FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Felipe Aquino, Prof.

 

OLHE PARA AS MONTANHAS E ELEVE A SUA ALMA
Por Felipe Aquino, Prof.


“Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro.” Beata Elisabeth Leseur
O que podemos aprender com as montanhas?
Primeiro, de um ponto de vista científico, devemos entender que existe diferença entre montes, montanhas, serras, cordilheiras… Cada qual com suas características; são umas das mais belas criações de Deus, e ajudam a formar o nosso mundo geográfico, geologicamente falando. As denominações mais antigas indicavam as montanhas como conjuntos de montes, que, por sua vez, seriam elevações consideráveis do terreno. No entanto, hoje não iremos nos ater em definições, mas em que nos representam visualmente.
Você já parou para admirar a beleza das montanhas? Nós que moramos no Vale do Paraíba/SP, temos o grande privilégio de estarmos cercados de montanhas, entre a serra do Mar e a serra da Mantiqueira. Ambas são maravilhosas. Mas para entender o que elas realmente querem nos dizer é preciso admirá-las com os olhos do coração, é preciso elevar a alma!
Que beleza poder olhar para essas elevações de pedra e terra, sempre tão altas, firmes, cheias de cores e de vida… Lembram-nos que é necessário “olhar para o alto”, que temos de deixar de olhar para nós mesmos para estar com Deus e ouvir Sua voz.
Em toda nossa história, os montes ou as montanhas, tiveram um papel interessante. Veja bem:
Em Gênesis, depois do grande dilúvio, em que Deus arrasou a terra, quando talvez Noé estivesse perdendo a esperança de refazer a vida… enquanto ainda estavam na arca, envoltos por água de todos os lados, qual foi o primeiro sinal de terra que viram? Os cumes das montanhas! Leia Gênesis 8,5.
Depois, foi num monte (Sinai) que Moisés recebeu de Deus os Dez mandamentos.
Foi num monte (Tabor) que Jesus se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João e lhes mostrou um raio da Sua divindade; foi num monte, às margens do mar da Galileia, que Jesus fez o grande Sermão da Montanha; era nos montes que Ele se recolhia para rezar, estar na intimidade com o Pai. Foi num monte que multiplicou os pães. Foi num monte (das Oliveiras), que Ele suou sangue na Sua agonia mortal, quando aceitou a vontade do Pai e se preparou para declarar Seu amor por mim e por você… Enfim, foi num monte, no alto do Calvário, que Jesus deu sua vida e derramou seu sangue por nós! Ali ele “matou” a nossa morte eterna com a Sua morte e abriu para a humanidade um Mar de Misericórdia. E foi do monte das Oliveiras que Ele subiu aos Céus.
Sim, Deus nos fala nas alturas; e as alturas falam de Deus. Por isso, os monges gostam de colocar seus mosteiros nas alturas, bem acima das misérias do mundo.
O salmista canta com alegria o poder de Deus revelado no rosto das montanhas:
“Nas Suas mãos estão as profundezas da Terra,e os cumes das montanhas lhe pertencem” (Sl 94,4).
Olhando para essas belas montanhas da Mantiqueira, notamos um detalhe interessante. Nos seus picos foram formadas duas imagens, que o nosso povo chama de “homem deitado” e “focinho de cão”; um ao lado do outro. Parece até que Deus quis desenhar na pedra bruta do monte o rosto humano, criado à sua imagem e semelhança, para nos mostrar a sua grandeza, e o amor que tem por cada homem. Ao lado, um cão, o animal que mais lhe é fiel.
São Domingos de Gusmão quis que os seus dominicanos assim se chamassem, porque os queria como “Domini canis” (= cães do Senhor). Que seus filhos fossem fiéis a Deus como o cão é fiel a seu dono. Quem sabe olhar para a pedra fria da montanha é capaz de ver nela uma mensagem de Deus. Se até na pedra da montanha Deus pode esculpir um rosto animal e um rosto humano, é preciso deixar que Ele possa esculpir em nossa alma o Seu Rosto divino. São Paulo disse que “Deus nos predestinou para sermos conforme a imagem do Seu Filho” (Rom 8,29)
Certamente se passaram séculos para o rosto humano ser moldado na pedra da montanha rígida; da mesma forma Ele usa toda a nossa vida para que Seu Rosto seja moldado em nosso coração.

Prof. Felipe Aquino
Vale do Paraíba - SP - Brasil
http://blog.cancaonova.com

Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica  

 

 

Filipe Papança

 

O ECUMENISMO
Por Filipe Papança


O ecumenismo surge do íntimo do nosso ser. Cada um independentemente de ser cristão, hindu, muçulmano, budista ... possui aspirações profundas que são comuns aos outros irmãos e ao mesmo tempo se complementam. Vem do fundo da alma onde está o “fogo sagrado”, fonte permanente de confiança.
“Se tiveres confiança no teu coração irás longe, muito longe” – irmão Roger de Taizé. Ela é uma porta aberta para o acolhimento, onde todos têm lugar, como diz o salmo “A pedra que rejeitaram os construtores tornou-se a pedra angular”.
No nosso tempo um dos grandes motivos de divisão tem consistido na vontade formar grupos, prender, arregimentar, dominar, transformar, controlar, manipular, movimentos esses causadores de divisão. “A dada altura até o prisioneiro começa a elogiar o seu cárcere”, escreve Boris Pasternac no final da sua obra "O Doutor Jivago".
Fruto dessa confiança, o espírito ecuménico vai iluminando. Caem as barreiras. O enriquecimento surge naturalmente da partilha e da complementaridade, contribuindo para uma cada vez melhor integração, abrindo caminho ao amor. “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candelabro onde ela brilha para todos os que estão em casa. Brilhe assim a vossa luz diante dos homens, para que vendo as vossas obras, glorifiquem o vosso pai que está nos céus”- evangelho segundo S.Mateus.

Filipe Papança
Lisboa - Portugal

 

 

 

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