FÉNIX

 

LOGOS Nº 16

SETEMBRO 2015

 

 

 
 

Rogério Zola Santiago

 
 

A PASSAGEM DO LÚDICO
Por Rogério Zola Santiago


Finda a hora tardia de ser feliz. Não há mais enganos. Mas, talvez, ao final, reincida a possibilidade de sermos - de apenas ser. Daí a felicidade dos
estouros dos fogos interiores, derivados da consiciência amalgamada aos esforços tantos... Saudades viram flores, gritos parecem macios toques, o despertar é adormecer.

Finda a mais infinda hora, e estamos de frente ao abismo da teatralidade da existência, onde não mais perdura a máscara. Perdemos o medo e saltamos.

No mar adentramos. Mar de cores claras, e estranhamente (neste sonho) lá podemos respirar.

Rogério Zola Santiago
Belo Horizonte - Brasil

 
 

 
 

Rossana Aicardi Caprio

 
 

AQUELLA FOTO
Por Rossana Aicardi Caprio


¿Te acordás?
¡Aquella foto! Aquella en la que aparecíamos en la playa de “La Virgen”, frente a los canaletones del Faro.
Cómo olvidarla...el sol pegaba en el horizonte, naranjo y redondo, en medio del febril
ocaso de verano palomense.
¡Éramos tan jóvenes y tan felices!
Y pensar que ni sabíamos que nuestro hijo, ya venía en camino. Claro, solo había pasado un mes.
Yo sí sabía…las mujeres tenemos ese sexto sentido que a veces nos convierte en sabias.
Y las maripositas en el estómago me decían: “Vas a ser mamá”
¿Te acordás?
Las olas rompían fuerte contra las rocas pero en la bahía del Faro, apenas acariciaban lentas la orilla; entre saltos y caídas, corríamos maravillados detrás de las estrellas de mar que nos iban dejando a lo largo de la costa.
Nunca habíamos visto algo así….encontramos de cuatro puntas, de tres, de cinco, de seis y ¡hasta encontramos una de ocho!
Por suerte las guardamos para enseñarlas…porque nadie nos creía ¿te acordás?
Las llevamos a la cabaña y sobre una tabla de madera, pusimos arena y las colocamos al sol donde se fueron secando de a poquito, hasta quedar tan blancas y resistentes que parecían de mentira.
Algunas las pintamos y con pequeños clavitos fuimos decorando los tirantes de la cabaña; cómo lucían cuando les daba el sol, o a la noche, cuando la luz amarillenta de las velas les daba aquel toque de magia tan especial.
Aún recuerdo nuestras risas disfrutando la aventura. En bollones trajimos algunas para casa en el ómnibus y desde los estantes en que las pusimos, no dejaron hasta hoy (y eso que pasaron muchos años), que nos olvidáramos de aquel regalo del mar tan amoroso e inesperado.
¡Ufa! ¿Otra vez te quedaste dormido?
Con lo que me gusta contarte historias. Y esta en especial sé que te encanta escucharla.
¡No! ¿Por qué lo tapan? Solo duerme, es que está muy cansado.
No, no me digas….no puede ser…seguro aprovechaste mi cuento para irte y llegar primero a la playa.
Espérame allí…muy pronto seguiremos juntando estrellitas juntos.

Rossana Aicardi Caprio
Pando - Canelones - Uruguay

 
 

 
 

Rozelene Furtado de Lima

 
 

CONTO
Por Rozelene Furtado de Lima


Lydia não podia nem pensar a quanto tempo esperava por esse momento. Quanto tinha rezado e pedido que um milagre acontecesse. Sentia-se portadora de uma grande alegria, iria se libertar de uma preocupação que a atormentava diariamente. Aquela angústia só dava descanso quando ela conseguia dormir. Lydia passara por necessidades financeiras, perdeu o emprego, adoeceu, e o pai que a sustentava faleceu. Ela imaginava que tinha sido testada pela vida de todas as maneiras. Será que faltava alguma prova ainda? Será que não haveria uma trégua? Ela pensava: tem o tempo das vacas magras acho que agora virão as vacas gordas.
Ela gastou todos os recursos financeiros que tinha com a doença do pai. Fez tudo para que ele partisse com dignidade. Depois que passou o longo período de luto, resolveu vender a casa, o único bem que restou, não havia outra solução. Foi quando recebeu uma carta pedindo que ela comparecesse ao Banco para conversar com o gerente. Quando chegou lá foi avisada que o pai tinha um seguro de vida favorecido a ela. Não era uma fortuna, mas dava para pagar as dívidas e quem sabe uns dias em algum lugar para despairecer e espantar aquelas vacas famintas.
Lydia completara vinte e cinco anos, formada em administração de empresas. Desempregada preparava-se para fazer um concurso público. Teria muito que estudar e se começasse a trabalhar não sobraria tempo para os estudos. Com o dinheiro que recebeu dava para ficar uns seis meses estudando.
Lembrou que num daqueles momentos de desespero e penúria foi até a casa de uma tia pedir ajuda. A tia disse que não poderia dispor de dinheiro, mas tinha o par de alianças de casamento, já que era viúva. Entrego-as a Lydia. As alianças eram de ouro, largas e gordas como deveriam ser as vacas sumidas. Acrescentou mais umas poucas joias que tinha e foi ao penhor. Deu um bom dinheiro. Ela pagava religiosamente os juros e esperava um dia poder devolver as peças à tia.
Tem vezes que a vida prepara provas com questões complicadas e não entrega o gabarito. Nós nunca sabemos se acertamos ou erramos. Ou qualquer resposta estaria correta. Vai saber...
Quando estava saindo de casa para pagar o empréstimo e resgatar o penhor, pensamentos assustadores invadiram a sua mente... E se alguém a vigiasse e roubasse aquele tesouro? Então teve a ideia de levar uma bolsa de supermercado, colocou um pouco de papel, outras bolsas emboladas e mais duas garrafas de plástico vazias dentro da sacola para dar impressão de compras. Foi até a Caixa Econômica no Centro da cidade. Enquanto aguardava chegar a sua vez, pode perceber quantas pessoas usam desse recurso e sentiu-se mais integrada à vida, não estava sozinha passando por momentos difíceis. Resgatou as alianças e adornos, embrulhou em guardanapos e colocou dentro de um saquinho de papel, jogou rápido e disfarçadamente dentro da sacola de plástico e saiu tranquila. Pensou no tamanho da generosidade da tia e estava muito agradecida a ela.
Chegou feliz em casa, tinha até lanchado num boteco. No dia seguinte à tarde, assim que a faxineira terminasse o serviço, iria visitar a bondosa tia Maria e devolver para ela aquelas preciosidades.
Xô vacas magras!
Tem peças que além do valor real que possuem elas tem um valor intrínseco, uma história. Alianças de viúva devem ter um memorial de lembranças e aquelas seriam a maior relíquia para tia Maria.
Quando a diarista terminou os serviços foi falar com Lydia:
- Já terminei a limpeza, deixei os temperos prontos, e coloquei o lixo. Até semana que vem dona Lygia. Nesse momento Lygia estava procurando a sacola e lembrou de perguntar à diarista:
_ Você viu uma sacola de supermercado que estava no meu quarto?
_ Uma cheia de bolsas e papeis amassados? Coloquei na lixeira, eles recolhem o lixo cedo.
Lygia levou as mãos à cabeça e gritou: - Não acredito!!! Tinha uma vaca gorda dentro! As magras estão voltando.

Rozelene Furtado de Lima
Teresópolis- Rio de Janeiro- Brasil

 
 

 

 

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