FÉNIX

 

LOGOS Nº 13

MARÇO 2015

 

 

 
 

Nicolau Saião

 

DIVINA MÚSICA – dois textos musicais
Nicolau Saião

 

gravura de Nicolau Saião


1. BREVE RELANCE SOBRE A MÚSICA


A música, imagem da alma, como referiu com propriedade Frederich Herzfeld, tem sido uma segura acompanhante do Homem embora só tardiamente o tivesse sido da sociedade. Com efeito, se nos lembrarmos que a primeira escola de música – ainda estabelecida em termos muito artesanais – foi criada em mil e nove por Saint-Gall e que o primeiro público musical (ou seja, reunido com o fito de ouvir a música por si mesma) só começou a existir no ano de 1725, com a criação por Philidor dos chamados “concertos espirituais”, começaremos a perceber que, como uma âncora profundamente fixada no mar societário, a música enquanto fenómeno ou, para dizer doutra maneira, a música enquanto entidade criadora de acontecimentos partilhados por milhares ou por milhões é um dado relativamente recente, tanto mais que os meios técnicos de difusão só neste século se tornaram uma presença quase absoluta.
Nos dias de hoje, em que vivemos rodeados de sons e de timbres organizados de forma lógica (e relembro que foi somente no séc. XVIII, com Mozart, que o timbre começou a ser utilizado de modo significativo e criativo) é-nos difícil entender quanto a música estava afastada das grandes massas populares como fruição habitual e quotidiana. Como refere apropriadamente Konrad Riemann, para o geral da população havia, nos dias de semana, as frases musicais ritmadas ao jeito de pequenas canções que sublinhavam o trabalho feito ou a fazer; no domingo era a canção entoada quando havia festas mas, acima de tudo, a presença do canto religioso, frequentemente expresso mediante a monódia gregoriana.
Antes disso – e a memória mais afastada vai só até 40 mil anos, documentados no fresco de Ariège, na gruta dos Três Irmãos em França – a música seria um sublinhar de fastos mágicos ou ritos religiosos, pois era coisa de deuses e de alguns homens que se haviam subtraído ao seu presumido controle.
A música era apanágio do mago, do sacerdote ou do monarca, fracção espiritual que proporcionava um contacto directo com as divindades e os seus áulicos.
Contudo, no nosso tempo a música espalhou-se pelo imaginário, dando azo a muitas figurações sociais, políticas e psicológicas. Goebbels, por exemplo, com a sua fina intuição de patifório esclarecido, conhecia bem o peso que tem, ante os basbaques, o desfilar dum cortejo precedido duma poderosa charanga e fez disso um uso infernalmente manipulador. Também os nossos meios de comunicação de massas manejam bem esta matéria: repare-se na forma psicologicamente bem estudada com que nos bombardeiam os ouvidos, repetindo até à saciedade temas de sucesso (as mais das vezes de pouca qualidade) entoados por vedetas primárias que eles próprios criam. Aliás, o consabido ambiente musical dito ligeiro dispensa-me de maiores comentários.
Seja a música – como alguns pretendem – uma variante da linguagem ou, como outros defendem, a abstracção da linguagem levada às últimas consequências, a verdade é que constitui um dado incontornável do nosso tempo. É, em suma, um dos componentes do grande imaginário actual para além de ser, nos casos mais exemplares – como por exemplo em Bach, Mozart ou Schubert – talvez um sinal com que a “música das esferas” chega até nós para nos dar testemunho profundo do rosto secreto da eternidade.


