FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Mara Narciso

 

QUEM PRECISA DE AÇÕES CONTRA O RACISMO?
Por Mara Narciso


“O teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor, mas como a cor não pega, mulata, mulata eu quero o seu amor!” (Lamartine Babo, 1931)


O Governo do PT trouxe o racismo ao Brasil criando as cotas e o Dia da Consciência Negra, um dia dispensável, afinal não há racismo no Brasil. As pessoas de pele de cor escura nem são notadas, e quem as vê, vê apenas uma pessoa, não vê sua cor. São frases ditas por aí.
Ação racista na qual a pessoa negra, mulata ou parda é discriminada e prejudicada em função da cor da sua pele, ou a injúria racial, quando a pessoa é ofendida e humilhada em razão da sua cor não são banais e precisam ser punidas pela força da lei. Num país onde 60% da população se declara não branca necessita de ações afirmativas, e quem discrimina merece punição.
O comercial de uma empresa aérea passa na TV e você pensa, “o que esse negro folgado está fazendo deitado aí?” Você é alguém que acredita que os negros têm vergonha de ser negros e que querem ser brancos e para isso alisam seus cabelos e operam seus narizes. Não imagina que, devido à discriminação constante, permanente e diária imposta por séculos de opressão obriga ao ofendido disfarces necessários para ser mais bem aceito. O cabelo liso é vendido como a imagem da civilidade. É preciso amarrar, domar, prender, alisar. As atrizes que chegam a ser protagonistas são aquelas mestiças com traços de brancas. A única miss Brasil negra, Dayse Nunes, tinha tais traços. A pele escura era um detalhe exótico numa mulher belíssima.
Num outdoor há um grupo de meninos e um deles é negro, e lá está por lei. Frases do tipo “caso você não tenha preconceito, curte e compartilhe” apresentando criança negra com olhos verdes manipulados digitalmente, ou boneca Barbie de cabelos lisos e traços de branca. Isso é racismo às avessas, que ofendem e ampliam o preconceito.
O branco se sente superior ao negro porque uma raça escravizou a outra. Com a abolição dos escravos os negros foram jogados fora e os senhores bonzinhos aceitaram que os escravos libertos ficassem ali trabalhando em troca de comida. Passaram-se 125 anos e o que temos? Um racismo cordial, de puro discurso demagógico. “Eu tenho amigos negros que considero e trato muito bem”. “Eu acho o Dia da Consciência negra importante”. “O pior negro é o que nega a sua condição”.
Até quem queira defender os negros, se perde e acaba por se contradizer, como Fernando Henrique Cardoso que disse ser “mulatinho com um pé na cozinha”, ou Chico Buarque, que tem netos negros, e falou durante oito minutos que “nenhum brasileiro é branco”, como se, caso fosse, seria melhor do que os não brancos.
Os pardos, mulatos e negros, que passam por discriminação disfarçada de piada sabem que, em certas circunstâncias, se passar por “branco” é mais leve. Fugir do sol, usar protetor solar e maquiagem um pouco mais clara, alisar os cabelos, colocar luzes douradas, estar bem-vestido dentro de um bom carro podem alterar o tratamento recebido. O negro precisa se impor e ser muito melhor do que os demais para se destacar. Os brasileiros de pele clara pensam que não existe preconceito no Brasil. Na verdade, o que fazem alguns é praticá-lo com frases infames.
Olhar com estranhamento, mandar entrar pelo elevador de serviço, insistir em não tirar uma roupa da vitrine caso o negro não garanta que vá comprá-la, entender que Joaquim Barbosa é um herói apenas pelo fato de ser negro, achar que alguém de pele escura não possa ter dinheiro e poder, ou que a mulher negra esteja disponível são atitudes racistas. Premiar alguém negro como concessão, como gesto de boa vontade é racismo; fazer piada com características positivas ou negativas da raça negra é racismo.
No dia em que a população brasileira puder ver uma família negra na capa de uma revista de circulação nacional e nela não reconhecer a família de Pelé ou de Barack Obama ou de alguma celebridade, achando aquilo normal, então não se precisará mais de cotas e nem de dias de consciência nenhuma. Por enquanto, vamos com esses penduricalhos até então necessários para se falar e resolver precariamente o assunto. O negro não precisa de favores, apenas de oportunidades iguais, afinal “o lugar do negro é onde ele quiser!”

