FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Marcos Antonio Lima

 

A MENINA DA REDE DE ARRASTO
Por Marcos Antonio Lima


Eis que outrora, muito antes de Monte Alegre se tornar cidade houve um tempo no Alto Sertão Sergipano, antagônico aos tempos atuais que nos amofinam, onde apenas existiam picadas de pernilongos e cobras. No ápice de seus belos montes, morava a vasta catingueira em seu paradigma a fazer contraste com a aroeira, a braúna, o mororó, o pau darco, e a bandola.
O arranhento branco era vizinho do pau de caixão, a imburana de cambão aconchegadinha da jurema. O caibero namorava a embira que por sua vez namorava com o cedro e o angico de caroço. Tudo em harmonia soberana e nostálgica na qual se podia ouvir o gorjear do Galo de Campina e do Bentiví.
O cântico do Corró do olho de fogo, da Asa Branca, do Três Potes, e da Juriti se faziam ouvir no horizonte em harmônica sinfonia com os demais pássaros. Toda essa mata também era o habitat natural da Onça Suçuarana, do Gato Macambira, do Gato Malha de Onça, do Caititu, do Veado, do Mocó, do Camaleão e do Tamanduá.
A fauna era riquíssima em repteis, do tipo jaracuçu preta, caninane e papa vento. Lar doce lar das venenosas salamanta e jararaca, da jaracuçu malha de sapo, cobra de cipó, cobra de duas cabeças e cobra verde. Com o passar dos anos, vieram algumas tímidas vielas que foram se aglomerado, e tomando forma de povoado circunvizinho a fazenda. Então eis que neste Povoado, “o qual” futuramente tornar-se-ia cidade morava “A menina da Rede de Arrasto”.
Tinha ela a pele morena da cor de canela. O corpo esguio e magricela segurados por cambitos secos e finos com “jeitão” de menino. Turrona, brigona e com muita disposição. Diziam que ela era muito mais afoita e desafiadora de que a maioria dos meninos.
Naquela época, o cotidiano era encontrar a meninada perambulando saltitante ao redor dos Tanques existentes na vizinhança. Havia tanques novos e tanques velhos, quão velhos que chegavam a ser arcaicos. Os quais serviam para o gado saciar a sede. Tinha a criançada, daquelas que buscavam algum peixe pescar. Uns por pura diversão, outros por necessidade. A sapeca garota deixava de ir à casa de Dona Milu para se juntar aos meninos na pescaria.
A Senhora Milu “uma linda solteirona” que não se sabe o por quer nunca ter sido casada era a professora que ensinava a cartilha e a tabuada. Aquele projeto de mulher em forma de criança gazeava aula para integrar a sua “turma de pescadores”. Alguns pescavam com as “mãos limpas” ou barbantes como “varas” na ponta um anzol, outros utilizavam varas improvisadas, ou velhos nacos de tarrafas, mas ela não! Aquela garota usufruía de sua criatividade. Confeccionava a própria rede com fios de náilon da velha tarrafa de pesca do pai. A sua rede era trabalhada artesanalmente e colocada pressa junto ao seu tornozelo.
Ela adentrava o “tanque” até ficar com água em volta da cintura, e saia arrastando seus cambitos, em cuja extremidade estavam os calejados pés puxando a sua “Rede de Arrasto”. Quando a espevitada menina de nariz empinado e ar superior saia na outra extremidade do tanque, a sua “improvisada” rede estava carregada de piaba, chupa pedra, jundiá, cará de lagoa, traíra e mandinho.
Esses peixes, por inúmeras vezes serviam de “prato principal” na alimentação de sua família. Era um tal de peixe assado na palha da bananeira, pirão de peixe, caldo de peixe e peixe com farofa. Mas era tanto peixe que dava dó, dos peixes, claro! A evasão escolar já não importava. Tudo valia à pena enquanto a fome era grande, e os mantimentos escassos.
Então a Menina da Rede de Arrasto começou a pensar nas histórias de sua Avó Marieta. Naqueles tempos, no Sertão de solo fértil não faltava milho nem feijão. Mandioca, batata e inhami tinham de montão. A vegetação era ampla e a flora milionária. Os riachos repletos de crustáceos; deliciosos camarões e pitus. Tempos bom aquele de Doma Marieta, chovia piaba no sertão e as serras eram de raspa dura.

