FÉNIX

 

LOGOS Nº 14

MAIO 2015

 

 

 
 

Jenário de Fátima

 

ACALANTO
Jenário de Fátima

 

Sonhei um sonho, e neste sonho havia
um algo assim de arrolo e de acalanto,
um algo assim de êxtase e de encanto
era um enlevamento o que eu sentia.

Mas no meu sonho, eu não conseguia
saber de onde vinha aquele canto,
por mais que eu procurasse no entanto
alguém que o cantava se escondia.

Foi no acordar então que dei por mim.
quando se sonha alguma coisa assim
é a mão de Deus que em nós se faz sentir.

E ficou claro o que eu não entendia
a voz que ouvi era a voz de Maria
cantarolando pra Jesus dormir.

 

Jenário de Fátima
Taguatinga – DF - Brasil

 

 

 
 

Joäo Baptista Mines

 

O DESESPERO DE UM POETA
Joäo Baptista Mines

 

Eu vou morrer,
vou falecer,
vou fenecer,
neste envelhecer,
a empobrecer,
sem nunca vencer,
nem convencer,
a decrescer e
nunca crescer,
a perecer,
sem nunca aparecer, a envelhecer
sem enriquecer,
juro-vos por Deus,
nao vai amanhecer
eu vou falecer

 

Joäo Baptista Mines
Benguela - Angola

 

 

 
 

João Batista Bezerra de Sousa

 

No coração de uma criança,
A chama da esperança
Reveste todo o seu ser!


João Batista Bezerra de Sousa

 

Criança amada,
Criança feliz!
Criança educada para o limite,
Sabe bem o que diz!

No coração de uma criança,
A chama da esperança
Reveste o seu sentir!

Ao escutar, aprende a compreender
O que o outro, está a lhe dizer!

No olhar, apreende o seu espaço e o do outro!
No seu pensar, constrói o seu criativo mundo imaginário!
Terreno tão estudado por nós cientistas e professores,
Ainda há muito o que pesquisar/aprender!...

No seu pequeno coração,
A arte se faz a criar!
A arte de sentir
Se mistura na arte de amar,
Eis o verbo, por nós, a lhes orientar!

No seu falar, há procura
Do mundo, querer desbravar
Que aos poucos vai encontrar
Um norte no seu agir/caminhar!

Do escutar a olhar,
Do aprender a pensar,
Do sentir a falar,
Na arte de saber brincar
E no mundo socializar
A arte há de se encontrar
Pela ponte do dialogar!

Na família que te espera
Na escola que coopera
Na sua formação permanente
De aprender ler e escrever!

Na comunidade,
A amizade!
Do teu imaginário
Ao extradionário
Tens direitos e deveres
Dos valores universais!
Por isso:
No coração de uma criança,
A chama da esperança
Reveste o seu sentir e todo o seu ser!

 

João Batista Bezerra de Sousa
Taguatinga - DF - Brasil

 

 

 
 

João Bosco Soares dos Santos

 

O SUBLIME CICLO (A VIDA NO TEMPO E NO ESPAÇO).
João Bosco Soares dos Santos

 

O que passa mais ligeiro: o tempo ou a vida?
É certo que o tempo corre e com ele vai a vida.
E o que é o solto espaço, nesse passar de vida e tempo:
guardador de tempo e vida ou um vazio em movimento?
Não passa o espaço, também, como passam a vida e o tempo?
Ou o espaço é só um lugar em ágil trasmudamento?
Se a vida e tempo se vão, de modo fatal e fugaz,
é certo que tudo passa, deixando o nada p’ra trás.
Se tudo passa passando, também o sonho é levado.
P’ro tempo ou p’ro espaço? E nada fica guardado?
E qual dos dois é maior? Qual dos dois é mais potente?
É o espaço mágico e imenso ou o tempo indiferente?
Se a vida é um passar, sem pausa e sem descanso,
que disto resultará: um céu? Ou só desencanto?
E nós vivendo a vida, dela a pensar sermos donos,
a não vermos que o tempo a leva, deslumbrados ficamos.
E em delirantes desejos, sonhando sonhos nos sonhos,
negligentes ficamos, vivendo os instantes risonhos.
Mas nos espaços insondáveis, e nos infinitos tempos,
somos gotinhas de vida de miléssimos de momentos.
E esta gotinha que somos, nos mundos intermináveis,
em rotações como a terra, somos astros irretornáveis?
Somos astros e vagamos, pelos espaços e tempos,
e entre estrelas e brilhos, como gotículas vivemos.
E nesse tão sublime ciclo, entre brilhos e estrelas,
somos centelhas de brilhos, fugazes e passageiras.

 

João Bosco Soares dos Santos
Salvador - BA - Brasil

 

 

 
 

João Coelho dos Santos

 

EU EM PESSOA!
João Coelho dos Santos

 

No despertar dos ruídos matinais
A chuva apresentava-se feroz
Naquela manhã de primavera.

Na perspetiva de se encontrar com um fantasma,
Assumiu a majestade da sua importância,
Deu a si próprio ternurento toque no rosto,
Enfeitou-se para o baile a que nunca foi,
E exclamou: - aqui estou eu, em pessoa!

Lembrou a solidão das noites
Em que os cães ladram ao mar,
Escutou o eco do vendaval
E concluiu que, fora de si,
A verdade é improcurável.

Naquele escoar de vida,
Impermeável aos afetos,
Com alvoroço de adolescente,
Abriu a janela de par-em-par
E gritou para quem passou:
- Aqui estou eu, em pessoa!

Porque tem de estar preocupado com o Tempo?
O Tempo existe porque a eternidade consome!

Essa tal pessoa, que tem horror do absurdo,
Herege, apóstata ou cristão-novo,
Ainda é perseguido pela Inquisição.
Receia um auto de fé
E condenação à fogueira.
Sabe bem que não escapará.
Mesmo que fuja será queimado em efígie.

Escutou uma voz voar ao seu encontro:
- De onde estás medes o universo
E inventas essa sombra
Na trama do destino,
No querer decifrar o mundo.
O ser, que ainda é ser,
Vai deixar de ser,
Porque assim tem que ser.

No império do princípio e do fim,
Na miragem de realidades ou indícios,
Cada dia é mais um passo para a verdade,
Para a certeza do outro eu, a este superior.
Paranóia é saber que o breve presente,
É já pretérito no infindável círculo do tempo.

Fechou a janela, sentou-se, olhou um retrato,
Enxugou uma lágrima perdida e murmurou;
- Aqui estou eu, em pessoa!

 

João Coelho dos Santos
Lisboa - Portugal

 

 

 

 

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