FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Ilda Maria Costa Brasil

 

REENCONTRO DA ESSÊNCIA...
Por Ilda Maria Costa Brasil


Fim de tarde. Lá fora, a água cai torrencialmente. Em meu peito, tristeza e dor. De meus olhos chovem desencantos e nostalgia. Os ruídos da chuva e os das lágrimas confundem-se, um misto de melancolia e solidão. Em meu peito, uma energia estranha, sufocante e forte. Acredito ser partes de minhas inquietações que, após algum tempo reprimidas e sufocadas, rompem suas represas e se aventuram por caminhos entremeados por medos e por incertezas. O momento é de muita ansiedade e de busca. Corro atrás de uma verdade que não sei identificar e tão pouco explicar.
Não há expectadores, apenas eu e meu desconforto emocional repentino. Embora com os olhos lacrimejantes, amedrontada e apreensiva, procuro arrancar de mim este mau estar. A vida é efêmera, complexa e frágil. As minhas sensações e emoções estão desordenadas. Não é possível entendê-las e, contrapondo os conflitos de minh’alma, está o Criador a regar a natureza e a semear a esperança de dias vindouros. O que está acontecendo? Não estou sabendo lidar com os diferentes núcleos das minhas emoções.
Uau! Que trovoada estridente! Chuva, lágrimas, relâmpagos... De repente, como nos contos de fadas, o cenário se transforma. Desaparece a melancolia e surge uma alegria contida de menina sedenta de afeto e de carinho.
Com serenidade e com calma, olho, distraidamente, para o infinito e, num curto espaço, vejo-me a brincar na chuva quando garotinha. Levanto-me do sofá e vou à porta que dá para o pátio. Paro e olho para o céu carregado de nuvens negras e deixo-me envolver pela chuva que cai. Neste momento, lembranças e vivências da infância afloram. A garotinha sente-se dona de belíssimos sonhos e de fantasias; no entanto, a mulher madura, que ali está, encontra-se só e muito triste.
Continuei, por algum tempo, sem saber explicar e definir meus sentimentos; era incapaz de compreender o que estava acontecendo comigo. De repente, uma força interior diz-me para agir e, a passos lentos, deixo-me levar pela menina que renascera há poucos minutos. Sorrindo, corro para a chuva.
À medida que a água cai sobre o meu corpo, reencontro a minha essência.

Ilda Maria Costa Brasil
Porto Alegre - RS - Brasil  

 

 

Isabel C. S. Vargas

 

TEIAS
Por Isabel C. S. Vargas


O ser humano não foi feito para viver só e sim para conviver, partilhar experiências. É importante estabelecer relacionamento, formar teias que o mantenha ligado, entrelaçado com outros de maneira que ele possa circular entre estes ligamentos e deles extrair segurança e se fortalecer. Não para se sentir prisioneiro, mas para que possa se sentir firme e ser impulsionado para realizações proveitosas.
São teias formadas pela família, pelos parentes, pelo vizinho, companheiros de grupo, pelo colega de trabalho, primordialmente por aqueles com quem é possível fazer trocas sinceras, que produzam sentimentos bons, que façam o indivíduo se sentir e ser melhor, abandonando pessimismo, egoísmo, orgulho, e qualquer outro sentimento que produza efeitos negativos como mágoa, raiva, ódio, vaidade ficando mais leve para alçar vôos que permitam ter o espírito livre para conquistar a paz e alegria de viver.
É mais fácil quando o indivíduo está comprometido em viver e transmitir otimismo, amor em cada dia de sua existência. Não é fácil, mas para que isto ocorra é necessário estar bem consigo mesmo, satisfeito com o eu interior, com as próprias realizações, consciente de como deseja viver, das metas que quer atingir.
Só se abre para uma vivência compartilhada e que valorize o outro aquele que tem auto-estima satisfatória, que se sabe importante, único e reconhece a importância do outro. Este tipo de pessoa vive com generosidade, sem preocupação de estar sempre certo, de ganhar, pois o que deseja é ser justo, construir bases sólidas que tanto serve para aparar àquele que cai como para impulsionar quem deseja ir em frente com a segurança que tem conexões fortes para nelas se reabastecer, quando for necessário.
Para a existência desta teia é fundamental existir confiança, pois só mantemos laços com quem é possível confiar. Para confiar é necessário identidade, identificação, afinidade e, mais uma vez, auto-estima, pois só quem se crê confiável é capaz de confiar nos outros.
A teia é resultado de encontros, de amarras que dão sustentabilidade. É como uma rede em que todos os nós ou ligações são importantes e vão sendo feitos gradativamente, com paciência, com clareza,com desapego, com solidariedade e objetivo comum.
É resultado de como cada um quer viver: só, voltado para si mesmo, seus interesses particulares ou de forma compartilhada, reconhecendo que ninguém é perfeito, mas é único, digno de respeito e valorização.
Esta opção de vida vale para a vida familiar, como para os relacionamentos sociais e profissionais, não fosse assim não veríamos proliferar as redes de cooperação, as teias de solidariedade e tantas outras organizações sociais que se estruturam buscando uma melhor vivência em sociedade, mais solidária, mais humana.

Isabel C S Vargas
Pelotas - RS - Brasil
http://isabelcsv3.blogspot.com.br/  

 

 

 

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