FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Augusta Schimidt

 

FUNDO DE MUNDO
Augusta Schimidt


A natureza é perfeita! Quando aqui é verão, lá é inverno, quando lá é primavera aqui é outono e de repente tudo se inverte.
É assim que o mundo fica com fundos para todos os gostos.
E quando um poeta escreve, ele pode escolher um fundo de mundo que melhor realça seus versos.
O mundo é cheio de vida, por isso às vezes, no fundo dele aparecem pedaços...
“Uns transparentes, outros mais opacos” (*JM).
Quando entramos no pedaço transparente, nosso coração que é a caixinha de musica do pensamento toca a sinfonia do tempo, passado, presente, e futuro.
Quem entra no pedaço opaco, não entende de sinfonia e nem de poesia, porque não ouve, não sente, não vê.
A vida é uma arte e nos cabe a transparência para construir a casa da nobreza feita de grandeza.
Às vezes, no fundo do mundo também encontramos pedras. As que vemos no espaço transparente são moldadas pelo vento, esculturas naturais, lindas e únicas e nunca serão iguais. E quando a chuva dá o ar da graça cria sulcos, transformando as esculturas em gotas de cristal.
Mas as pedras do espaço opaco, sequer permitem que as estações lhe criem marcas. São estáticas, imutáveis.
Mas isso pode mudar... É só deixar que o segredo da vida sonhe neste lugar. E quando isto acontecer, as pedras se tornarão um marco, ponto de referencia dos que chegam e dos que partem e estes terão vontade de voltar.

Augusta Schimidt
Campinas - SP - Brasil
www.coletaneadosaber.net

 

 
 

Benedita Azevedo

 

MULHER - MÃE, OS OLHOS FÍSICOS DE DEUS
Benedita Azevedo


A mulher, nasce em um lar pobre ou rico, com festas, sorrisos ou, com lágrimas e lamentos. Mas, todas com a missão divina de ser a mãe da humanidade. A sorte está lançada: se dará amor e será amada. Se protegida, no lar rico ou pobre, será feliz e ao mundo ofertará a sua missão de amor na povoação da terra e educação dos povos. Essa missão a tornará alvo de assédios de toda ordem. Há países que as transformam em objetos do uso masculino como seres inferiores. Só a base educativa na família, na comunidade, no Estado, no país, a protegerá para atingir seus objetivos: ser filha, esposa, mãe, avó, profissional e muito feliz.
A filha protegida desde o berço com amor, compreensão e o carinho da família aprenderá a valorizar cada passo dado, em casa, na escola, na sociedade. O exemplo dos pais é o primeiro modelo a seguir. Infelizmente, sabemos que nem todos são bons.
A esposa, independente dos exemplos que teve terá de criar sua própria família e, por isso, deve se preparar para assumir esta missão. É muito importante sua profissionalização, para ser independente, ainda que encontre um companheiro com os mesmos valores e objetivos.
A mãe deve estar preparada para escolher sempre a atitude de proteção dos filhos em qualquer circunstância, não deixando que se percam no vácuo da ausência de orientação, apoio e segurança familiar. Em certos momentos, as mães são os olhos físicos de Deus na vida dos filhos e precisam apoiar, mas também repreendê-los quando necessário. A mãe profissional que precisa trabalhar para o equilíbrio financeiro da família, ou mesmo que seja a única fonte de renda, deve harmonizar suas atitudes no trabalho e na família.
A avó é a extensão de todas as mulheres, filhas, esposas e mães com a soma da experiência familiar e profissional.
Parabéns a todas as mulheres pela sublime missão de amor que tem, em todos os dias de sua vida!

Benedita Azevedo
Praia do Anil, Magé, RJ
www.beneditaazevfedo.com

 

 
 

Carlos Lúcio Gontijo

 

QUANDO DUENDES E FADAS SÃO NECESSÁRIOS À VIDA
Carlos Lúcio Gontijo


Há quem defenda a ideia de que não é preciso acreditar em Deus, basta admirar a natureza à nossa volta. O mesmo se dá em relação aos jardins, nos quais o que conta, segundo o materialismo extremado, é apenas a beleza das flores, dispensando-se a imaginação de que ali possam morar fadas e duendes. Ou seja, há muitos discursos em favor do endurecimento da sensibilidade, da alma e do espírito que ornamentam a razão e o corpo humano.
No arcabouço desse prisma está a fragilização galopante da literatura, com a qual estou editorialmente metido desde 1977, quando lancei meus primeiros livros, que àquela época encontravam muito mais facilidade de comercialização. Podia-se, por exemplo, sair ruas afora apertando campainhas e oferecendo exemplares às pessoas, mas hoje tal procedimento em nada resultaria, pois a violência combinada com o desinteresse pelo produto impresso cuida de manter as portas fechadas.
Se editar um livro é difícil e caro, muito mais problemática é a sua comercialização. Outro dia mesmo assisti a um jovem autor tentando vender seu livro no parque municipal de Belo Horizonte, numa ensolarada manhã de domingo. Portava ele uma enorme mochila às costas, com a qual desfilava diante da indiferença das pessoas, enquanto eu mentalmente retornava ao início de minha carreira literária, o que me conduziu à plena certeza de que, sem algum sonho, alguma crença em forças superiores, alguma possibilidade de apoio de fadas e duendes, aquele jovem jamais encontraria o necessário combustível para sua jornada cultural solitária.
Ainda naquele domingo, um amigo ganhou da tia, como presente de aniversário, um livro. Pois bem, assim que a senhora saiu, a família pôs na mesa de discussão a indagação sobre se livro poderia ser considerado presente, mesmo com o aniversariante se mostrando contente com a obra literária que tinha às mãos. Não entrei na discussão, lembrando-me de recomendação da minha avó Venina Gomes, que foi professora e costumava dizer que não existe nada mais atrevido que a ignorância. E cá para nós, o momento era de festa e qualquer contestação poderia provocar descabida conturbação do ambiente, que tinha naquele instante de desordem intelectual o seu princípio de ordem e progresso.
Pouco mais tarde, questões de alguns dias, uma menina de oito anos recebeu do padrinho maravilhosa coleção de livros infantis, que veio em embrulho benfeito. Em volta de uma mesa, os convidados para o aniversário da menina acompanhavam a menina no ato ofegante de desembrulhar. Contudo, quando a garota viu que se tratava de livros, desceu uma “carranca” de explícita insatisfação. Surpreso e sem graça, só restou ao padrinho prometer outro presente, como forma de consolar a afilhada.
É de 38 anos o tempo que passou desde o lançamento de meu primeiro livro, hoje já somam 17 e, apesar de todos os atropelos e pedras no caminho, não tenho mais como parar e, além do dever de trabalhar e disseminar o dom da palavra escrita com que nasci, eu conto com a proteção do Criador e com a pueril certeza de que duendes e fadas povoam os jardins de palavras semeadas nas páginas dos livros à espera de ser fertilizadas pelos olhos de algum leitor ainda não contaminado pelo culto exacerbado à imagem e à indústria de eventos e lazer, onde cultura não entra nem como simples detalhe, apesar de ela estar para o conhecimento e a sensibilização da razão humana como o gol para o futebol.

Carlos Lúcio Gontijo
Santo Antônio do Monte/MG
Poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br

 

 

 

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