FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Ademilson Cunha

 

MEMÓRIA... HISTÓRIA... APLAUSOS!
Por Ademilson Cunha


A memória pode unir conjunturas diversas, inspirando o ser humano à inventividade e à ousadia. Eis que, então, ela tece lembranças firmadas em ações efetivas, pequenas ou grandes, que marcaram o passado, mas que estão vivas no presente, pois a memória é uma mãe que acolhe em seus braços o filho pródigo da recordação.
A memória não simplesmente revive o passado, ela é carregada de significados e faz brotar no inesperado solo do presente a esperança de uma certeza, mesmo que esta seja utópica. Desse modo, percebe-se que a reminiscência não é evasiva, ela é movida pela paixão da vida, que liberta a criatividade presente, ungida por visões de um outro tempo, como uma locomotiva em seu início de viagem.
Relembrar exige não confundir o que passou com a vida atual, portanto é olhar e trabalho. É enxergar as diversas possibilidades de construir um cenário para uma encenação teatral através de experiências vividas por seres diversos, que mesclam o passado e o presente, o real e o imaginário. É como se tivesse um diamante bruto que precisasse ser lapidado, mas não apenas utilizasse as mãos — também o coração.
E é necessário que a palavra evocada, a qual permanece assentada na teia da lembrança, em todo o seu vigor nascente, nunca se cale, pois é nela que vive a história, a qual permeia o imaginário dos seres que por ela adentram.
A história, que nina os ouvidos e faz brilhar os olhos, ecoa na intimidade e aflora não apenas no pensamento, mas também na fantasia, nas emoções, na inventividade e em todas as camadas do ser humano, tornando-se essencialmente sublime em sua simplória concretude.
E, à margem da história cotidiana, que se instaura longe dos apologéticos heróis que permeiam as páginas amarelas dos livros dos dominadores, a qual resiste algo sólido que percorre a tradição oral de relatos fragmentados, os quais ficaram esquecidos em um velho baú, as estruturas humanas se movem internamente, tornando-se inalienáveis e aptos a colocar uma mancha de tinta na grande tela branca da vida. Eis que surgem as ideias para a performance teatral.
Assim, o passado se funde ao presente, no intuito de dar mais sabor à vida de todos os seres, e o que antes era apenas reminiscência, torna-se experiência, promovendo a interação entre os seres. A criação do espetáculo artístico, então, ecoa da convivência com os outros e consigo mesmo.
É preciso abrir as cortinas, sair das coxias com o rosto pintado com o ontem e com o hoje, entoar uma canção que envolve o coração humano, de maneira espontânea e verdadeira, e levar à tona as lembranças de todos os Josés e todas as Marias. Assim, o espetáculo termina em aplausos.

Ademilson Cunha
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil


Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais pela UEMG/FUNEDI (2010), possui especialização em Português e Literatura pela FIJ-Faculdades Integradas de Jacarepaguá (2006) e graduação em LETRAS pela UEMG/FUNEDI (1999). Atualmente é sócio-diretor das seguintes empresas: CECRI (Centro Educacional e Recreativo Santa Clara Ltda), CECRI Artigos Escolares Ltda - ME e CECRI Baby Ltda. Também é o realizador da Bienal do Livro de Divinópolis. Possui várias publicações de textos acadêmicos, literários e artísticos. Reside em Divinópolis, Minas Gerais, Brasil.  

 

 

Afonso Antoniassi

 

   EX QUASE ATEU
Por Afonso Antoniassi


Incrível como depois de dedicar quase minha vida para entender o sentido dela, sem sucesso, descobrir ele quando o foco era outro. Sim, andando pelo ceticismo, usando da crítica à espiritualidade e religião como arma e achando ser superior por entender das Leis de Newton e não saber quem eram os apóstolos. A imensa solidão suprida por coisas fúteis e paliativas, objetivos pequenos como grandes e grandes inexistentes. Buscando aprovação, amizades, influência, apoio e carinho de quem nem sabia onde achar. Que caminho errado estava seguindo. Não errado porque um livro ou pessoas diziam. Errado porque não era verdadeiro. Ah - quem diria que eu teria um amigo e de quebra o melhor deles? Ele esperou. Olhou-me de longe, chorava com minhas estabanadas e queria somente meu sim. Esse amigo me esperou e cuidou de mim mesmo quando eu caí no fundo do poço que cavei. Aí, sem escolhas, frustrado eu disse sim porque era o que eu tinha. Quem diria que a melhor escolha viria sem concorrentes?
Aprendi que as coisas simples são grandiosas e as grandes e poderosas meras manifestações irrisórias perto do poder Dele. Aprendi que temos um amigo sempre junto, um que chora e ri, que ajuda e ensina a ajudar, que ama e ensina a amar.
Meu relato não é um dos melhores, nem mais chocante ou interessante, porém eu lembro que um dia duvidei, achei que era bobagem, procurava evidências. Hoje tenho certeza desse apoio, minha mente não dúvida e meu coração sente. Aprendi que para achar Deus devemos deixar de procurar nas estrelas, nos átomos, nos seres vivos em geral e sim em nós mesmos, pois Deus sim está dentro de nós esperando nosso sim.

Afonso Antoniassi
Curitiba - PR - Brasil

Curitibano, observador, curioso e criativo. Amante de desenhar. Entende um pouco melhor a vida quando está escrevendo e brincando na bateria. Apaixonado pelos pássaros mecânicos chamados aviões. Curte história, mas caminha pelas exatas. Vendeu cachorro quente, quadros, cursos de inglês, e-books, pois se achava tímido e queria melhorar isso. Navegou pelo mundo da Mecânica até achar seu destino na Publicidade quando começou a estudar com os franciscanos. Aprendeu que a vida é uma escola não uma prisão. Errou querendo acertar, acertou querendo amar.
 

 

 

 

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