FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Maria Petronilho

 

ENFIM POETA E MULHER
Maria Petronilho


Espero merecer morrer
num dia de intenso sol
sem ninguém se aperceber
que a minha alma se vai
presa num dos tantos raios
que ligam a terra e o céu
e que alfim me guiarão
para um espaço além dor
para um lugar só de amor
onde poderei ousar
ser poeta e mulher
sem ninguém me estranhar

num lugar onde não cabem
arrogância e poder

ao resto de mim que ficar
não importa o acontecer
não será meu sequer
será resto a fecundar
o chão donde há-de nascer
nova vida a luzir

o eu que sou há-de estar
num cosmos a acordar
sem ninguém me censurar
o ser poeta e mulher!

Maria Petronilho
Lisboa - Portugal
www.maria-petronilho.net

AL FIN POETA Y MUJER
De Maria Petronilho
Versão em espanhol por Alberto Peyrano


Espero merecer morir
un día de intenso sol
sin que nadie se dé cuenta
que mi alma ya se va
abrazada de algún rayo
que liga la tierra al cielo
y que al final me guiará
muy distante del dolor
hacia el reino del amor
donde al fin me atreveré
a ser poeta y mujer
sin que ninguno me extrañe

un lugar donde no caben
ni arrogancia ni poder

y a lo que de mí va a quedar
no importa lo que suceda
pues eso no seré yo
será un resto que fecunda
el suelo para dar más
nueva vida y nueva luz

lo que yo soy ha de estar
en el cosmos despertando
sin que nadie me censure
si soy poeta y mujer!

Alberto Peyrano
Buenos Aires, Capital Federal, Argentina
http://albertopeyranocursos.blogspot.pt/

 

 
 

María Sánchez Fernández

 

MUJER
(En el Día Internacional de la Mujer)
María Sánchez Fernández


Se abrieron los panales de los cielos
y surgiste cual gota derramada
de una celda de mieles desbordada
anegando en dulzura áridos suelos.

Fuerte roca tallada en los anhelos
de dar amor y entrega en la escalada
de una vida por siempre enamorada
alcanzando tu cenit con desvelos.

Eres ola que besa las orillas
de las playas sedientas y vacías.
Eres llama que abrasa con su aliento

las cúspides heladas y amarillas.
Y eres tierra que se abre en alegrías
cuando la vida en ti es resurgimiento.

María Sánchez Fernández
Úbeda - Espanha

 

 
 

Maria Tomasia

 

SE EU FOSSE UM ESPELHO
Maria Tomasia


Se eu fosse um espelho,
refletiria sua alma e seu coração
e procuraria bem perto dizer
o ser maravilhoso, translúcido, que você é.

Procuraria ouvir as batidas do seu coração
e veria se o meu está em sintonia com o seu,
se batem no mesmo ritmo!
Nesse reflexo eu veria se quando diz me amar
o faz com a mesma sinceridade que eu.

Quem me dera ser um espelho!
À sua alma eu lembraria o que sempre digo
em palavras, porque a ela está visível
todo o amor que sinto e que não
irá fenecer com o passar do tempo,
pelo contrário, irá mais e mais se solidificar.

Longo tempo iria com ela conversar...
Conheceria os seus verdadeiros sentimentos
e você conheceria os meus sem nada dizer.

Como não sou um espelho e nem sou poeta,
procurei mostrar-lhe sem rebuscos ou rima,
que simplesmente nada precisamos fazer
para que saibamos do respeito e amizade
que sentimos, e que sós jamais estaremos.

Nas nossas mãos sempre haverá
uma taça de vinho que ao amor brindaremos.

E assim será enquanto vivermos.
Nada, em tempo algum, mudará.

Maria Tomasia
Rio de Janeiro - Brasil

 

 
 

Marilza Lemos Martini (Nina Martini)

 
SOLIDÃO
Marilza Lemos Martini (Nina Martini)


Solidão habita em mim
Medo, tristeza, mentiras, decepção
Arrependimento pelo que vivi
E deixei para trás.
Estou só, triste, perdida
Confusa demais para saber
Para onde ir
Igual barco a deriva no mar
Balanço de um lado para outro
Sem saber em que porto atracar.
Solidão castiga, machuca.
Coração dói
Tristeza infinita...
Na maré da vida
Luto sozinha para não me afogar.
Estendo a mão, não encontro a tua
Solidão devora, afoga, consome.
Grito teu nome, mas você não responde.
Solidão...

Marilza Lemos Martini (Nina Martini)
Restinga Seca – RS - Brasil

 

 
 

Mário Freire

 

MUNDO E VERGONHA
Mário Freire


eu sou caricia de sonho
sou mendigo do pensamento
vejo o mundo num tormento
mundo desgovernado! rei sem trono

mundo sem humanidade medonho
sem direitos humanos! só vingança
bárbaro de mau trato! cão sem dono
cruel futuro no crescer de uma criança

uma desigualdade sem fronteira
alguns pobres humildes sem ganancia
vivem na fé! que um dia surja bonança
vida degradada barracas de madeira

outros ricos soberbos sem maneira
de banca forte sem escrúpulos! tanta arrogância
os poderosos intelectuais! cefálica da ignorância
de convicção fixa! cérebro fanático
os que pensam que a vida se resume
no controle dum simples botão informático
ignoram outros! no viver de amargo queixume

a crueldade supera o bem
ignora-se acordos e aliança
campos de refugiados! terra de ninguém
vivem na incerteza
a viver no infortuno da esperança
a viverem no imundo da pobreza
olhos lagrimantes rosto quebrado

para senhores devassos da guerra
viverem no melhor que a vida contem
no oásis! no capricho da ganancia
na exploração da infortuna terra

sem o berço terem respeitado
vivem ricos de muita abundância
mas pobres de âmago torturado
a viverem na sombra do pecado

Mário Freire
Lisboa - Portugal

 

 

 

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