2. SCHUBERT, A 187 ANOS DE DISTÂNCIA
As últimas leituras e a última carta de Schubert


Em qualquer pessoa que à música se entregue sem preconceitos sempre ecoará uma melodia de Franz Schubert – o Schubert “pequeno, rude e mal ataviado“ que numa manhã de Setembro, ante o gáudio de uma vintena de alunos e cultores do bel-canto, se apresentou no Conservatório de Viena para mostrar o que valia, num desses eventos que usam apelidar-se “exames de Estado” das Academias (1). Mas igualmente um outro Schubert, o de óculos luzindo nas trevas sociais duma Europa que a breve trecho se veria mergulhada em convulsões que aparentemente nada fazia adivinhar, o rapaz “de coração fagueiro” que amava os campos floridos e os bosques olorosos – esses lugares onde, em potência, palpitava a imaginação a que os altos espíritos sabem ser sensíveis e onde se viaja na direcção certa, sob as madrugadas de feliz boémia criadora. E, também, o Schubert dos tempos do fim, pouco a pouco desfeito pela miséria económica e os farrapos dum sonho que não cabia nos estreitos limites duma sociedade espartilhada por regras desajustadas – esse Franz Schubert que a “indústria cultural”, mesmo que o tente, não conseguirá nunca devorar nem escurecer, o “pobre rapaz de olhar ingénuo” no fim da doença que iria levá-lo, lendo custosamente, mas com todo o prazer de um homem que entendia, as páginas exaltantes de liberdade dum James Fenimore Cooper habitante do lado de lá do Oceano. Esse outro lado onde sabia bem viver e onde as planícies abertas eram percorridas por um grande hausto de ar novo e de aventura.
É Alexander Woolcott quem nos conta: ”Certo dia de Novembro de 1828, Franz Schubert morria de febre tifóide, em casa dum irmão, nos subúrbios de Viena. Apenas um ano antes, empunhando archotes, um grupo de amigos acompanhara o grande Beethoven à sua sepultura em Wahring e, na volta, fora Schubert de entre eles quem, erguendo o copo, propusera um brinde àquele que iria a seguir. Chegara a sua vez e o inditoso e acanhado rapaz, de corpo cansado e desajeitado, olhos míopes e coração faminto, não daria mais canções ao mundo. Jamais, até então, havia aparecido alguém dotado de tanto talento para a melodia. Foi uma fonte inexaurível de música, e nunca tão fértil como nos últimos anos da sua curta vida.(…) E qual foi a última coisa que Schubert escreveu? Uma carta – uma carta ao seu amigo Schober, com quem no princípio do ano tinha morado na estalagem do “Porco Espinho Azul”, até que se mudou por não poder pagar a metade do aluguer que lhe cabia: 11 de Novembro de 1828 – Caro amigo: Estou doente e há 11 dias que quase não como nem bebo. Estou tão cansado e prostrado que mal me posso mover da cama para a cadeira e vice-versa. Rinna é que cuida de mim. Qualquer alimento que tome, lanço-o logo fora. Nesta situação aflitiva, poderia V. mandar-me alguns livros que me animassem? De Fenimore Cooper já li “O último Mohicano”, “O piloto”, “O espião” e “Os pioneiros”. Se tiver mais algum livro seu, agradecia que o deixasse no Café da Srª Gogner. O meu irmão, que é a consciência em pessoa, mo fará chegar às mãos da melhor forma. Do amigo, Schubert.”
E conclui Woolcott: “Quando pensamos em Franz Schubert, comovido no seu leito de morte ao escutar o ruído de um galho estalando sob o passo de um índio nas florestas à beira do rio Mohawk – que pena não ter, nessa altura, sido ainda escrito “O caçador de veados”! – de certo modo os anos entre 1828 e o presente momento ficam como que riscados do calendário. Não somente a distância entre Cooperstown e Viena se encurta: o espaço de permeio também desaparece. E, de repente, achamo-nos tão perto do jardim de Schubert que podemos ver o vôo dum pardal, e de tal modo próximo da sua cabeceira que chegamos a ouvir o pulsar dum nobre coração”.
A despeito dessa nobreza interior, foi ele sujeito de parcos amores consumados (uma Teresa Grob, uma Karolin von Estherazy pertenceram mais ao plano das vivências do coração forçadas pela miséria do tempo), substituídos por muitas horas empregues a trabalhar nos Cafés de uma Viena dada à alegria e aos folguedos, de conversas com amigos pelos atalhos e caminhos vicinais dos arredores. Schubert, que nunca pertenceu a qualquer ordem iniciática, deu-se contudo com gente diversa, incluindo alguns frater e era sensível à música mais hermética de Mozart como “A flauta mágica”. Mas o seu universo, tão povoado de seres de outro plano mais profundo, reconduzia-se à terra, ao quotidiano citadino ou campestre, transfigurava-se na existência que ele sonhara um dia alcançar mas que a dura realidade societária acerbamente desmentiu. Nessa Viena que pouco depois da sua morte sentiria os abalos dos novos tempos, o destino que lhe coube foi o de incessante tangedor das esferas da Natureza, pois este mourejador musical era um cativante companheiro de pacatos festins e de largos passeios, amando como bom andarilho o sol e o cantar dos pássaros, as merendas e os banhos nas ribeiras campestres (2).
Pode afirmar-se sem margem sensível de erro que só na sua “Viagem de Inverno” palpitam amargamente os fantasmas da nostalgia e do desespero melancólico, a plena certeza da proximidade da morte.

(1) Principalmente depois do filme “Amadeus” de Milos Forman, Salieri viu colada a si uma lenda absolutamente injusta de mediocridade. Aquilate-se do valor dessa lenda
pela sua atitude quando foi presidente do júri que examinou Schubert: ao terminar a prova, ajoelhou-se perante ele e beijou-lhe as mãos. Mais: com Rueziezka, completou-lhe a educação artística e protegeu-o sempre que pôde.

(2) Schubert tinha muitos amigos, que devotadamente o acompanhavam nas famosas “schubertíadas”e em excursões pelas estalagens dos arredores que faziam jus à estima que lhe devotavam e à sua maneira de ser aberta e comunicativa. Pois logo a maldade dos bons burgueses de Viena tentou, caluniosamente, ver nisso uma característica de teor sexual em geral mal encarada pelos hipócritas pseudo-moralistas.

