FÉNIX

 

LOGOS Nº 16

SETEMBRO 2015

 

 

 
 

Antonio Cabral Filho

 
 

CANÇÃO DO VERBO ENCARNADO
Antonio Cabral Filho


Minha geração foi assim,
começou pelo quando
e acabou pelo fim.

O amor escorreu pelos cantos
e quando cantamos
a canção do amor armado,

Thiago de Melo estava em Berlim
mergulhado no verde dos olhos
da alemãzinha da ACNUR ,

nossa orquestra saiu de cena
e nossa guerra de guerrilhas
acabou no maior calor...

O suor que expelia seu odor
era o suor frio dos tiranos
nos porões mórbidos da ditadura
executando nossos irmãos.

O ar jazia cheio de sangue
e nós estávamos congelados
nas câmaras de gás dos IMLs.

Vínhamos de todos os lados,
desde os vales profundos do Ribeira,
das chapadas mais íngremes do Araguaia
ou dos guetos subumanos da urbe.

Éramos nós o odor de fumaça
que agredia as narinas alheias
com a catinga de carne queimada.

Éramos nós o encanto das canções de protesto
cantadas na avenida com euforia
para engendrar os projetos do futuro,

como somos nós os ignorados da história,
os estranhos os comícios,
a cadeira vazia das reuniões oficiais,

pois somos nós que chegamos e partimos
sem ninguém saber quem somos
e que vamos lá adiante,

distantes da balburdia alienante
e quando vós menos esperais
somos nós que nos imolamos
às vossas portas
contra a apatia com que nos matais.

Como todos vós podeis ver,
a minha geração é assim:
começa pelo quando
e acaba pelo fim,
mas não fica à toa na vida
pro seu amor lhe chamar
e ver a banda passar
tocando coisas de amor...

Antonio Cabral Filho
Rio de Janeiro - Brasil
letrastaquarenses.blogspot.com.br
antoniocabralfilho.blogspot.com.br

 
 

 
 

Antônio Carlos Santini

 
 

A TECEDEIRA
Antônio Carlos Santini


O sol se põe. Na tarde sombreada
A Tecedeira tece a sua teia:
Entre oito patas o seu fio enleia
E deixa a leve malha preparada.

O tempo corre. Escorre a fina areia
Da rocha que caminha para o nada.
A Tecedeira espera, conformada,
A hora de colher a vida alheia...

Vejo a lua no céu: foice minguante
Pronta a ceifar estrelas num instante,
Inermes ante o gume de seu corte!

Vejo na teia a paciente aranha:
Vertiginoso ataque a mosca apanha,
Surpresa no seu voo para a morte!

Antônio Carlos Santini
Mendes - RJ - Brasil

 
 

 
 

António D'Araújo

 
 

EM TUDO...
António D'Araújo


Quando eu não mais voar.
Eu corro.
Quando eu não mais correr.
Eu ando.
Quando eu não mais andar.
Eu grito.
Quando eu não mais gritar.
eu falo.
Quando eu não mais falar.
Eu não me calo.
Eu penso.
Quando eu não mais pensar.
Eu vejo.
Quando eu não mais enxergar.
Eu sonho.
Quando eu não mais sonhar.
Não morro.
Pois me tornei eterno.
Em Tudo que voei.
Em tudo que corri.
Em tudo que andei.
Em tudo que gritei.
Em tudo que Falei.
Em tudo que pensei.
Em tudo que vi.
Em tudo que sonhei.
Pois nos tornamos eternos não porque existimos, mas por tudo fizemos.

António D'Araújo
São Bernardo do Campo - Brasil

 
 

 
 

Antonio Paiva Rodrigues

 
 

SOMBRAS DA SAUDADE
Antonio Paiva Rodrigues


A sua ausência transformou-se em sombras
escuras e tenebrosas, o teu calor ausente me
deixou pusilânime e com tremenda fraqueza.
A linha do horizonte ficou escura sem nuvens
brancas e gloriosas. Seriam sombras tenebrosas
que me trouxeram saudades da sua beleza!
A noite fecha a cortina, os meus braços são dois
rios de águas tenebrosas. Desejo de coração me
eximir da saudade, almejo felicidade e sutileza.
O lírio em sua pujança lança perfume no ar nesse clima
vou te esperar. Sua pureza irradia alegria em potencial
não me deseje mal quero te amar.

Volte, pois não suporto a saudade inclemente,
meu coração de saudade vai palpitar e estourar.
Quero aliviar minhas tensões com a mulher
querida, sua ausência vai me desfalecer. As
sombras da saudade, não são sombras, são
queimadas de sonhos, de felicidade quero viver.
Quero presenciar um lindo dia alvorecer com ele
te abraçar, te apertar e sentir prazer.
Prazer que alivia o coração, as sombras da saudade entristecem o coração, não desejo que o amor seja apenas lembrança.
Almejo ser feliz eternamente, sem sombras, sem sofrimentos,
sem saudades quero o fluido do seu amor como bonança,
Não me faça de criança, sou adulto encorajado, mas as sombras da saudade me transformam num ser sem esperança.
Vou rogar clamor ao astro rei para dizimar as sombras e
que a claridade transforme a saudade em clarão constante.
Que meu amor esteja sempre por perto, mas nunca ausente,
pois não quero sentir saudades, e sim amor ardente. Nunca vi tanto esplendor no amor de uma mulher, seu corpo puro de amor quer desfrutar vencer as sombras da saudade, e no brilho reluzente entregar-se de corpo e alma ao seu amor carente.
Com as estrelas converso, com elas fiz amizade,
com o sol fiz tratado para exaurir as sombras,
que a saudade se transforme em felicidade de
um amor belo e eterno, que sem sombras
possamos amar de verdade e que sejam apenas
fantasias vencidas pela alegria deixando que
dois amores se entregassem aos prazeres de
uma emanação profícua e êxtase profundo.

Antonio Paiva Rodrigues
Fortaleza - Ceará - Brasil

 
 

 
 

António Zumaia

 
 

ESSA FOLHA BRANCA
António Zumaia


Folha virgem na brancura,
onde se escreve o destino.
Aceita qualquer ternura,
ou pecado libertino.

De brancura imaculada,
sabe que a vão profanar;
Pelas letras inundada,
sabe que a vão completar.

Folha branca virgindade,
onde se pode escrever;
Do mundo toda a maldade,
ou em amor... se viver.

Folha branca, folha branca;
É triste ser maculada,
mas nas letras se arranca,
a historia a ser contada.

Loucas letras se espalhando,
destino da folha branca.
Será amor ensinando,
a vida que nos encanta.

Ou

Simples folha amarrotada,
o autor sabe que errou;
As letras diziam nada,
por isso a maltratou.

O homem é folha branca,
onde ele próprio escreveu.
Da sua história arranca,
a vida que Deus lhe deu.

António Zumaia - Portugal
Em Sumaré - Brasil

 
 

 

 

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