FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Noeme Rocha da Silva

 

CELEIRO DE BELEZA NATURAL
Noeme Rocha da Silva


Num dia ensolarado
cheguei a esse celeiro...
lá fui bem recebida
por uma sinfonia de pássaros
pardal, siriema, quero-quero
pássaro-preto e outros mais.
Lavanda que perfuma
deixando o ambiente cheiroso.
Alfazema é um cheiro
muito suave, lembrança de bebê.
Alecrim também serve para aromatizar.
Cada um com seu cheiro natural
um cheiro de campo
um bom cheiro de alegria.
Ipê-branco suave da paz
que leveza, que beleza!
Só de pensar no ipê-branco
eu me arranco da tristeza
e vou pro verde que descansa.
Chão cheio de folhas
cheio da Paz grande.
Ipê-amarelo, imagina amarelo
que nos lembra o ouro
que nos lembra o sol.
O sol sorria de tanta felicidade
com os olhos bem arregalados
seu amarelo se confundia
com o amarelo do ipê-amarelo

o mundo ficou todo amarelado
o mundo ficou caramelado.
Há coisas que o cego
não pode tocar
isso me encantou.
Agora, gente, eu quero falar
da satisfação de conhecer
mais um museu ao ar livre
que é o Instituto Israel Pinheiro
quem conhece nunca vai esquecer.
Brasília é repleta desses lugares
tão cheios de riquezas e belezas.
Esses museus trazem glórias
tanta informação, tanto conhecimento.

Noeme Rocha da Silva – Deficiente visual
Riacho Fundo II/Brasília/ DF/Brasil

 

 
 

Nuno Rebocho

 

A MONTANHA DE AMIANTO
Nuno Rebocho


a papila dos ouvidos traz paisagens indefinidas
e rituais de osmose.
são desprevenidas como o sol dos lagartos
que despega rastos de pele e enxúndias
que os silêncios escutam.
é então
que exercitamos os exorcismos:

que nenhuma lei corrija a emoção:
a subversiva liberdade da noite afaga as flores:
no espelho das calmarias há um nenúfar cujas raízes
se afogam
no sangue das divagações.
a pituitária é um diafragma
para o mosto das tentações
onde o sexto sentido das alvíssaras
deixa correr o marfim.

o branco amianto refuga a luz
e os olhos desenham a montanha
que tortura o mar.
é então que a morte adormece o canto heróico
: a liberdade é a vida.

Nuno Rebocho -
Portugal
em Cidade Velha - Cabo Verde

 

 
 

Odir Milanez (oklima)

 

INCERTEZAS
Odir Milanez (oklima)


Peço escusas, pecado, ao meu quebranto.
Hoje é dia das minhas incertezas.
O dia de ser puro, de ser santo,
de fazer de um farol velas acesas.

Hoje é dia de preces pelo pranto,
pelo tanto de trevas das tristezas,
de desnudar o amor de todo o encanto,
de fenecer das flores as belezas.

É dia de sentir pena de mim,
dos passos perspassados que perdi
nos caminhos confusos de onde vim.

É meu dia de ver o que não vi,
do começo do tempo de ser fim,
é dia de lembrar que me esqueci.

***

Sou somente um escriba que escuta a voz do vento
e versa versos de amor...

Odir Milanez da Cunha (oklima)
JPessoa - PB - Brasil

 

 
 

Odone Antônio Silveira Neves

 

VIM DE LONGE
Odone Antônio Silveira Neves


Vim de longe, muito longe,
Onde aprendi uma canção
Repetindo minhas estrofes
Em rimas, versos, refrões
Não importa onde eu esteja
Vivo poesia, emoção
Envolvendo os amigos
No aconchego do coração.

Odone Antônio Silveira Neves
Porto Alegre - RS - Brasil

 

 
 

Ógui Lourenço Mauri

 

PINTURA ÍNTIMA
Ógui Lourenço Mauri


Teus predicados ocultos são tantos,
Tens, com eles, as bênçãos de Jesus.
Atenta que os picos de teus encantos,
Vistos por Deus, não são vistos à luz.

Destarte, faz teu coração magnânimo
Comandar, desde dentro de teu peito,
A prática do bem com todo o ânimo;
Sem alarde, sem vangloriar o feito.

Faz sempre prevalecer a moral
Frente ao foco material desprezível.
É o bem tomando o lugar do mal,
É o imortal se impondo ao perecível.

Fortalece-te mais interiormente,
Pondo à frente de tudo o coração.
Para os necessitados, sê presente;
Estende a mão amiga a teu irmão.

A beleza física não perdura.
Ela escapa do progresso moral.
Daí, a busca por outra pintura;
Pintura íntima, espiritual.

Ógui Lourenço Mauri
Catanduva -SP - Brasil

 

 

 

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