FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

António Cabral Filho

 

 SORTE
António Cabral Filho

Não. Nem era sexta-feira treze,
e ninguém sabe dizer nada
sobre dia nem hora.
Não tinha ocorrido atentado
em nenhum lugar do mundo
e a boite Ba Ta Clan bombava
ao som de "Imagine"
protestando contra as guerras -
não era 1968.

Sequer tem-se notícias
sobre o que dizem as cigarras
em seus cantos trombeteiros
e qualquer um podia bordejar,
solenemente,
pelos calçadões das metrópoles
admirando belezas arquitetônicas,
naturais ou não,
inclusive as esculturas humanas
que nos rodeiam e passam ao largo
quando numa dessas
seu olhar colou
numa "juliana paes"
em "trotoir à Belle Du Jour"
cruzando seu itinerário
e sem mais nem menos
tropeçou no carrara de prima
e foi ao chão.

Ninguém viu nada
nem sabe dizer como,
e corre à boca miúda
que como John Donne,
dizia que ninguém é uma ilha,
mas bateu com a cabeça
de modo fatal
e veio a óbito.

Agora, está no Pechincha,
e repousa na Mansão de Deus Amém.

Antonio Cabral Filho
Rio de Janeiro - Brasil
letrastaquarenses.blogspot.com.br
antoniocabralfilho.blogspot.com.br

 

 

António D'Araújo

 

 MAR À DENTRO
António D'Araújo

Como pude sonhar em terminar os meus dias,
Ouvindo tua voz, vendo seu sorriso,
Sentindo o teu cheiro,
Lendo os teus olhos.

Beijando tua boca,
Acariciando teu corpo
E me aquecendo no teu calor.

Simplesmente por um segundo me fugiu
O inevitável fato, que tudo que começa um dia acaba.

E neste eterno sufrágio da alma,
Vou remando mar adentro,
na esperança de um dia alcançar
o acalento de está novamente em águas calma e terra firme.

António D'Araújo
São Bernardo do Campo - Brasil 

 

 

António Lopes Teixeira

 

 ADMIRADOR SECRETO
António Lopes Teixeira

Esse martírio épico
Chamado amor,
De um pobre amador
Que ama e sente dor...
Nas horas vagas da conquista
Pede licença e brinca com as lágrimas

Rainha sem coroa
Prosa e voz suave que soa
Dos latidos roucos dos ventos…
No meu sonhar
Até estrelas soletram seu nome

Como deslembrar!
Seu silêncio, é um grito
Pra meus ouvidos, e eu
Que vivo por ela, não resisto
E vivo por ela sem ser seu…

Nesse saber e não saber
O que lhe dizer,
Vivo entre roubo de olhares
Contentando com o querer e não ter
E devenho uma vela acesa ao vento…

António Lopes Teixeira
Cabo Verde – Ilha de Santigo – Cidade da Praia
https://www.facebook.com/poesiascontadas
http://poesiascontadas.webnode.com/blogue/  

 

 

António Zumaia

 

É MEU FADO
António Zumaia

Gritei alto a minha solidão,
desesperei na dor do meu grito.
Não vi sonhos no meu coração;
Na vida, nada estava escrito.

De verdade... Nada estava escrito.
Roguei aos deuses ajuda e carinho;
Rogaram preces ao meu delito,
diluíram dores, num mar de vinho.

Esqueci dores, num mar de vinho.
Ergui a espada e quis lutar.
Desafiei o mar... Sou adivinho!
É essa nau, que me vai levar.

É nessa nau que me vai levar,
tangendo melodia do fado;
Terras de luz eu vou aportar,
onde uma deusa, me tem esperado.

Essa deusa que me tem esperado;
Li nos seus olhos o meu destino.
Essa mulher... amor e meu fado.
Foi o meu sonho, desde menino.

António Zumaia  - Portugal
em Sumaré - Brasil

 

 

Ariovaldo Cavarzan

 

CONSTRIÇÃO
Ariovaldo Cavarzan

No silêncio da oração,
venho agradecer-Te, Jesus,
por Teu nascimento,
vida e morte,
em martírio,
na Cruz.

Obrigado, Jesus,
por Te fazeres fanal e conforto
aos caminhantes
das escarpadas sendas da vida,
órfãos de um ombro
em que repousar medos
e chorar desilusões,
de ouvir palavra amiga,
de soluçar tristezas,
e de espantar solidões.

Obrigado, pelo cotidiano tormento
de tenebrosas semanas santas,
em que vagueiam almas constritas,
por Calvários e Gólgotas,
reféns de violência e desvario,
em infindáveis noites de frio
e em dias desajeitados e vazios,
sem ter em que se abrigar
e sem poder a dor
que sentem no peito mitigar.

Obrigado por Teus exemplos
de amor e perseverança,
de humildade e perdão,
de devoção a um Ideal,
porque eles nos fortalecem
ante os apelos do mal.

Obrigado, Jesus,
por Teu sacrifício na Cruz,
eis que dele se fez acender
da imortalidade a luz,
aclarando vidas,
hoje feitas em dor,
até que no amanhã se renovem
iluminadas de amor.

Obrigado pela inolvidável lição
de Tua ressurreição.

Obrigado, Jesus!

Ariovaldo Cavarzan
Campinas - SP - Brasil  

 

 

 

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