FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Anabela Alexandra Gaspar Silvestre

 

   DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Anabela Alexandra Gaspar Silvestre


Ah! Pois é… todas temos um dia comemorativo específico só para nós… o dia 8 de março. Comemoramos este dia nem que seja com um simples gesto!
Eu passeei com a minha mãe num belo jardim da minha cidade envolto pelas faldas da montanha, muito verde devido à água do belo lago que o envolve e por onde se banham os coloridos e diferentes peixes, os vistosos cisnes, os serenos patos, as observadoras tartarugas que sobem as pedras e aproveitam os abundantes e calorosos raios de sol.
Este jardim é magnífico! Transmite muita calma e ainda podemos ir até ao restaurante deliciar-nos com uma agradável refeição tipicamente beirã. Quem quiser optar por um snack mais ligeiro pode escolher entre os dois bares que estão estrategicamente colocados em lados opostos do jardim. E na ala esquerda, de quem sobe, está a bela piscina-praia aberta ao público durante três meses.
Para fazermos um pouco de exercício, colocando todos os músculos a funcionar podemos utilizar pequenos barcos, em forma de cisne ou simplesmente normais. Quem entrar nesta aventura ficará no lago lado a lado com os peixes, patos e cisnes, passará por baixo das pontes e pela cascata límpida que corre, corre, corre… sem parar.
Querem melhor cenário bucólico para nós, mulheres, passarmos um esplêndido dia? Este é o ideal!...
E tal como na minha cidade também nas outras localidades existem sítios admiráveis à espera de serem descobertos e se tornarem o recanto preferido de cada mulher.
Ontem passei um excelente dia, soalheiro e divertido, como todas as mulheres merecem, sem sombra de dúvida!

In «A Essência do Olhar: Crónicas do Quotidiano», de Anabela Gaspar Silvestre, Edições Oz

Anabela Alexandra Gaspar Silvestre
Covilhã - Portugal
https://www.facebook.com/anabelagasparsilvestreescritora

 

 

Anchieta Alves de Santana

 

E POR FALAR EM LIÇÕES MATERNAS
Por Anchieta Alves de Santana


Quando adentrei na sala, ela estava, como de costume, confortavelmente sentada em sua cadeira de balanço. Sentava ali todos os dias pela manhã. À sua volta, alguns móveis simples e surrados pelo uso, mas de muitas utilidades. Via-se, numa das paredes branco gelo, um quadro paisagístico, assinado por um artista de nome João Canã de Uruçuí; num canto que recebia bastante luz natural, estava, estrategicamente localizada, uma mezinha triangular com alguns arranjos florais e uma bíblia aberta em Salmos; ao lado do Livro Sagrado, um par de óculos destinado, de forma quase exclusiva, aos momentos de leitura; e, na estante amarelada pelo tempo, um rádio à pilha, de marca não conhecida, transmitia a missa matinal. Era “Domingo de Ramos”. Minha mãe ali, atenta ao discurso do sacerdote. E não apenas atenta, ela, em meio tom, rezava junto e, com um terço à mão, fazia os sinais simbólicos conhecidos. Principalmente o sinal da Cruz. Após ser abençoado e beijar sua face octogenária, tentei, em vão, atrair a sua atenção, depois de ter ficado ausente por três semanas. Ela estava, de fato, fervorosamente concentrada em suas orações. Minha mãe é uma mulher sábia no mundo das preces.
Fiquei ali, atento, aguardando o término da missa via rádio. E nesse interim, também ouvia o sacerdote, que, num sermão dirigido à juventude alcançada pelas ondas curtas daquela emissora, dizia: “Jovens do meu país, em nosso universo vocabular perambulam vários termos que, em si, encerram muitos significados; vocábulos que são verdadeiros textos. Eis alguns: Deus, Amigo, Fé, Lazer, Amor, Pelé, Rei, Vida, Orgulho, Desprezo...E, também, expressões curtas que representam a verdadeira mística intencional do espírito. São expressões com poderes ilimitados. Tais como: eu te amo, você é demais!, pode contar comigo, você é linda, estou sofrendo, você é um fraco. Mas nenhuma expressão é tão básica, tão poderosa, tão expressiva e inclusiva, quanto: você é capaz, tenho fé em você, você vencerá...
E eu, ali, naquela saleta, esperando o fim do sermão de um clérigo desconhecido. Esperava e também terminava por ouvir o que era objeto do discurso. Ouvia e, em pensamento, de certa forma, compulsoriamente, interagia.
Num dado momento, voltando sua atenção para mim, minha mãe, também, parafraseou uma homilia ouvida em outras missas, dizendo: é preciso que as pessoas passem a acreditar que não se ama se não existe a crença de que esse sentimento é possível; não se ama se não há a crença de que a química do amor é necessária à vida em comunhão; não se ama quando não há a crença de que o amor é um sentimento coletivo e transformador. E disse mais: o amor só existe até o exato momento em que se acredita nele. E assim sendo, já não existe amor quando se fala em “renúncia”. Pois, quem ama nunca desiste; ao contrário, crê, luta, grita, brada e vence todos os obstáculos.
Depois de se voltar ao discurso do padre por alguns minutos, minha mãe ainda disse: é preciso que as pessoas acreditem que não existe amor individual, amor solitário, isolado do universo social. Para se falar de amor é preciso que se refira, no mínimo, a dois seres. Pode ser pessoas e/ou animais. Pois, até mesmo o que se convencionou chamar de “amor próprio”, parte da crença de que existem elementos sociais suficientes para a viabilidade desse sentimento. E disse mais: O poeta foi feliz em declamar que “ o amor é um sentimento profundo que vai nascendo devagar, nasce e renasce de um certo jeito, que a gente não consegue explicar”.
Quando ela terminou sua fala, o reverendo estava encerrando sua homilia, dizendo: A crença é um elemento indispensável às nossas atitudes, ao nosso fazer, à existência das coisas.
Após ouvir a Santa Missa, minha mãe pediu para desligar o rádio; olhou-me na face e perguntou:
__Como você está, filho? Já estava com muita saudade.
__Bem, minha mãe! A minha viagem demorou mais que o planejado.
__Que bom...você parece bem! Finalizou minha mãe.
Depois desse breve diálogo, minha genitora, cuidadosamente, apanhou sua bíblia e ficou a declamar alguns versículos para concluir sua manhã de orações. E eu fui ao meu quarto e, exausto de uma longa viagem, adormeci quando rabiscava um texto sobre a magnitude do nosso rio Parnaíba. Adormeci e sonhei com minha mãe tocando minha face e fazendo um rosário de recomendações, como fazia quando eu ainda era criança.

Anchieta Alves de Santana
Uruçuí - Brasil

Anchieta Alves de Santana, acadêmico do curso de Licenciatura Plena em História, da UFPI, licenciado em Letras/Português e pós-graduado em Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa e Docência do Ensino Superior. Foi Coordenador da Universidade Estadual do Piauí-UESPI e da Universidade Aberta do Piauí-UAPI/UFPI, em Uruçuí. Exerceu a função de Gestor das unidades de ensino Maria Pires Lima e José Patrício Franco e é Ex-Secretário Municipal de Educação e Cultura, de Uruçuí. É professor efetivo das redes estadual e municipal de ensino. Como poeta e escritor já produziu diversos textos que abordam, em geral, a temática social. Em 2009 publicou o romance “Maria Clara”. Participou das antologias poéticas “Desejo de Escrever”, “Alma de Poeta” e “A Lua Sobre Nós”, publicadas pelo grupo editorial Beco dos Poetas.

 

 

 

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