FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Ceres Marylise Rebouças

 

OS HOLOCAUSTOS SE REPETEM
Por Ceres Marylise Rebouças


A imagem de Aylan, aquele menininho sírio encontrado morto na praia da Turquia não sai de minha mente. Ele foi impedido do direito de ser feliz e de brincar como outras crianças. Que mal fizeram Aylan e milhares de crianças desses países em conflito para terem suas vidas terminadas dessa forma? Nenhum! Só o de haverem nascido em países devastados pela intolerância, pela ditadura, pela guerra e pelo fanatismo. Estranho azar que os fez nascer nesses lugares!...
Os holocaustos continuam se repetindo após os atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos e há alguns meses, no Canadá. Mais recentemente, em Paris, no Iraque, na Síria, em Mali, na África, principalmente na Nigéria e em Magreb pelos Boko Haram - outra vertente do Estado Islâmico - que matam de forma atroz na sua maioria, mulheres, idosos e crianças sem força para correr e reagir e sem entender os horrores da guerra, da tortura, da violência e do crime.
Cresce assustadoramente o radicalismo islâmico com o fundamentalismo se aproveitando da fragilidade dos modelos estatais naqueles países. O Ocidente tenta intervir, a Europa se retraiu mas abalada pela imagem de Aylan morto e transformado em símbolo da gravidade da tragédia originada do fanatismo do EI, assumiu o compromisso ético e humanitário de abrir suas fronteiras para acolher os refugiados, tamanha a audácia desses extremistas. E lhe atormenta o perigo maior: entre os refugiados muitos terroristas disfarçados.
O que acontece neste mundo que parece nada ouvir e nada ver? Cada vez mais fica difícil para o homem aprender a construir um mundo melhor. Com tanta tecnologia de ponta o homem não consegue criar estratégias no coração e com certeza, as tentativas têm se desperdiçado. Enquanto isso, crianças inocentes continuarão caindo mortas,
Penso novamente em Aylan e o imagino subindo numa frágil embarcação e se acocorando ao lado do irmãozinho maior com a noite escura e fria embalando o mar Mediterrâneo. Penso na embarcação virando, afundando e a água gelada abraçando aquele corpinho chorando e gritando por seus pais... Que Deus acolha seu sono eterno e ajude a melhorar a humanidade que caminha à deriva!

Ceres Marylise Rebouças
Itabuna - Brasil  

 

 

Clóvis Campêlo

 

O RECIFE DOS ARRECIFES
Por Clóvis Campêlo


Antes de ser a cidade dos mascates, o Recife foi sobretudo a cidade dos pescadores. Foram eles que desceram da Marim dos Caetés e se instalaram no pequeno istmo de Olinda, uma estreita língua de terra, medindo cinquenta passos de largo, como diz a pesquisadora Semira Adler Vainsencher, em artigo sobre a cidade, publicado no site da Fundação Joaquim Nabuco.
Ainda segundo Semira, a região, que depois se chamaria Freguesia de Frei Pedro Gonçalves, tinha um perímetro de aproximadamente mil metros quadrados, onde as pessoas se amontoavam, provocando uma das mais elevadas densidade demográficas já conhecidas: 27 mil habitantes por quilômetro quadrado. Esse teria sido um dos motivos que levaram o conde Maurício de Nassau, no período de dominação holandesa, de 1630 a 1654, a construir uma ponte em madeira, a famosa ponte do episódio do boi voador, para chegar ao outro lado do rio Capibaribe e expandir a ocupação da área. Mas, não nos interessa no momento esse movimento de afastamento dos arrecifes.
Segundo o site Klick Educação, o primeiro registro do lugar, hoje chamado do Recife Antigo, data de 12 de março de 1537 (hoje, considerada oficialmente como a data do aniversário da cidade), quando o donatário Duarte Coelho Pereira recebeu a carta de doação da Coroa Portuguesa, o chamado Foral de Olinda. Posteriormente, o nome da cidade seria uma referência aos arrecifes de arenito, formação marinha rochosa presente em toda a costa de Pernambuco. Naquela área, os arrecifes chegam a formar um porto natural.
Segundo a Wikipédia, arrecife é a forma antiga do vocábulo recife, ambos originários do árabe ár-raçif, que significa calçada, caminho pavimentado, linha de escolhos, dique, paredão, cais, molhe. Ainda segundo o dicionário virtual, em sua forma arcaica, “arracefe”, o vocábulo já era utilizado em 1258, segundo registra o dicionarista José Pedro Machado. Assim, o topônimo da atual cidade do Recife resulta do acidente geográfico, cuja designação é registrada pela primeira vez no Diário de Pero Lopes de Souza, que denominou o seu porto natural de “Barra dos Arrecifes” (1532) e no já citado Foral de Olinda, no qual o donatário Duarte Coelho Pereira, chama-o de “ribeiro do mar dos Arrecifes dos Navios”.
Em 1630, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais invade a Capitania de Pernambuco, então a mais rica capitania do Brasil Colônia e maior produtora de açúcar do mundo. No Recife holandês, foi iniciada a construção de Mauritsstad (Cidade Maurícia, ou Mauriceia). O Recife foi a capital do Brasil Holandês durante 24 anos, tendo sido governada de 1637 a 1644 pelo conde alemão, a serviço da Companhia das Índias Ocidentais.
De lá para cá, muito tempo passou, restaurou-se o domínio português, acompanhamos os movimentos libertários que nos levaram à Independência do Brasil e chegamos à modernidade com a capital mais pujante do Nordeste e entre as mais belas e consistentes capitais brasileiras.
Os arrecifes dos quais herdamos o nome continuam lá, nos protegendo das intempéries naturais e interferindo beneficamente no nosso relacionamentos com as águas oceânicas.

Clóvis Campêlo
Recife - PR - Brasil
http://imagenstextosecontextos.blogspot.pt  

 

 

 

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