FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Isabella Bonifácio Rios

 

A MENTE E A ALMA
Por Isabella Bonifácio Rios


A maior parte das pessoas preferem a manipulação da mente a da alma. Acredito que a diferença entre as duas seja notável. A mente é fria, palpável, sólida, facilmente dominável; A alma geralmente é incompreendida, ignorada, temida por demasiada impulsividade.
No geral é muito mais fácil lidar com pessoas transparentes, que sentem e se emocionam, confesso que são minhas favoritas. A maior parte da sociedade, por fim se conecta apenas com a mente e se torna previsivelmente fútil, preocupada com pensamentos alheios, calculam cada próxima ação pensando nos julgamentos que irão receber, como se realmente houvesse alguma importância nisso. O problema é não reconhecerem essa vida estagnada no supérfluo como algo ruim, e definitivamente é algo ruim! Pessoas mornas andando pela vida evitando seres em ebulição, evitando a vivacidade de pessoas inteiras. Aqueles cuja risada e carregada de desespero por suas almas vazias.
Acho que o ódio, o amor, a angústia, a ansiedade que, somente a alma é capaz de perceber é algo louvável. Não vejo graça em coisas vazias.
O extremo é muito mais convincente. A mortalidade é extrema e deve ser sentida de forma extrema, com rupturas, quedas, riscos, beijos de bom dia, sorvete de casquinha e todas as outras singularidades loucas que a vida nos concede.

Isabella Bonifácio Rios
Santo Antônio de Pádua - RJ - Brasil   

 

 

Izabel Eri Camargo

 

O MANÍACO DO CELULAR
Por Izabel Eri Camargo


A tarde estava ensolarada e as ruas do centro histórico da cidade Alegre repletas de pessoas, num vai e vem estonteante. Ele caminhava dobrando cada esquina, atento, observando os transeuntes nos diversos locais. Uns caminhavam apressados, outros de vagar olhando para o chão, muitos conversavam com seu par, em voz alta. Havia fila para o cinema, para os bancos e para os restaurantes, ele resolveu desistir de tudo. Entrou em uma livraria, observou muita gente falando ao celular, parecia falarem sozinhos, aquele zum - zum o incomodava, para análise das obras expostas. Depois de algum tempo, comprou o livro escolhido. Com o pacote na mão, caminhou de vagar, passeando e observando a rua. Avistou uma elegante cafeteria. Entrou. Solicitou uma taça de café e abriu o pacote, pensando fazer uma primeira leitura – dinâmica. Naquele momento, chegou um amigo de longa data que lhe fez companhia. Comentou sobre seu passeio e a compra do livro raro. Começou o bate papo com novidades de ambos os lados. Assunto havia de sobra. Os amigos conversavam saboreando o excelente café. O telefone interrompeu a prosa, mas o apreciador de livros transferiu a comunicação para mais tarde e desligou seu telefone. O centro da prosa passou a ser as operadoras da telefonia celular, incluindo a precariedade das antenas, danos à saúde e as conhecidas reclamações dos usuários. A conversa durou uns trinta minutos e o telefone do antigo amigo não deu trégua. Era uma chamada sem intervalo da outra e o amigo atendia a todas. O leitor começou a olhar seu livro, perdeu o encantamento do encontro e, sem demora, despediu-se. Saiu pensado ‘ parece a lei da atração, falamos tanto na telefonia que o celular passou a perturbar-nos.’ Resolveu retornar à casa sozinho, caminhando fora do movimento, por onde transitavam poucas pessoas. Porém continuou ouvindo conversa de homens e mulheres falando sozinhas. Que loucura! Vou me escapar dessa gente. Trocou de itinerário. O susto foi traumatizante, percebeu que um homem ainda jovem seguia seus passos, falando muito alto e gesticulando. Olhou, o moço alto de terno preto, não tinha nada nas mãos e ninguém por perto. Pensou: será alguma alma do outro mundo? Será um assalto? Trêmulo, com medo, atravessou a rua. O jovem o seguiu depressa e emparelhou com ele, que o encarou.
— Qual é o problema moço, o que o incomoda?
— Nada seu bobo. É o celular.
— Como celular?
— Estou conversando com a minha namorada.
— Onde está o celular?
— Ficou na casa dela. Entendeu? ? ?
Sufocado, com o coração apertado, entrou na primeira porta aberta. Respirou fundo e falou:
— Livrei-me do maníaco!

Izabel Eri Diehl de Camargo
Porto Alegre - RS - Brasil
www.caminhosdavida.prosaeverso.net

Izabel Eri Camargo- Embaixadora Universal da Paz- CercleAmbassadoeurs de laPaix, Genebra, Suiça
www.CercleUniver.AmbassadeursdelaPaix.com.br  

 

 

 

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