Nota – O autor destes textos não segue os preceitos do chamado “acordo ortográfico”.

Nicolau Saião
Portalegre - Portugal

 

 
 

Paulo Ratki

 

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL - O QUE É REAL?
Paulo Ratki


Real, não são as coisas, muito menos as nossas escolhas. Real não são as pessoas, muito menos a própria vida. O real não é o externo, nem tampouco, o próprio ego. Real está longe de ser a felicidade e também a melancolia.
Nada dessas coisas são reais, mas apenas projeções de uma realidade pré-planejada e depois criada, processual, metodológica, chata.
O que é real então: "Real é aquilo que sentimos. É bem ali dentro, nas nossas emoções, que encontra-se o segredo multimilenar do nosso Universo íntimo, a nossa disposição e apenas nós o conhecemos!"
Acordei assim. Pura filosofia transcendental...

Paulo Ratki
Professor- Especialista em Autodescobrimento & Inteligência Emocional
Porto Alegre - RS - Brasil
www.plataocoaching.com
Linkedin: br.linkedin.com/in/pauloratkicoachespecialista/
https://www.facebook.com/pratki

 

 
 

Pettersen Filho

 

“INCONFIDENTE MINEIRO” : BELO HORIZONTE REINAUGURA BAR TEMÁTICO...
Por : Pettersen Filho


Capital de todos os Mineiros, Belo Horizonte, também conhecida outrora como “Cidade Jardim”, por debaixo das arvores em que o Bonde andava, da Praça Sete e do Café Nice, do Viaduto Santa Teresa e do Edifício Malleta, acaba de ganhar o mais novo Bar Temático do Brasil, voltado, exatamente para essa Belo Horizonte, a de outrora, reportando, em Poesia uma Minas Gerais Inconfidente, justamente, o Estado que une o Brasil Central, do Cerrado e do Triângulo Mineiro, com a Região Montanhosa de Juiz de Fora, e da Zona da Mata, ao além mar, ao mesmo tempo que guarda reminiscências do Nordeste Brasileiro, de Montes Claros e Norte de Minas, ao semi-árido, numa mescla e homogeneidade tão grandes, quanto diversas, passando pelo Sul de Minas e São Paulo, até chegar ao Pampa Gaúcho, numa equidade, e miscelânea, juntas, impares à qualquer outro Estado da Federação do Brasil.
Iniciativa do Poeta Homônimo, Pettersen Filho, quem se autointitula o “Inconfidente Mineiro”, aliás, Livro de Poesias de sua Autoria, onde descreve a sua infância, Adolescencia e Maturidade, vividas na grande, e Bucólica, Capital Mineira, Antuérpio Pettersen Filho”, o lugar, no mínimo original, transborda Poesia por toda a parede. .
Localizado na região da Pampulha, mais propriamente no Bairro Santa Amélia, bem perto do Aeroporto e do Mineirão, o “Bar Inconfidente Mineiro” serve o que há de mais típico na Culinária Mineira, passando pelo famoso Torresmo de Barriga, Feijão Tropeiro, Pé de Porco, Frango com Quiabo, até excentricidades próprias dos que freqüentam Botequim, tais como Rabada, Joelho de Porco, e Tira-gosto variados.
Até ai, coisa corriqueira, comum a tantos outros Botecos de BH, a novidade que embandeira o Poeta,está no Cardápio Cultural servido, entre uma Poesia e Outra, vem no acompanhamento...
Bar destinado a abrigar, também, Sarau Poético, e eventos culturais do gênero, o local é todo decorado com o tema que guarda o seu nome, “Inconfidente Mineiro”, dando vida a um Personagem Subjetivo, embora não real, ou palpável, mas, trás no Tema, que exalta, uma Releitura Poética da própria “Inconfidência Mineira”, a de 1789, passada em Vila Rica (Hoje Ouro Preto), e do Tiradentes-vivo, de carne e osso, talvez torcedor do Atlético, ou da Raposa, mas...
Cidadão Consciente, Protagonista do seu Tempo e da sua História. Que pensa e opina !
Enfim, como trás, mesmo, o lema estampado no variado Cardápio do Bar, e em sua própria Logomarca:
“Boteco também é Cultura”
Portanto, ai vai a dica:
Quando nas Montanhas Alterosas, em Belo Horizonte, assim como a Lagoa da Pampulha, e o Conjunto Arquitetônico de Niemayer, o Mercado Central, a Praça da Liberdade e a Feira Ripe, não deixe de conhecer o “Inconfidente Mineiro Bar”, e esse “Estado de Coisas” de uma Minas Gerais que não quer calar !!!.

Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadã”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC.

Pettersen Filho

http://www.abdic.org.br/

 

 

 

Livro de Visitas