FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Carlos Trigueiro

 

MÃOS
Por Carlos Trigueiro


De antemão, o significado zoológico de “Mãos”, segundo o velho “Novo Dicionário Aurélio Século XXI”: Cada uma das extremidades dos membros superiores dos quadrúmanos e anteriores dos quadrúpedes. Assim como outros significantes que denominam partes do corpo humano, “Mão” junto a termos específicos molda incontáveis expressões idiomáticas já autoexplicativas. Portanto, o leitor entenderá, em primeira “Mão”, variada gama de tais significados sem necessidade de orações intercaladas, notas esclarecedoras entre parênteses ou no rodapé.
E já com a “Mão na massa”, lembro que os paleontólogos dizem que a preponderância do homem sobre os demais seres vivos, começou com a invenção e o uso de ferramentas. E, claro, a ferramenta “Mão” não foi preciso inventar. “Mão” afagava o bebê pré-histórico, cavava buracos em busca de água e alimentos, escalava árvores, esmurrava inimigos, desenhava em cavernas, enterrava os mortos, colhia frutos, fazia armas rudimentares, enfim, desde os primórdios o homem não “abriu Mão” dessa, digamos, ferramenta corporal.
Nos nossos tempos, qualquer estudante de Anatomia sabe que as nossas “Mãos” são simétricas, dividem-se em carpo, metacarpo e dedos e por onde passam os importantes nervos radial, mediano e ulnar. Não sendo especialista em Medicina, não vou “meter a Mão em cumbuca”, porém o amigo leitor também não pode terminar de ler esta crônica e ficar “com as Mãos abanando” ou, na base do populacho, “com uma das Mãos na frente e a outra atrás”.
Abrindo “Mão” das idiossincrasias de cronista, e para matar curiosidades sobre outros trânsitos idiomáticos, não pego o rumo na “contramão”. Ao contrário, “sigo a Mão” do pensamento. Vejam este exemplo “na palma da Mão”: um operário, pintor de paredes, só merece “aperto de Mão” quando encerradas a “segunda ou terceira de Mão” do serviço contratado. Claro que o contratante não vai “sair na Mão” se o pintor ficar só na “primeira de Mão”, pois seria mais prudente pedir ao operário voltar as “Mãos à obra”. E para o exemplo não “cuspir na Mão” do que foi afirmado, se tudo ficar acertado entre as partes, aí sim, o contratante da obra poderá “botar a Mão no bolso”, mesmo sendo “Mão-de-vaca” e pagar o serviço sem ser “de Mão-beijada”.
Dos pontos de vista histórico, religioso, artístico ou mesmo antropológico, as “Mãos” sempre expressaram valiosos significados em muitas culturas através dos tempos: “Mãos que curam doentes”, “Mãos que protegem do Mal”, “Mãos que abençoam”, “Mãos que realizam milagres”, “Mãos que retratam paisagens, figuras, imagens em telas, monumentos, painéis”, “Mãos que liberam sons maviosos em instrumentos musicais”. E para não dar a “Mão à palmatória” prosseguiremos “na Mão” em que vínhamos trilhando.
Nas culturas orientais, por exemplo, encontramos inúmeras acepções para as “Mãos”. Na linguagem japonesa o “Karatê” significa “Mãos vazias”, ou seja, arte ou luta em que as ”Mãos” não se valem de armas, instrumentos, ferramentas etc. Na cultura e medicina chinesas há um vasto e milenar conhecimento sobre os “pontos das Mãos” distribuídos por dedos e palmas e que, se estimulados ou pressionados, podem curar ou amenizar este ou aquele mal do corpo. Mas tal assunto excede o espaço da crônica porque “enfia a Mão” no terreno da acupuntura –– gama de conhecimentos que abrange verdadeiro tratado. A milenar cultura indiana, “de outra Mão”, desenvolveu e espraiou mundo afora (desde os antigos romanos aos povos ciganos), a arte da “quiromancia”, ou o conhecimento do destino e da vida de uma pessoa através das linhas e sinais de suas próprias “Mãos”. Até hoje, o curioso que se dispuser a “abrir a Mão”, literalmente, para uma cigana ler o que dizem as “linhas das palmas da sua Mão”, basta querer e pagar pela interpretação daqueles sinais.
As “Mãos” também são indispensáveis e influentes na “linguagem dos sinais” tanto na comunicação entre deficientes auditivos quanto entre surdos e ouvintes. Claro que a “linguagem dos sinais” não é universal, pois varia de lugar para lugar, retratando cultura e regionalismos onde praticados.
Para não “estender a Mão”, nesse chove e não molha, citamos algumas expressões consagradas que dispensam explicações, e como diz a galera, tipo: “pediu a Mão da moça em casamento”; “quantas Mãos perfazem um jogo de biriba?”; “disputar espaço no ar com cafifa, pipa, arraia ou papagaio só tem graça se a linha que os empina levar uma boa ‘Mão de cerol’”; “ditadura que se preza tem de governar (Ops!) com ‘Mão de ferro’”.
Podemos escolher “A mão e a luva”, romance de Machado de Assis, e a peça teatral “As mãos de Eurídice”, de Pedro Bloch, para homenagear neste texto sobre “Mãos”, expoentes literários nacionais. Já no campo esportivo todo mundo vai se lembrar do Oscar Schmitt, até hoje talvez o mais famoso jogador brasileiro de basquete, apelidado de “Mão Santa” pela precisão com que encestava a bola. ¬¬
Para não encerrar o texto parecendo desconectado com a realidade nacional, temos ouvido que a atual “Operação Lava Jato” se inspirou na operação do governo e justiça italianos, nomeada “Mãos Limpas”, dos anos 1990, que rompeu gigantesca rede de corrupção envolvendo políticos, partidos, clero, empresários, banqueiros e, claro, a insidiosa máfia. De outra “Mão”, e como não nos cabe amealhar fatos além do propósito cultural do texto sobre “Mãos”, convém imitar o gesto milenar do governador romano na Judéia, Pôncio Pilatos, que, aparentemente, se absteve de julgar Jesus Cristo, e preferiu “lavar as Mãos” –– simbologia e expressão que chegaram aos nossos dias pelas “Mãos sagradas” dos historiadores e escribas.