Mara Narciso
Montes Claros - Brasil  

 

 

Marcelo de Oliveira Souza - ( Som )

 

MOSQUITÃO
Por Marcelo de Oliveira Souza, IWA - ( Som )


Num desses subúrbios de Salvador, existe uma família muito especial, lá na Rua dos Prazeres, numa casinha verde e amarela, D. Silvia vivia com duas filhas - Brenda e Carla - em plena adolescência ela precisava muito trabalhar, pois o seu esposo . Cláudio, teve um grave problema de saúde por causa do grande vilão de hoje em dia, o Aedes Aegypti, estando internado com dengue hemorrágica.
Justamente ela, que trabalha como agente de saúde, teve gente de dentro do seio da sua família infectado com essa doença.
Mas o grande malfeitor dessa história não foi nem esse inseto asqueroso, foi o seu vizinho Mário, que teima em deixar água empoçada nos vasos de planta, ele e sua família costumam dizer que isso é propaganda do governo para vender remédio, mesmo com sua irmã Dulce acamada com a tal da Zica dos infernos!
Aquela rua dos prazeres já estava se transformando na rua do Aedes, enquanto uns tratavam o seu terreno adequadamente, tinham outros que seguiam a cartilha de Mário, inventavam um monte de desculpa para jogar lixo pela janela, a gente só via garrafinhas pet, tampinhas, copinhos de sorvete, tudo que não podia, sair pelas suas respectivas janelas, ganhando o mundo.
Maria e Chupeta eram as duas filhas de Mário, elas engrossavam a fila da falta de educação, como filho de peixe, peixinho é...
Só que na escola que eles estudavam, já estava fazendo campanha há muito tempo sobre essa problemática, a professora de ciências deles, Márcia fez um projeto muito legal e trouxe um monte de depoimento de pessoas que pegaram Zica, Cicungunya, Dengue e até trouxe uma criancinha com microcefalia, juntando a comunidade local para assistir tudo.
A nossa amiga agente de saúde deu um depoimento emocionante, falando da dificuldade de trabalhar com esses vizinhos que veem na Tv, que não pode jogar lixo pela janela, que deve-se cuidar do seu terreno, tirar água dos vasos, mas nem por isso eles fazem, disse que tem gente que pegou dengue três vezes, mas continua a deixar água empoçada, ainda por cima não deixa nenhum agente de saúde entrar em sua residência, fazendo pois, tudo errado.
Sua filha Brenda, que também estuda nessa escola, disse que seus colegas pensam da mesma forma e é muito difícil fazer a conscientização, porque no Brasil quem faz o certo é taxado como abestalhado, ou até de maluco.
A professora Márcia intercedeu e dizendo que não podemos deixar esse tipo de desânimo aplacar o desejo de reagir diante dessa epidemia.
Mário estava lá e foi logo levado à berlinda, sendo perguntado por que ele fazia tudo errado, pondo em perigo toda a saúde da comunidade, ele desconversou, dizendo que eram as meninas que faziam isso, Maria e Chupeta logo reagiram e ainda disseram que ele deveria ter vergonha que esse ato deplorável era exemplo dele e aí a confusão se instalou, precisou a diretora da escola interferir,
Diante de tantas imagens tristes: hospitais superlotados, criancinhas com microcefalia, frascos de insetos gigantes zunindo, até as pernas começaram a coçar.
As acusações mútuas se sucederam até que Carla, que não era de falar muito deu um grito:
- Cala a Boca mosquitão!
A baderna voltou, Mário saiu de mansinho, mas o apelido pegou e quando ele ia jogar algo pela janela tinha um zunindo, zunindo..
Ele já dormia pensando nesses mosquitos, era cada mosquitão maior do que o outro, chegava até sonhar que estava deitado, abraçado com um desses monstros...
Até que ele se tocou e terminou se consertando, até mesmo ajudando os vizinhos a cuidar de seus próprios terrenos, criando até um pomar num lugar onde só havia lixo e chorume, sendo um grande exemplo para todos os moradores daqui dessa cidade e de outras também, porque não basta união e esclarecimento, basta ter força de vontade e acreditar que juntos podemos melhorar.

Marcelo de Oliveira Souza, IWA - Pseudônimo: Som
Salvador - Bahia - Brasil
http://marceloescritor2.blogspot.com
Site do Concurso de poesias:
www.poesiassemfronteiras.no.comunidades.net
Face: psfronteiras

Marcelo de Oliveira Souza: Natural do Rio de Janeiro, formado na Universidade Católica do Salvador. Pós-graduado pela Faculdade Visconde de Cairu com convênio com a APLB/UNEB;Ganhador do Prêmio Personalidade Notável 2014 em Itabira MG ; Membro da União Baiana de Escritores; da Academia de Letras de Teófilo Otoni MG; da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências RJ; da confraria de Artistas e Poetas pela Paz – CAPPAZ; da Associação Poetas Del Mundo; do Clube dos Escritores Piracicaba SP; Da IWA International Writers & Artists EUA; participa de vários concursos de poesias, contos, publicações em jornais e revistas estaduais, nacionais e internacionais sempre conseguindo ser evidenciado pelos seus trabalhos louváveis; colunista do Jornal da Cidade, Debates Culturais, Usina de Letras, entre outros. Organizador do Concurso Literário Anual POESIAS SEM FRONTEIRAS e Prêmio Literário Escritor Marcelo de Oliveira Souza  

 

 

 

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