FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Norália de Mello Castro

 

NO TEMPLO DOS MIL BUDAS
Por Norália de Mello Castro


Em Kyoto, naquele dia, ameno e ensolarado, lá estava eu em frente àquele casarão. Muito tosco, muito bordado. Um rococó genial.
Atravessei a grande porta. No salão, entrei recolhida em oração. Lá estavam, perfiladas, as mil estátuas de Buda.
Salão sem clareado, a respirar mais emoção. Mil estátuas do mestre que comandava o caminhar.
Lentamente fui passando. E procurando, em cada rosto, o meu rosto em Buda. A emoção crescia e eu procurava.
Será este o Buda que sou? Rosto raivoso, compenetrado. Ou aquele outro logo a seguir sem ternura, só contemplação.
Foi um longo e lento caminhar frente aos budas perfilados.
Qual seria eu? Precisava descobrir. Disseram que se me identificasse com alguma estátua, encontraria a felicidade.
Lentamente me procurava no Buda em que eu estivesse. Coração disparado sem encontrar o meu retrato.
Para conter a emoção que crescia, com alguma decepção, sem encontrar o meu Buda, avancei na direção da porta de saída.
De repente, lá na segunda fileira, na quarta estátua... tremi dos pés à cabeça. Lá estava eu, cheia de dores, resplandecida de perguntas mil.
Lá estava eu. Me olhei com olhar profundo, um rosto investigativo a sorrir. Alcancei a porta de saída, e, célere, me postei no jardim de areia.
Agachei-me e acarinhei aquela simetria feita em arte. Respirei fundo. Levantei a cabeça e encontrei o mais magnífico Buda a brilhar no céu.
O Sol me beijou ternamente. Eu, feliz, comecei a grande dança que faço até hoje. Emoção jamais apagada, tenho Buda no coração, para melhor conhecer o que de mim sai desde então.

Norália de Mello Castro
Belo Horizonte - MG - Brasil

Norália de Mello Castro é movida pela arte desde quando rabiscava desenhos com canetinhas. Formada em Ciências Sociais, essa mineira de Belo Horizonte, expandiu suas emoções em várias formas de arte. Em um dos livros mais belo que já li, Como não sonhar? Norália nos diz: “Noite e dia, transborda a palavra, em força do amor”. Por força desse amor, seus escritos transbordaram das gavetas e seu primeiro livro publicado em 1988, Rede de Pescador, foi o vencedor do prêmio Clube do Livro de São Paulo de 1986. Em 2010, já integrante da REBRA, Rede de Escritoras Brasileiras, publicou Passos na eternidade e outros contos, vencedor em 1988 do I Concurso Gralha Azul, de Curitiba, e o livro de contos e crônicas Apenas viva. Em 2011 passou a enviar poemas e prosas para a revista online Varal do Brasil, participando também dos livros antológicos. Em 2012 foi a vez do romance Realidade e sonhos ser publicado, e em 2014, do livro para reflexões Como não sonhar? Entre as inúmeras antologias das quais participou, no Brasil, Chile, Suíça, Uruguai, Portugal, tem especial carinho por Cartas para Francisco e Preces à Mãe Terra.   

 

 

Odete Ngola

 

CORAÇÃO ATLETA
Odete Ngola


No azul do imenso oceano pintei-te com as cores do meu sangue, para que o universo te distinguisse entre muitos, mas agora os versos são vazios e fechados, a musica parece amarga e sombria como se o vento te roubasse em tempestade com a força de um furacão e te Vaz, aos poucos tu te Vaz, então eu corro e corro para ti como um anjo de asas quebradas impossível de voar.
Não sei que terra piso, as palavras doces agora são palavrões que salpicam de meus lábios para amaldiçoar o destino e o mau tempo que te rouba, te leva e te afasta dos meus braços empobrecendo minha alma vazia.
Antes eu podia voar e agora te Vaz junto com minhas asas e só me resta sangrar e pintar-me do vermelho que verte das feridas que me causastes por dentro e por fora, como se o meu coração explodisse e se desfizesse em pedaços por lhe terem arrancado a vida.
Meu coração corre e corre, transformei-o em atleta para alcançar a ressonância do teu coração surdo que de longe cada vez mais me foge, estou cansada, magoada e ensanguentada mas minha alma corre para alcançar-te com meus olhos nos teus e ferir-te com amor que te tenho aos montes porque se te perco perco-me a mim mesmo.
Por isso eu corro e corro por mim e por ti com a necessidade de viver por nós, és minha passagem de ida ao céu ou inferno se quiseres, és minha poesia encantada e amarga por isso eu corro mesmo sem as minhas asas e com os pés marcados eu corro ate alcançar-te para viver de novo.

Odete Ngola
Lunda - Angola

Conhecida por Odete Ngola, nasceu a 22 de Março de 1990 no município de Belas-Lunda-Angola. É estudante Universitária pré finalista do Curso de Engenharia Informática, disine gráfico escritora e poetiza, pertence ao clube de Poetas e trovadores da União dos escritores Angolanos e a A.J.A.L( Associação Dos Jovens Amigos Da Literatura)participou das antologias lusófonas ENIGMAS e UTOPIA projecto SINAPIS editora em Portugal.  

 

 

 

Livro de Visitas

 

 

Clique aqui para ver todos os detalhes e estatisticas do site