FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Terezinha Rossarolla

 

GALHOS SECOS
Terezinha Rossarolla


Os galhos secos das árvores
Permitem que meu ser vazio
Divague profundamente
No sabor de cada folha caída.
Lamente por cada gota da essência
Desperdiçada nas entranhas da vida.
Por cada substância dela extraída
E não aproveitada pelo meu ser.
Os galhos secos das árvores
Caídos num canto qualquer
De uma alameda solitária,
Revela a tempestade do dia anterior,
A fúria dos ventos entoando sua melodia.
O pé descalça entre canteiros de rosetas
Misturando-se entre as carniças de entulhos
Que o homem sem Deus divide com seu irmão...

Terezinha Rossarolla
Criciúma - SC - Brasil

 

 
 

Thais Barrouin Mello

 

ENTARDECER NO SOLAR
Thais Barrouin Mello


Andando, escorreguei no frio.
As unhas encolheram.
Foram-se as garras e o som.
O branco invade a terra,
O cinza invade o céu.
Pardais recolhem-se,
Ursos hibernam,
A terra aconchega os vermes,
A lua chega
Para aconchegar as plantas.

Ando sem crer,
Penso sem saber,
Luto sem querer,
Gero ideias – justifico.

Visto pétalas,
Pego o áspero,
Choro música,
Vomito lama,
Abrigo o tempo,
Sugo néctar,
Roubo ironia.
Canto o que há em melodia...

Raspo o áspero,
Sinto-me resina,
Bebo seiva,
Recolho amostras.
São ervas boas – curandeiras.

Trago fraco,
Vivo parco,
Vejo, cheiro,
Penso, calo,
Desligo,

E grito no solar que entardece...

Thais Barrouin Mello
Rio de Janeiro - Rj - Brasil

 

 
 

Tiago Klein Maciel

 

SOU...
Tiago Klein Maciel


Não
irei
deixar-me
envenenar

Por
ações
corruptas
levianas

Tão
pouco
desleais
hipócritas.

Sou
justo
sensato
responsável.

NOITE
Tiago Klein Maciel
Oh!...
Neste momento, à minha frente,
vejo folhas caírem mortas;
noite virar dia;
dor virar amor;
vida transformar-se em morte.
Por que de tantas mudanças?

Tiago Klein Maciel
Porto Alegre - RS - Brasil

 

 
 

Tito Olívio

 

VOO DE ILUSÃO
Tito Olívio


Por vezes, fico aqui, a alma voando,
Em busca desse pouco que não tenho.
Se o corpo me comicha, vou coçando,
Mas se é dentro da alma, só me arranho.
Nem o vento me pára na corrida,
Nem há sol que me aqueça e desanime.
Meu voo é alto e sempre na subida,
A sombra dos pecados me redime.

O corpo fica aqui e a alma voa,
Os sonhos vão passando e vão morrendo.
É triste andar assim, cabeça à toa,
E tudo à minha roda fenecendo.
Caiu por sobre nós a maldição,
De cima posso ver o fim de tudo,
Quero lançar aviso à salvação,
Mas gritar não consigo e fico mudo.

Tito Olívio
Faro - Portugal

 

 
 

Tristão Alencar Pereira Oleiro

 

(TRANS)MUTAÇÕES
(Natureza em paz)
Tristão Alencar Pereira Oleiro


Grinalda de brancas flores
Profunda leveza.
Véu debruçado sobre a mata,
Relaxante murmúrio das águas,
Quadro emoldurado, natureza.
Cachoeira, papagaios, araras
Perfume adocicado no ar
Cantigas, pássaros, fanfarras
Pianos, flautas e violinos
Mistura (sobre)natural
Orquestra executando hinos
Alegria plena, informal.

Mancha negra, terra escurece
Ambiente, reflexo humano.
Pássaro, flauta, tudo emudece
Severa paisagem encerra
Retratos da morte
Sem reserva futura
Mal tratada terra padece
Desfalecida criatura.

Poluídas águas
Florestas devastadas
Chora natureza desolada
Lágrimas de chuva ácida
Nuvens de carbono
Cachoeiras plastificadas
Aves engaioladas
Paraíso transformado
Imagem infernal.

Como viver em paz?
Terra transformada jaz,
Desesperanças...

Grinaldas ornadas retornam
Flores brancas iluminam
Véus cobrindo matas
Cachoeiras cristalinas
Araras, cantigas, hinos
Orquestras e fanfarras
Anunciando regresso a vida
Pássaros em revoada
Comemorando a liberdade
Ressurreição da natureza
Alegria a terra volta
Paisagem límpida,
Real beleza.

Destruição ficou pra trás
Natureza vivendo em paz

Tristão Alencar Pereira Oleiro
Pelotas - RS - Brasil

 

 

 

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