FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Faustino Vicente

 

VICENTINAS, EMPREENDEDORAS SOCIAS
Faustino Vicente


Com a fundação da Conferência N. S. do Desterro, em 1897, Jundiaí passou a contar com o trabalho voluntário dos integrantes da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). Sob a liderança do, hoje, Beato Antonio Frederico Ozanam (1813-1853), a SSVP foi fundada em 1833, em Paris. Trata-se de uma organização internacional administrada por católicos leigos, que tem como metas essências o contínuo aprimoramento espiritual e a pratica da caridade.
Conferência é a denominação que recebem os pequenos grupos de vicentinos, que se reúnem regularmente para operacionalizar as suas obrigações, inclusive as visitas domiciliares às famílias assistidas. Durante décadas a SSVP foi integrada apenas por homens, porém, há 48 anos, ocorreu uma sublime transformação.
Como vicentino, e Diretor de Hospital São Vicente de Paulo, tivemos a felicidade de participar da solenidade de um dos mais significativos eventos do Terceiro Setor, em nossa cidade. Nascia, no dia 02 de outubro de 1967, a primeira Conferência Feminina, que recebeu o nome de Santa Isabel, Rainha da Hungria. Hoje, são centenas vicentinas, que atuam brilhantemente no campo da responsabilidade social, em nossa cidade e nas demais cidades que abrangem o Conselho Central de Jundiaí.
A contribuição da mulher, no cotidiano das diversas atividades vicentinas, representou um gigantesco salto de qualidade no atendimento às famílias assistidas. Determinadas situações, que se referiam a individualidade da mulher, não tinham como ser abordadas pelos confrades. Levar a Palavra de Cristo, princípios de cidadania e todo tipo de colaboração, que possam levar as pessoas à promoção social, são alguns dos serviços de voluntariado que a SSVP presta em Jundiaí, ao longo de seus 118 anos.
Pelo intercâmbio de informações e experiências, que mantemos com a Conselho Geral Internacional da SSVP e com Conselhos Nacionais de vários países, podemos informar que o número de mulheres que têm galgado a Presidente dentro dessa organização é, hoje, uma feliz e eficaz realidade para o movimento mundial do Terceiro Setor.
Aproximadamente 700.000 membros, homens e mulheres, seguem os passos de São Vicente de Paulo do Beato Ozanam, em 143 países dos 05 continentes.
A SSVP, em Jundiaí, é pioneira em projetos de Responsabilidade Social.
Esta manifestação tem como objetivo homenagear, parabenizar e agradecer a Mulher Vicentina, pela exemplar lição de vida que ela nos deixa: não basta ficar indignado diante das injustiças sociais...é preciso agir.

Faustino Vicente
Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo - Brasil
Advogado, Professor e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos

 

 
 

Felipe Aquino, Prof.

 

O DIA DA MULHER E A SALVAÇÃO DO MUNDO
Felipe Aquino, Prof.


