infelizes riem, fogo venenoso da cidade, vaidade, falso brilho cospem nos mundos,
Tempos imundos, perdidos, contra as horas mortas se matam, choram-se agonias,
Monstros antigos escondidos, sangra coração, saudades nunca libertarão meu soluçar,
Triunfo rejubilou na primeira felicidade, ai presa dor, dói, jamais podê-la reencontrar.

Maia de Melo Lopo
Lisboa/Portugal

 

 
 

Márcia Portella

 

FALANDO SOZINHA
Márcia Portella


O que você quer de mim não importa,
De você quero só a alma;da vida
Quero sonhos, poemas, amor e insensatez
Não sei até quando, nem por que...

Por certo me achará uma tola, que faz
Das letras refugio de uma vida vazia,
Talvez leviana; há de rir ou imaginar
Amores, tentar descobrir por um acaso,
Que as letras choram no mistério da
Poesia, sentindo o frio no sussurro do adeus..

Não importa! já estarei no vazio;
Leia minhas folhas amareladas e sinta se puder
O gosto amargo do amor, esse amor que tira
O medo dos olhos e do corpo o pavor;
Talvez descubra que minhas palavras são
Reles embustes forjados pelo medo de amar...

Sombras mergulhadas num infinito de mentiras;
Palavras que soam na temperança do tempo,
Rastejando qual serpente emplumada em areia
Quente, no deserto da razão..
Trago sentimentos represados, que gravo em
Preto, no branco no papel, onde ficarão,
Em letras caladas, escapadas de algum lugar..
Pedaços, do que um dia.. foi poema..

Márcia Portella
Goiânia - Brasil
http://marciaportellago.blogspot.com

 

 
 

Marcia Kanitz

 

VALSA DO VENTO
Marcia Kanitz


Vem
Nas asas
Do vento.
Vem
No sonho,
Na valsa,
No sereno.

Vem
No sorriso,
No abraço,
No pensamento.
Vem!
Na poesia,
Do tempo.

Marcia Ruth Kanitz
Pres. Fundadora da Embaixada da Poesia em Casimiro de Abreu/RJ
Rio de Janeiro - Brasil

 

 
 

Márcia Sanchez Luz

 

DOCE ABRIGO
Márcia Sanchez Luz


Em tudo existe uma centelha acesa,
uma palavra vã, envolta em presa.
Em noite leve, o teu luar prepara
sabor de afeto, de beleza rara!

Ai quem me dera se na noite afora
teu canto amigo me trouxesse agora
um doce abrigo nessa vida amarga
que de tristezas nem a paz se alarga!

Seria decerto uma tarefa árdua
de efeito incerto, porém valiosa
essa empreitada comumente airosa!

E ainda assim, pela incerteza farta,
Trago-te a rima que me atrai, ciosa
de tua proeza assim tão dadivosa!

Márcia Sanchez Luz
São Paulo - Brasil
O Imaginário - http://poemasdemarciasanchezluz.blogspot.com
Márcia Sanchez Luz - http://marciasl2001.blogspot.com

 

 

 

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