Marcos Antonio Lima
Assentamento Nossa Senhora Aparecida - Brasil
(Amor em Versos e Reversos)
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Maria A. de Mello Calandra, Dra.

 

BRASIL DA IMPUNIDADE
Por Maria A. de Mello Calandra, Dra.


Não importa o regime político que tenhamos
a corrupção graça no seio de nossa sociedade.
Golpe de Estado, 1964/1968, os culpados foram os militares
e a falta de Liberdade de Expressão.
O povo foi às ruas, lutamos contra o Período Ditatorial e vencemos.
Saímos do FMI, nossa economia cresceu, tornamo-nos um país de 1° mundo, nos setores:
- industrial, comercial e pesquisas onde muito descobrimos, nos desenvolvemos, a inflação despencou.
A inflação tornou-se uma imagem do passado, arrancamos as algemas do FMI e o povo teve emprego, saúde e poder aquisitivo.
E agora?...
Aqui estamos nós os lutadores da década de 60 .Participantes dos Festivais Universitários, que apanhamos e fomos presos vendo esta Vergonha Nacional.
Muitos dos que apoiamos se afundaram e chafurdaram na lama do Poder e roubaram o povo que neles confiaram.
Surgiram os escândalos do “Mensalão”; “Petrolão”, “Lava Jato”, “Passe Livre” e quantos ainda virão?...
Nossas Empresas Nacionais, como a PETROBRAS, viraram carniça na boca desses traidores da Pátria.
Onde estão os nossos heróis? E a tão propalada Democracia Popular?
Os partidos políticos se multiplicam no Brasil, enquanto no USA só existem 2 partidos Democratas e Replublicanos
Será que vamos voltar à escravidão do FMI?
Até quando o Povo Brasileiro vai aguentar a corrupção que migra de um Período Ditatorial para um “faz de conta democrático”?
Por que não dividem o dinheiro que esta sendo devolvido aos cofres públicos para o povo, os fieis donos do mesmo, em vez de aumentarem taxas de eletricidade; saneamento básico, IPTU; IPVA; etc e enganam o povo com o sonho da“ minha casa minha vida”.
E o Poder Executivo distribui bolsa família, como os antigos políticos entregavam cédulas, em época de eleição, na década de 1940.
O que será desse nosso povo tão sofrido e explorado?
Dessa sociedade viciada em dar sempre “um jeitinho”?
Já tentaram observar a quantidade de Brasileiros que estão empregando suas economias, na compra de apartamentos e casas, em Miami e Orlando?
A corrupção parece um fungo malígno que surgiu no Brasil Colônia e nunca mais foi dizimado.
Essas prisões de nossos eminentes representantes,resolverão a situação da Corrupção Brasileira?
Quem tem dinheiro possui excelentes advogados e nunca reclusão virou tanta prisão domiciliar!
Os recursos juridicos, no Supremo Tribunal Federal, que nos parece hoje, em dia, o Poder Supremo Brasileiro.
Brasil “Gigante Adormecido” é Hora de Acordar.

Maria A. de Mello Calandra, Dra.
Mogi das Cruzes - SP - Brasil

Comendadora, advogada, escritora, poetisa, trovadora, cronista e poliglota
Presidente do Congresso da Sociedade de Cultura Latina – Secção Brasil, coordenadora da Revista Novo Liberal (10° Ano)
Cursos: CEL. DE ALMEIDA, WASHINGTON LUIZ, COLÉGIO SANTA INÊS, USP E UNIVERSIDADE MAKENZI, UNIVERSIDADE VISCONSIN (USA) E UNIVERSIDADE BOHN (ALEMANHA) CURSOS DE APERFEIÇOAMENTO
Obras publicadas: Uma luz no meu caminho Caminho (1989); Leonor a Menina que Amava a Natureza (1990) Momentos do Poeta (1991); Coleção com 4 Volumes (A Voz da Floresta 1993); Alegria 
 

 

 

 

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