A mulher foi a última criatura que Deus colocou neste mundo, o ápice, o cume: bela e delicada, para ser meiga, carinhosa, mansa, gentil. Foi colocada ao lado do homem para quebrar a sua dureza, emprestar-lhe as lágrimas, dar-lhe um sorriso que ilumina e fazer com ele uma unidade perfeita e gerar o que nenhum cientista ou fabricante pode fazer: o filho, a imagem de Deus.
Ela é uma “ajuda adequada” dada a Adão, como diz o Gênesis (2,18). E Adão ficou muito feliz: “Agora sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne, vai se chamar mulher (isha, feminino de ish= homem, no hebraico). E Deus deu-lhes dois Mandamentos:
1.“crescei e multiplicai; enchei a Terra e dominai-a”;
2.“o homem deixa a casa de seus pais, se une à sua mulher e sereis uma só carne” (Gn 2, 24).
Estava assim estabelecido o Plano de Deus para a humanidade de todos os tempos.
Disse o papa Paulo VI que “se o homem tem o primado da razão, a mulher o tem do coração, do amor”. Madre Teresa de Calcutá disse um dia que “o mundo pode ser salvo pela vitória do amor”. Então eu concluo que o mundo pode ser salvo pela mulher, desde que seja fiel à sua identidade original dada por Deus. Dizem que o homem é a cabeça do casal, mas que a mulher é o pescoço, portanto gira a cabeça. A mulher pode levar o homem às alturas ou precipitá-lo nos abismos.
É justo e necessário que a mulher se desprenda de todas as amarras que a prendem, sufocam, escravizam e menosprezam: a prostituição, o uso de seu corpo de maneira escrava, o tráfico sexual de meninas e moças, etc. Em nosso Ocidente cristão, a mulher conquistou todos os direitos; temos mulheres presidentes de empresas, de países, de tudo o mais. Mas será que estão felizes e realizadas?
Na verdade, a mulher está em perigo e com ela a família e o mundo. Um movimento feminista desnorteado prega uma liberdade feminina que se nivela ao fracasso masculino: cópia dos seus vícios e desvalores. Antes não se via mulheres sendo presas, hoje a vemos a toda hora sendo jogadas nos camburões da polícia e escondendo os rostos das fotos.
O homem e o mundo precisam de uma mulher livre, sobretudo dos vícios e da imoralidade; daquela que defende a vida desde a concepção, daquela que se orgulha de ser mãe dedicada e esposa fiel, sem deixar de trabalhar fora de casa; daquela que “se enfeita e se embeleza para ser a mais bonita criação do nosso Pai”, como diz a música.
O mundo e o homem precisam de grandes mulheres, como as jovens Perpétua e Felicidade, que no século III preferiram morrer nas arenas de Cartago a apostatar da fé em Jesus Cristo. Como Helena, mãe do imperador romano Constantino que acabou com a perseguição aos cristãos em 313. Como a bárbara Clotilde, esposa de Clovis, reis dos francos, que levou seu esposo a Jesus Cristo. Como a jovem Joana D´Arc que deu a sua vida para cumprir uma missão profética que Deus lhe confiou, mesmo tendo que se consumir na fogueira de Rouen. Como Santa Teresinha do Menino Jesus, que soube gastar seus nove anos de juventude no amor à Igreja dentro do mosteiro de Lisieux. Como Teresa de Ávila, “filha da Igreja”, que gastou sua vida para reformar o Carmelo feminino no século de Lutero. Como a freirinha analfabeta e santa, Catarina de Sena, que saiu de Sena e foi a França, em Avignon, pedir a Gregório XI que voltasse para Roma, porque ela sentia o “odor fétido do inferno em sua corte francesa”.
O homem e o mundo precisam hoje de belas mulheres casadas que sejam para o mundo um sinal do amor de Deus. De mulheres solteiras que mostrem que “só o egoísta desperdiça a vida” (Michel Quoist). Mulheres consagradas que gastam as suas vidas como velas que se queimam para iluminar a vida dos outros. Mulheres corajosas que não tenham receio de falar de Deus, de defender o brilho da castidade, o valor da virgindade, a grandeza do casamento. Mulheres jovens e mulheres anciãs, que continuem sendo para os homens uma “ajuda adequada”.

Felipe Aquino, Prof.
Brasil
http://blog.cancaonova.com

 

 
 

Francisco Luís Fontinha

 