Carlos Trigueiro
Rio de Janeiro - Brasil
www.carlostrigueiro.com

 

 
 

Carmen Lúcia Hussein

 

ENSINO DE LEITURA CRIATIVA E REDAÇÃO DE POESIA PARA ESCOLARES
Carmen Lúcia Hussein


I) Introdução


A leitura criativa é aquela que vai além do texto, propondo base de relações com outros textos e com a vida do próprio leitor, bem como soluções e proposições diversas, quer em apoio ao autor, quer dele se diferenciando em nível de oposição, porém mantendo o nível de adequação da resposta. As características da criatividade usadas na análise das respostas dos leitores foram: fluência, flexibilidade e originalidade. (Hussein, 2008).
Bampi (1995) afirma que “a leitura e a redação criativa envolvem uma tentativa deliberada do leitor de ir além da informação, uma procura de novas ideias e um tratamento produtivo destas. Ela conclui que os alunos criativos usam mais o significado do pensamento divergente do que o convergente. Este último envolve o uso de leitura e redação criativa para obter significados dos fatos e sua correção, enquanto que a produção divergente implica em algumas possíveis respostas - em que não existe resposta correta - e seus critérios de medidas são: originalidade, novidade e imaginação das respostas dadas ao texto e à escrita.”
Encontrou-se o predomínio dos temas de leitura seguida de escrita criativa mais do que temas sobre a leitura criativa, num levantamento bibliográfico no PsichInfo (2002/2009) realizado por Hussein (2014). O que justifica essa tendência encontrada é a conclusão de Labuda (1985) ao afirmar que “a leitura criativa e a escrita criativa podem não ser habilidades separadas”. Este mesmo autor conclui que “em alguns programas inovadores, a escrita criativa é apresentada como correlacionada à leitura criativa”. Assim, Groeben (2001) considera que “a leitura produz estímulos para a criação e que a escrita criativa é produção subsequente”. Este quadro evidencia a necessidade de maior esclarecimento dessas habilidades.
O ensino de redação criativa de poesia é uma habilidade mais específica da redação criativa, que segue em seu ensino os mesmos princípios orientadores da redação criativa. Será feito, a seguir, considerações a respeito destas pautas gerais de ensino.


