FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Marta Avalos Ugalde

 

ANOCHECER
Por Marta Avalos Ugalde


El sol detrás del lapachar recoge cuchillos de sombras y amarrado a las entrañas del día derrama su color eterno, siento a mi solitaria presencia rodar cuesta abajo, abajo, donde la tierra duele y los rostros pasan corriendo como espectros, llevando alas plegadas y voces pequeñas.
Colgado del atardecer el aire gira y gira, como una emoción que pasa acariciando los últimos
verdores del paisaje, suspendido en sí mismo como olas navegando en el espacio.
Las sombras que se acercan, auguran extraños huésped , sumergidos en la piel de los árboles bajo los brotes del cielo, y en las alturas, largos corredores se extienden sobre apeñuscadas lenguas de vírgenes de furia que danzan como látigos, con piernas infinitas, mirando por última vez lo inenarrable.
La emoción que me abraza, terrible o quizás de consuelo, es como una larga espera que conserva el prestigio del pensamiento, es el tiempo del ensueño de la vida, el ensueño que transcurre durante el canto de un pájaro y el tiempo que sugiere el segundo infinito de la muerte. Aunque a veces siento que todo se derrumba en derredor, puedo escuchar música, escribir un libro y descubrir los sonidos de las historias del pasado.
Atrapada por esa quietud que me acompaña desde siempre, siento a veces que alguien se acerca, me toma de la mano y me habla con un lenguaje cotidiano, pero suave y delicado como un vino añejo, aunque a ratos tome el tinte oscuro de una sombra mitológica, entonces, la voz se vuelve un grito casi salvaje, que sacude y rasguña el alma.
En medio del entorno solitario, el aire gira y gira, mientras el paisaje ya ensombrecido se acerca a mis ojos queriendo penetrar en ellos y escrutar el alma, con enigmático gesto e impregnada de silenciosos ocasos, siento , la levedad del instante, como algo imperceptible y mágico , que navega dentro de mí, lento y seguro sobre torrenciales realidades...
Aunque solo sea una feroz metáfora.
Tan dulce y amarga.

Marta Avalos Ugalde (Poeta y Escritora)
Corrientes - Capital - Argentina  

 

 

Marta Reis

 

O MERCADOR DE ESTRELAS
Marta Reis


Noite de junho. O frio cortava minh’alma-ossos. Naquela praça andávamos de braços dados, eu e a solidão. Já éramos velhas conhecidas e desde há muito, entre nós se estabelecera uma parceria cúmplice. Pro nada, caminhávamos... De repente, no soslaio do espanto-encantamento, aquele homem eu avistei, rodeado de pivetes! Todos se aqueciam ao fogo de papelão recém aceso, quando me aproximei.
Com passos de desalento, caminhei sem hesitar, pois na vida, eu já perdera tudo! E me deixei hipnotizar por aquele homem que falava por enigmas, em língua que espocava brilhos e purpurina ao luar. Alguns mendigos, também chegavam. Geava no adentro-fora do mundo, então juntar-me àquela gente, era um jeito de me aquecer... Encostei-me ao tronco de um ipê quase seco. O frio também o fustigava, como tudo ao redor.
Sem dúvida, o homem era o centro das atenções. Certamente, de outras noites, já o conheciam. Esperançosos, aguardavam-no, enquanto ele se preparava, como para um ritual sagrado. Concentrado, ajeitou o seu turbante e pegou, solenemente, a sua gaita. Em seguida, mandou que fechássemos os olhos e começou a tocar... Eis que a música, aos poucos, ia nos penetrando, penetrando. Profundamente. Embriagados, obedecíamos ao seu comando. Com doçura, nos ordenou que levitássemos no rastro das estrelas, cavalgando o firmamento, pelas galáxias do além sonhar!...
Por quanto tempo?... Ah, não sei!... Mas foi o tempo suficiente para esquecer o frio, a fome, o medo... Lentamente, acordávamos daquele sonho, leves e calmos... Trazíamos fagulhas de infinito, faiscando no olhar. Assim, alguns partiram; outros, porém, dormiriam por ali mesmo, ao calor daquelas chamas. Quem pôde, deixou na caixinha alguns trocados. Dentre tudo, eis a surpresa maior: o homem era cego! Ele ganhava o sustento vendendo estrelas que ele mesmo, jamais contemplara!...
Deixei na caixinha minha oferta e segui meu caminho... Entre mim e a solidão, se interpusera agora o mercador de estrelas que nunca esquecerei! Naquela noite, ele me ensinou a cavalgar o infinito, na encruzilhada de meus descaminhos, onde me reencontrei.

(Menção Honrosa em um concurso Internacional do Projeto: Mulheres Emergentes)

Marta Reis
Contagem - MG - Brasil
Blogue:
http://martareisescritora.blogspot.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/MartaReisLiterature/?ref=hl

Professora / contista /escritora infantojuvenil
Embaixadora Universal da Paz pelo Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix - Suisse / France
  

 

 

 

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