LENCÓIS DE ESPUMA
Francisco Luís Fontinha


Os triste silêncios da minha infância saltando os muros da Primavera, as amendoeiras em flor, as andorinhas apaixonadas, e eu
Sentidas,
A saudade que os meus braços abraçavam,
Saudade?
Caminhei sobre as pedras sonolentas da literatura, cansei-me dos teus poemas e da “merda” dos teus desenhos,
Sentidas?
Sem identidade...
Podíamos ancorar as estes versos, permanecermos impávidos das celestes lágrimas do Universo, Saudade? Caminhei, sentei-me sobre as quatro sombras da preguiça, sofri, sonhei, aprendi que o amor é um cubículo sem janelas,
Junto ao mar,
É tão lindo, o mar, mãe...
Os barcos e as jangadas de silêncio, os embriagados corpos dançando no texto, encerra-se o livro, e morre o escritor,
Um poema...
Palavras, sons, imagens, barcos, marés... sucata amaldiçoada pela fresta do luar, a astronomia e a matemática, dormem, saciam-se nas metáforas da insónia, corpos, nus, entre eles... o sexo desenhado em cada esquina, a porta do quarto rangia, gemia, e sabíamos que ninguém nos ouvia,
Orgia?
De palavras e de poesia,
Um poema?
Negro, opaco, sem corpo nem cabelo, morto, fictício... mas pouco, pouco, como os dias à tua espera...
O fugitivo regressa, aparece disfarçado de pássaro, não voa, deixou de voar, sonhar, deixou de viver, e de construir castelos de areia junto ao mar, quando dizias que aos três anos de idade já voava...
Eles chegaram, o caixão ainda cheirava à tinta fresca da manhã, brincava um silêncio de olhos verdes no vão de escada,
Foder num vão escada, como fodem todas as palavras do poema...
Sabíamos que o corpo não pertencia às nossas vidas, e o fugitivo sem regressar aos nossos lençóis de sémen foragido, sem pátria, destino
A porta de entrada encerrada,
Janelas ainda não tinham acordado,
Destino, viver dentro de duas folhas brancas com olhos verdes, um círculo, o Sol, a Lua, o vazio do corpo na alvorada clandestina, fria, fria e amarga,
A porta
Deus, criador de tudo e de todos, a porta gaguejando, rangiam os biombos da literatura quando imaginava o mar na parede da biblioteca,
Apetecia-me
Queimar todos os livros, meus, desenhos, vozes, corpos de insectos e rosas embalsamadas, queimar as fotocópias e os fósforos da insónia, beijar-te, e olhar-te
A mim?
A porta entranhada entre dois segundos, as lâmpadas lá de casa todas fundidas, sós, escuras, como a humidade das palavras enquanto pessoas, nenhumas... monstras, vazio, a astronomia do ciume suspensa num cabo de aço, Rua da Nossa Senhora..., Não está, hoje,
O Doutor, a secretária do Doutor, e a porta, envergonhada como eu, porque hoje não houve madrugada, porque hoje morrem as palavras...
(cansei-me, vou deixar de escrever durante uns tempos e de frequentar as redes sociais, cansei-me e apetece-me ouvir Wordsong... embrulhar-me nos sons das palavras... e imaginar AL Berto voando junto ao Tejo. Vou ler muito mais e dedicar-me ao desenho)
Mãe, como é o mar?
Lençóis de espuma, meu filho, silêncios de sombras poisadas numa tela virgem, aos poucos reaparecem as palavras e os riscos, a arte de amar e de navegar num beijo invisível, sem imagens, sem noite para chorar, as ruas completamente indiferentes às minhas tristezas, as cintilações dos versos descendo os socalcos imaginados pelas tuas brincadeira de menino,
Fui menino, mãe?
Cansei-me das palavras,
Escrita... nunca,
Mais
Amanhã restará uma única sílaba ao acordar, o espelho
Mais nada a acrescentar aos teus desejos, meu filho...
Cansei-me das palavras, mãe, das flores, dos sonhos e das cidade de vinil, cansei-me das mãos de porcelana da madrugada, sem janelas
O cubículo?
Morreu,
As janelas e o espelho completamente envergonhados pela partida do monstro das quatro cabeças, nada mais do que isso, literatura ao jantar, poesia ao pequeno-almoço, e
Morreu,
E alguns gladíolos apaixonados pelo jardim dos arciprestes, sabes? Falamos sobre isso, lembras-te?
Não, não...
Morreu,
Sentava-me no Tejo a contar cacilheiros, no final da tarde, depois de alguns cigarros, percebia que todos aqueles cacilheiros pertenciam ao exército dos apaixonados anónimos, tristes, convictos, passeavam-se como se fossem crianças num qualquer recreio de uma escola já extinta, encerrada,
Morta
Morreu, o Miguel trazia na algibeira meia dúzia de moedas encardidas pela sombra da noite, dormia debaixo de alguns cobertores de cartão, antes de adormecer desenhava no passeio pedestre algumas das imagens sem nome, de tantas outras... as fotografias de família
Morta?
Pais, avós... irmãos?
Sentava-me no Tejo, brincava com as gaivotas, saltávamos à corda, pegava num cinzeiro e esvaziava a algibeira quase...
Morta?
Irmão de papel, fumado, defumado, as palavras no quase... e ele... procurando irmãos invisíveis numa cidade invisível, não há miúdas nesta terra? Ainda é cedo, mais logo, talvez
Quase a desmaiar, sem sonhos, talvez imaginasse esta terra a terra prometida, mas não
Esqueceu-se do aparelho, Sr. António? E agora... como vai ouvir-me...! Sentava-me junto ao Tejo, mas não, fumava charros de areia enquanto a preia-mar se abraçava a mim, beijava-me, fodíamos como dois livros entrelaçados...
??
Toca o telefone, morta...
Morta?
Quase...

Francisco Luís Fontinha
Alijó - Portugal

 

 

 

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