II) Estratégias de ensino de leitura e escrita criativa


Alguns critérios foram propostos por autores para o ensino de redação criativa para escolares. Seguem abaixo algumas pautas gerais que orientam este estudo.
Sugestões são dadas por Condermarin e Chadwick (1987) que “recomendam critérios para serem usados no ensino de redação criativa para escolares: 1)Enfatizar o produto e não o processo; 2) Criar uma atmosfera em que as crianças sintam-se livres para expressar-se abertamente.3) Os seus esforços devem ser aprovados; 4) é importante manter uma atitude positiva em relação ao trabalho dos alunos;5)Permitir e incentivar que as crianças compartilhem seus escritos com outros companheiros;6)Cada expressão escrita é individual. Não esperar que elas utilizem o mesmo estilo;7)Apresentar tópicos abertos para dar aos alunos a liberdade necessária para criar;8)Dar uma variedade de atividades de escrita para estimular a imaginação e a criatividade;9)Praticar a escrita e comunicar-se com frequência com os colegas;10)E também que os escolares fiquem motivados para escrever através da participação como autores e escritores”.
O uso de algumas estratégias de ensino de redação criativa foi proposto. Torrance e Salfter (1990) defendem “o uso delas em três momentos: o antes, o durante e o depois de qualquer tarefa descrita no ensino de leitura e redação criativa: 1) Estágio 1 – Deve-se aumentar a antecipação e expectativa, no sentido de preparação para a aprendizagem, criando-se o desejo de aprender e aumentando a curiosidade dos alunos;2) Estágio 2 – Aprofundar as expectativas e o conhecimento, aumentando a preocupação com o problema;3) Estágio 3 – Para que ocorra e continue ocorrendo o pensamento criativo, devem ser oferecidas amplas oportunidades para que as informações não sejam absolutas, fechadas, mas que sejam divergentes e apresentem várias possibilidades.”
O ensino de redação criativa de poesia é uma habilidade mais específica da redação criativa que segue em seu ensino os mesmos princípios orientadores da redação criativa. Serão feitas a seguir considerações a respeito da poesia e seu ensino.


III) Ensino de redação criativa em poesia para escolares


A poetisa Cecília Meireles escreve no prefácio do livro de Rilke (1984): “as propostas deste autor vão mais longe: tratam da formação humana, base de toda criação artística”. Assim, acrescenta-se que para formar o poeta, a educação dada pelos pais e as escolas deveriam levar a criança e o jovem a apreciar o belo e a poesia no cotidiano. Além disso, o jovem poeta deveria cultivar a apreciação do belo, da harmonia, do simples e do profundo na existência, para expressá-los nos seus poemas”.
A poesia é uma modalidade da escrita criativa, que é “resultado de fantasia, habilidade esta que pode ser estimulada com propostas aplicadas à escrita”. “Ela é um dos melhores meios para estimular os processos de pensamento, imaginação e divergência”. Ao ensinar “a escrita criativa, os professores devem levar em conta certas pautas gerais para ajudar as crianças no desenvolvimento de redação criativa”. (Condemarin & Chadwick, 1987).
Os critérios apontados no ensino de redação criativa podem ser usados para o incentivo de expressão poética. Assim, Bragotto (1994) usou numa fase inicial as estratégias da redação criativa seguida por uma fase posterior de ensino de redação de poesia para a expressão poética. Evidenciou-se que o uso destas estratégias no início facilitou a expressão poética.
O uso da poesia para o ensino da poesia foi enfatizado por Bragotto (1994), que afirma que “o uso dela leva à inspiração de respostas poéticas”. Ela afirma que “o uso de poesia é uma forma de iniciar o ensino de redação criativa, que toca nos sentimentos, gerando ideia que podem ser expressas na escrita de poemas”. Essa autora realizou um trabalho aplicando um programa de ensino de poesia para 30 adolescentes de escola pública e deu orientação a 2 professores de português. Encontrou que houve aumento das características criativas da personalidade, da motivação, da atitude positiva e da expressão poética nos alunos do grupo experimental em relação ao grupo de controle. Em relação à qualidade poética, porém, não foi observada modificação significante para ambos os grupos. Os dados sugerem que o programa de ensino de poesia incentivou mais a forma e que não houve melhoria na qualidade poética na escrita de poemas. Ainda se necessitaria de programas de ensino mais longos para esclarecer os dados do estudo acima. Sugere-se também a questão se é possível ensinar a poesia. E se é possível ensinar a beleza, a harmonia, a simplicidade, a delicadeza e as questões mais profundas da vida? E se é possível elaborar o ensino dessas habilidades? No entanto, mais estudos posteriores sobre esta questão são necessários.
Finalmente, elaborar considerações sobre esta área é uma tarefa difícil e complexa. Encontrou-se, porém, a carência de pesquisas sobre o ensino de poesia, o que evidencia que se precisa de trabalhos posteriores sobre o tema, elaborados por aqueles que gostam da literatura e a apreciam..
Referências Bibliográficas
Bampi, M. L. Furlin (1995). Efeitos de um Programa para desenvolvimento da criatividade na escrita. Dissertação apresentada no Instituto de Psicologia da PUCCAMP para a obtenção do título de Mestre.
Bragotto, D. (1984). Programa Experimental para o Desenvolvimento da Expressão Poética em Adolescentes. Dissertação apresentada no I.P. da PUC para a obtenção do título de Mestre.
Condemarin, M., & Chadwick, M. (1987). A escrita Criativa e Formal. Porto Alegre: Artes Médicas.
Hussein, C. L. (2008). Leitura Crítica e Leitura Criativa: Ensino e Aprendizagem. Rio de Janeiro: CBJE.
Labuda, M. (1985). Creative Reading for gifted learners - a design for excellence. Delaware: International Reading Association.

