FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Arlete de Andrade

 

CONTRADIÇÃO, SEU NOME É MULHER
Arlete de Andrade


ser mulher é nascer armada de luta,
é ser santa e ser puta, na medida exata
da paixão.
é nascer predestinada
à amar incondicionalmente,
aos filhos de seu ventre,
e àqueles do coração.
é ser muitas, na mesma pessoa;
é chorar e rir á-toa,
sem saber qual a razão.
ser mulher é chorar sangue,
quando o ventre está vazio;
é viver a vida num fio,
numa eterna doação.
ser mulher é ter a fragilidade
de um passarinho, guardando
o amor de seu ninho, com a força de um leão.
ser mulher é contradição;
na propria palavra escrita.
é essa sanha bendita,
agridoce coração!

Arlete de Andrade
Rio de Janeiro - Brasil

 

 
 

Armindo Loureiro

 

SONHO CONTIGO...
Armindo Loureiro


Sonhei um dia
Com total alegria
Num sonho de amor
Era um dia quem diria
Onde vivia a alegria
E também algum humor

Hoje, pensando bem
Nesse dia com alguém
Eu vi ou então sonhei
Que era assim a realidade
Da virtude não havia saudade
Por aquilo que eu amei

Mergulhei no teu perfume
E tu sem qualquer azedume
Me deste um beijo a saber a sal
Era o mar com suas ondas
Sobre as areias que tu mondas
Nesse ar tão tropical

Voaste assim para mim
Minha flor ó meu jasmim
E eu logo te abracei
Dei-te beijos e abraços
Tapei-te alguns espaços
Da única forma que eu sei

Um autêntico devaneio
Que eu vivi com anseio
Por em ti estar a sonhar
Hoje, pensando em tudo
Tenho dias que fico mudo
Por apenas te querer amar

Armindo Loureiro
Marco de Canaveses - Porto - Portugal

 

 
 

Ary Franco

 

CARTAS RASGADAS
Ary Franco (O Poeta Descalço)


Virou amor o que era afinidade
Foi bom enquanto durou
Relembrei minha mocidade
Mas o sonho terminou

Voltei à comedida realidade
À trilha certa que devo seguir
Preservando minha fidelidade
Insensato seria eu prosseguir

Sinto bastante o coração doer
Decisão difícil foi tomada
Embora continue eu a sofrer
Magoando uma pessoa amada

Depois do meu derradeiro adeus
Várias cartas me foram enviadas
Sem saber dos escritos teus
Nenhuma foi lida, todas rasgadas

Tive receio do que irias escrever
Jamais resisti às razões de uma mulher
Tive que terminar, nada mais a fazer
De minha parte, sem outra razão sequer.

Não arriscaria minha vida conjugal
Por um desvairado amor unilateral
Meu futuro estaria bastante incerto
Mas torço que tudo pr’a ti dê certo

Ary Franco (O Poeta Descalço)
Rio de Janeiro - Brasil

 

 
 

Augusto Tchudá

 

FASCÍNIO
Augusto Tchudá


Ao calor dos nossos peitos apertados
Vem azáfama e o encanto de amar
É nesta tenebrosa cama
Vou-te mostrar como se ama.

Quando chocar as nossas línguas
E eu adormecido sobre o ferimento dos seus seios
Consentido no tintin do teu coração amante
A vida ficará sem alma que ama.

Serei de vez o teu prazer
Jamais sabeis o meu número de calçados
Salvo se me comprar um par de calçados.

Serei de vez a tua luz
Serei a água da tua sede
E tu ficarás de vez morada na minha sede
Construída para atender os teus ensejos.

Tu serás a mãe dos meus menores
Eu serei leitor dos teus pormenores
Serás a proa da minha piroga
Eu serei o piloto dos teus destinos.

Ao ritmo dos teus passos
Vou dançando o ritual da tua magia
Nos versos dos meus cantos
Vai brincando ao alvorecer
Que nada vai com o amanhecer.

Tudo ficará até a última gota da vida
Vista no brilho de sol e lua sorridentes
No rescaldo das estrelas escaldantes
Testemunhas do nosso belo horizonte.

Augusto Tchudá, membro do MUC, Coordenador Internacional Adjunto para África do Departamento de Literaturas
Bissau - Guiné

 

 
 

Aurea Abensur

 

NA DANÇA
Aurea Abensur (Orinho)


meus pés sem asas
pela vida afora dançaram
querendo fazer do meu palco
um suave e pequeno paraíso.
por vezes nos ensaios
tropeçava, me machucava, caia,
mas de pé, firme como uma rocha
à dança da vida eu voltava.
parecia por uns tempos
que a música do ar a tudo serenava
ai eu dançava, dançava e sorria
feito criança inocente
pois o céu pra mim se abria
noutras idas ele ficava indançável
ai eu chorava, chorava, mas... voltava
pois sempre soube que um dia
até este céu eu chegaria
e lá por fim faria meu eterno paraíso

Aurea Abensur (Orinho)
Salvador - Brasil

 

 

 

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