FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Anderson Braga Horta

 

ELEGIA DE VARNA
Anderson Braga Horta


Sinto que algo ficou irrealizado em mim.
Nota que vibraria o meu ser íntegro como um sino
e que não se feriu.
Adivinho-lhe a corda oxidando-me o peito.
Tocá-la tornaria os veios de ferrugem
nos rios mágicos do êxtase
e então eu seria eu
e não esta véspera encolhida,
este quase a medo murmurado,
este querer que se tolhe ante a areia dourada,
este silêncio náufrago,
esta solidão esmagada de estrelas.
E então eu seria eu
e tu, e sim, e além.
Não seria este não que sequer se profere
e que sobre o Mar Negro, hoje branco de fúria,
fita, desesperado, a gaivota que ousa
solitária
o mergulho.
Sinto que algo deixou de realizar-se em mim,
e esta falta grita e queima e consome.
Sigo nau incompleta, vento coxo, canto
falhado
e despedaço as asas poderosas
no abjeto cais das ânsias.
Sinto que algo ficou irrealizado em mim,
e esta página branca invade o meu ser.

Anderson Braga Horta
Brasília - DF - Brasil

 

 
 

André Anlub

 

DOS DESVELOS
André Anlub


– A vida é muito curta para entre uma rotina e outra ficarmos preocupados com hábitos rotineiros. –
Abrasador ao íntimo, sem dor, toca e preenche e compreende ao completo.
Na mais alta altitude que o anseio ressoa, e é tênue e desconcertante.

Toda uma terra estremece em todo o corpo que balança
E merece o céu no sol e a luz da lua na luz do tato e do tudo.
Namoro e sinto e choro e aprovo e comprovo o sopro e aguardo e você.
Mas é mais mar que observo e sou servo ao todo... e amo.

Vem, vem como variante, pé e pé, paz e paixão, marcando no solo – selo;
Como ao chão e ao sentimento é um sucinto sinal sagrado, afetuoso,
Pois não censura, nem corta nem cura, o soco solitário do colosso:
O banho ao calor em chamas, supina alma à sua presença... e amo.

Solos secos castigados, que fenderam em frangalhos de raios antigos...
Ficam no aguardo das águas em rios em milagres em lágrimas em circo em cio...
E vieram e vigeram e ficaram e fincaram... e amo.

Crato - Ceará - Brasil
http://poeteideser.blogspot.com.br/

 

 
 

Anna Paes

 

NAUFRÁGIO
Anna Paes


Foram-se os dias de ternura!
Ficaram algumas mágoas
Eu nem sei mais quantas delas.
Enquanto se vai perdoando
Nunca se esquece, só se perdoa
O tempo se encarrega do esquecimento
E, derepente nos pegamos a deriva
Num solitário naufragio.

Anna Paes
Brasilia - DF - BrasilAnna Paes

 

 
 

António Barroso (Tiago)

 

SEARA ONDULANTE
António Barroso (Tiago)


Numa tarde alentejana, o homem sente
Que há vida em cada planta que se pisa,
Que há poemas trazidos pela brisa
Quando ondula a seara, ao sol poente.

Se, na alma, a amenidade está presente,
Logo se solta a vista na pesquisa
Da papoila que, perto, se divisa
E que se encosta à espiga reluzente.

E aquela imensidão, de azul coberta,
Abre-se, para a vida, como oferta,
Do pão que se prolonga na lonjura,

E há mãos erguidas, de agradecimentos,
Em conjunto com outros sentimentos
Nascidos na calidez da planura.

António Barroso (Tiago)
Parede - Portugal

 

 
 

António Cabral Filho

 

MULHER
António Cabral Filho


Inúteis mitologias
e todos os preconceitos
que tolhem sua deidade,

toda insanidade rui
à sua tenacidade

e sob o fulgor da sua luz
ei-la sobre o pódio das vitórias,

deusa de toda a paz,
rainha do nosso amor,

incomensurável sempre,
farta no seu calor,

dona do nosso ser,
mulher, naqueles dias, cuidado...

António Cabral Filho
Rio de Janeiro - Rj - Brasil
letrastaquarenses@yahoo.com.br

 

 

 

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