Carmen Lucia Hussein
S. Paulo - Brasil
www.carmenluciahussein.com.br.
(Poeta e professora universitária de Psicologia. Está em 5 Academias no exterior e em várias nacionais Tem 80 Antologias e 19 livros de Poesias, sendo que alguns estão divulgados no exterior)

 

 
 

Christina Hernandes

 

INSPIRAÇÃO
Christina Hernandes


Às vezes penso que estou perdendo minha inspiração. Como escrever historia infantil, dizendo para os pequenos leitores sobre valores, ética, regras, confiança, limite, e tantos outros padrões que devemos seguir em sociedade para que todos possam usufruir os mesmos direitos e cumprir seus deveres.
Não sei como devo falar para a criança, como por exemplo, vamos respeitar seu amiguinho se ele não recebe essa mesma mensagem vinda daqueles que deveriam dar o melhor exemplo de bom cidadão, bom político, bom ser humano.
Será que sou tão ingênua que nunca pude entender ou enxergar que o ser humano nunca foi bom? Será que o ser humano foi feito para ser mau, impiedoso, competitivo até as ultimas conseqüências? Será ..
A humanidade está novamente repetindo sua historia, não foi capaz de mudar seu paradigma e escrever sua historia de maneira mais sublime, mais espiritual, mais na paz e na harmonia. Novamente estamos vendo, assistindo, adoecendo em pensar nas conseqüências dos atos por nós praticados, sem pensar nas conseqüências das nossas ações.
Novamente uma grande guerra se anuncia... Novamente um anti-Cristo surge, como previsto em muitas previsões de grandes homens, um deles Nostradamus, como não fomos capazes de mudar esse paradigma. Como não pudemos enxergar que tudo era verdade.
Penso que fechamos os olhos para nosso redor e passamos a viver somente olhando para nosso umbigo como se fossemos o centro de todo o universo e não simplesmente o centro do nosso ínfimo universo desprezível e insignificante individualmente, mas tão importante no ecossistema que deixamos de ouvir, escutar e ver.
Passamos a destruir tudo, inclusive nossos semelhantes de raça e nossos semelhantes de outras raças a flora, a fauna, as nascentes dos rios, o ar, o solo, enfim...Tudo absolutamente tudo.
Será... Quando os astronautas pousaram e andaram como um canguru na Lua, será que não encontraram ruínas do que poderia ter sido uma civilização? Quantos mistérios devem estar escondidos, para quê? Porque subestimam nossa inteligência? O que não poderá ser divulgado? Enfim é isso que estamos fazendo com o nosso Planeta Azul...
Diante disso, como manter a inspiração, trazendo as fadas, os gnomos, os monstros, as árvores que falam, os animais que falam, e todo um mundo da fantasia e dos sonhos? Como não parecer para todos que se é alienada, desconectada da cruel realidade que se desenha diariamente e impiedosamente no nosso dia a dia, do nosso cotidiano?
Minha inspiração, fonte da minha saúde mental, da minha esperança por um mundo melhor, da minha fé no olhar do outro e do meu olhar para o Divino, sem distinção de cor, raça,religião, gênero... Somos todos irmãos!

Christina Hernandes
São José dos Campos - Brasil

 

 

 

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