FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Francisco Mellão Laraya

 

A FÁBULA DA ROSA
Francisco Mellão Laraya


Fazia cinco dias que havia dado uma rosa à Maura, e ela a colocara no solitário, em cima da mesa. O botão desabrochara, e nada melhor que falar em mudanças, esforços, sacrifícios, coisas que mudamos em nós por causa de alguém.
Com o desabrochar da rosa, as pétalas brilhavam, pois o sol refletia nelas, muitas vezes de forma translúcida, como o expor-se, o abrir-se para alguém, lógico que como a flor, isto não é sem esforços, sem uma vontade, uma iniciativa, um querer, enfim todo um ritual mágico que comanda o espetáculo de se expor, de serem mais plenamente a si mesmo, sem medos, temores, ilusões ou mesmo receios.
Ainda não era a hora de falar sobre tudo isto, afinal ela, a rosa, estava ali, dando um espetáculo para nós, que humildemente víamos o seu despir-se com toda a glória, utilizando os raios de sol como veste vestimenta, brilho, na maior simplicidade possível do mundo. E por ser tão simples e tão única, era bela, fascinante... Parecia que o falar, o comentar o espetáculo no meio deste, fazia com que parte do fascínio se perderia, como se cada minuto fosse precioso ao admirar o maravilhoso ato da rosa desabrochar.
E mais um dia havia ido!
E a rosa permanecia impune na sua grandiosidade irradiando a beleza dos seus atos.
Finalmente ela não estava lá, o sonho de vê-la mudar-se todo dia, e a realidade da beleza deste ato: se foram. Mas, guardávamos a lembrança de todo o ocorrido, como o relacionamento vivido entre um homem e uma mulher.
Estava na hora de pensar sobre isto, sobre os momentos que se foram, sobre a realidade do passado, sobre as lembranças desta realidade para traçarmos uma reta para o infinito. Era hora de dizer das nossas desavenças, de nossos acertos e erros, de ter bom senso a realidade presente, procurando lançar-nos para o infinito desconhecido do tempo, solidificando o relacionamento de dois.
Era hora de sermos nós mesmos, mais plenamente indivíduos que sempre fomos, procuramos e queremos ser. Tinha-se de respeitar o outro, para que os espinhos da rosa não machucassem demais àquele que a colhe no interior do outro.
Foi nesta hora que...
Cada estória termina de uma forma, pois a fábula é dinâmica e dialética, depende de dois, o escritor imagina, cria e procura dar a forma. Mas a forma que se cria é a essência de algo maior, que o escritor e os personagens desta estória.

Francisco Mellão Laraya
S Paulo - Brasil
www.titolaraya.com

 

 
 

Henrique Lacerda Ramalho,Cel.

 

NA TRINCHEIRA
Por Henrique Lacerda Ramalho,Cel.


É (foi) exactamente assim:
As horas não passam, olha-se o relógio quase de instante a instante porque o tempo se arrasta de longo segundo ao seguinte segundo longo...
Quando chegará a hora de passar ao turno seguinte? O medo faz suar na friagem da noite, cada sombra parece um inimigo, a cada sombra os olhos se estreitam, lacrimejantes, esperando qualquer movimento. Os dedos crispam-se na arma pronta a fogo, a garganta seca, a língua intumesce na boca, recua-se dentro da própria sombra.
Recordações são puxadas à lembrança para não sentir a lentidão do tempo, revivem-se situações e as probabilidades se tivessem tido outras as resoluções. A dúvida se instala: estará a arma pronta a fazer fogo?...A tentação de puxar a culatra atrás a ver se salta o cartucho e introduz um novo...mas, e o barulho?...
Desisto. A patilha é apalpada: estará em segurança, tiro a tiro ou em rajada?...
A mão instintivamente procura nos bolsos o maço de tabaco na necessidade de um trago tranquilizante, além da sensação de companhia. Porém, denunciante o cheiro e a brasa, impedem a concretização da intenção.
O tempo não passa, será que o relógio parou? Sacode-se e encosta-se no ouvido. Sobressalto: além um barulho...será animal, homem ou imaginação? Será de acordar todos por precaução e sofrer os insultos e piadas se nada existir?...
O suor escorre pela face, pinga ardente nos olhos, concentra-se na ponta do nariz, desliza no rosto, encharca a nuca.
Se eu fosse os" outros", como faria? De onde viria? Esperaria o amanhecer? Aproveitaria a escuridão? Usaria a faca?...
A mão livre da arma levanta a gola envolvendo a garganta. Um arrepio estremece o corpo numa pré-sensação do frio da lâmina cortante, na pré-visão do esguichar sanguíneo intermitente....
E o tempo não passa na m(..) do relógio...F.d.p. do relojoeiro que me convenceu com esta m(...)!
O cérebro intoxica-se com palavras soezes buscando o culpado dos lentos segundos...Tira-se o relógio do pulso e, dobrado na mão, os olhos acompanham o ritmo: 210...211...212...213...
Parece que, afinal, os segundos são segundos...
E o corpo espalma-se ainda mais no solo, na procura na mãe-terra salvadora, da minha escondida silhueta...

(tempos passados)

Cel.Henrique Lacerda Ramalho,IWA
Lisboa, Portugal
Membro Vitalício da International Writers end Artists Association - IWA, Toledo, Ohio/USA;
Supervisor Internacional para a Europa do Movimento de União Cultural - Taubaté, Brasil

 

 
 

Hilário Francisconi

 

A ORIGEM DAS LÍNGUAS
Hilário Francisconi


Dizem as santas línguas que a origem dos idiomas está na Torre de Babel. Mas com o ruir da Torre e com o rugir do tempo essa tese foi pro beleléu.
Já as más línguas (ou pelo menos as profanas) atestam que o berço dos idiomas foi uma manjedoura que surgiu na Índia, embora sem comprovação antropológica - que é a lógica de Antropo, um estudioso dos falares por aí.
Dada a impossibilidade de comprovação da origem dos idiomas, a Associação Mundial dos Linguistas fechou acordo no sentido de que todas as línguas tiveram origem na Epiglote, antiga capital da Cartilagem, atual Cartagena.
Com base em outra versão, segundo estudos - que primeiro vem o lazer -, um povo extinto há cinco mil anos, a que denominamos Árias, espalhou-se ao norte da atual Europa disseminando o idioma que, misturando-se ao de outros povos, sofreu modificações dando origem a diversos ramos de outras e peculiares línguas. São as chamadas línguas indo-europeias, formadas pela união de tribos indígenas com europeus.
A partir de um tronco que os índios levaram para o reflorestamento, surgiram os Ramos e os Guimarães.
Dessa forma, o ramo germânico concentra, dentre outras, a atual língua inglesa, originária de famílias com pretensões a dominar, com olhos no futuro, o comércio mundial; o ‘baixo-alemão’ e o ‘alto alemão’, que formavam duas castas distintas por causa de suas estaturas, e o ‘neerlandês-flamengo’, que deu origem à nação rubro-negra.
O ramo eslavo destaca o ‘russo-branco’, que foi um povo racista concentrado no miolo nevado da atual Rússia, e o ‘ucraniano’, povo dotado de cérebro em forma de ‘U’.
Da família ‘românica’, ou ‘neolatina’, podemos afirmar que o ‘galego’ era formado por plantadores de limão, ao passo que o ‘sardo’ não vingou porque o povo era surdo. O ‘catalão’ é encontrado ainda hoje em Goiás; o ‘romeno’ é mais romeno: às vezes mais, às vezes menos, e o português, como sabemos, foi quem descobriu o Brasil...

Hilário Francisconi
Niterói - Brasil

 

 

 

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