FÉNIX

 

LOGOS Nº 19

MARÇO - 2016

 

 

 

Teka Castro

 

SUSTENTABILIDADE
Por Teka Castro


Afinal o que significa ser sustentável? Aproveitar o que a Natureza nos oferece sem comprometer as futuras gerações.
Mas fazemos isso realmente? Somos seres que visamos conforto, tecnologia, e acabamos maltratando nossos semelhantes, os animais e vegetais. Ferimos demais a vida.
Temo pelo amanhã. Temo pela ausência de vários seres vivos que se foram nós assassinamos. Pensar em ser sustentável é pensar num dos Mandamentos de Deus: “Ama o próximo como a ti mesmo.” Então, amamos ao próximo?
Sei que são muitas indagações que faço, traçando num simples pedaço de papel, aquilo que está em minha mente, mas a vida é assim, devemos saber preservá-la e temos capacidade para isso acontecer.
Em 2015, no Estado de São Paulo, Brasil, vimos a maior crise hídrica dos tempos, represas com grande escassez de água, rios por fios e ainda assim, pessoas lavavam calçadas com mangueiras, desperdiçando um elemento que vale mais que ouro. Sustenta a vida.
Hoje em dia, 2016, vemos uma crise da saúde, um mosquito, transmissor de três doenças que podem ocasionar a morte, e vemos nas ruas, nos quintais, em monumentos, acúmulo de água, e a larva se transforma. Enfim, o lixo jogado de qualquer jeito ajuda na proliferação e culpamos o governo, mas a culpa é nossa, deixamos o lixo de qualquer jeito.
Como ser sustentável, com tudo isso, são raros os que realmente buscam e fazem a vida ser mais linda, com técnicas energéticas, com manifestações legais à Natureza, temos que viver bem, e com qualidade, assim teremos e viveremos realmente a sustentabilidade.
Dedico este texto ao médico veterinário Ricardo Fehr Camargo da cidade de São Carlos, ele fazia o bem sem olhar a quem, e mesmo assim, pessoas o quiseram punir falando das obrigações de cobrança que o Conselho de medicina veterinária exige. E, dedico a Deonilde de Jesus Gonçalves Mendes, que me ensina a ser sustentável, cuidando do quintalzinho e das plantas dela.

Téka Castro – Tereza Cristina Gonçalves Mendes Castro
São Paulo – SP – Brasil.
http://recantodasletras.com.br/autores/tekacastro
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Teka Castro, é Tereza Cristina Gonçalves Mendes Castro. Formada em Química, pós-graduada na área da Educação, escreve desde os 11 anos de vida. Atualmente está readaptada devido a voz com disfonia, e atua como docente da área de Ciências e Matemática desde 1988 na SEE-SP.Participa de várias antologias literárias, a nível nacional e internacional. Está para lançar uma nova antologia em parceria com a Editora Oficina do Livro, junto com outras escritoras: A caminho do sucesso. Participando de várias outras obras literárias. Ama escrever e lecionar, ama a Família. Cristã-ecumênica. Ambientalista.  

 

 

Tere Tavares

 

SÓ QUEM NASCE PÁSSARO FERE O DORSO COM AS ASAS
Por Tere Tavares


Quando a incerteza lhe suga a umidade, a pele exala a sede dos passos, a descendência das colorações, das searas na erupção das sementes, o calor dos astros e o arrebol de raízes indizíveis, das fimbrias da terra. Como cascas para além das clausuras, vê-se, à mesa ligeira, um alvo minúsculo posto à prova.
É como o solo dos cardos apertando-se nos prados abertos a cada beijo fito nos mastros de ontem; como um tímido tumulto arfando sobre as tulipas. Desce desmedido o rosto de música vindo de longe, muito longe, estrada e casa. Em soluços ascende-se na inebriante presença do espírito absoluto. Parecer-se a algo para ser alguém, ser alguém para ser um, ou nenhum. E é calor perfumado e quase frio, orientando os arrulhos, o meio-dia que, aos poucos, o conduz ao silêncio que se diz e o dirá, se dará ou será, como se, ao olhar-se, revirasse a eternidade, ou tornasse as fábulas absolutamente reais, para prodigalizar cada segundo em magnífico ideal. Como um outro vindo de si para abrir trilhas e ver, depois, as manadas a pisar o mesmo pasto. Não necessitava adiar a urdidura do seu íntimo. A quem pertenciam afinal as trincheiras?
O fato de ainda respirar, a cinza das águas sempre obedientes à chama, ao cinzel corrosivo de uma alegria nunca sonhada, anunciavam-no qual aroma suspenso na língua silenciosa da erosão. Desocultava-se do encarceramento e simplesmente acontecia. Partindo os juncos, sem diminuir-se, no convexo da nuvem, como se tivesse livros na ponta dos pés, dando ritmos ao som das manhãs. Temia que lhe saísse, pela linguagem, o relicário da alma e fosse morar em drusas de névoa, em florestas irresistíveis, plenitudes, como se, ao dançar, se imobilizasse.
Vem para conferir a fome estonteante do traço, mas alguém lhe dá ciência do que está para além da cor e da forma. É a carne dobrada; o corpo desconexo que salta no escuro, dando-se ao tempo, à indeterminabilidade, à minimidade de tudo o que sente. Percebe e remexe, além do seu itinerário de ostra sem concha, a mina d’água cuja fortuna é somente escorrer dentro da sede: “Conheço-me só nessas gotas, nesses bilros conflitantes de borbulhas e membros doridos. Que acidez me cobre as feridas? Isento-me de tudo, sobra-me uma quase fuga ou desistência, o desencontro da sanidade para prosseguir como fui antes que me fosse infundida a perfeição das máquinas, o desagrado das gentes, os desenganos, a impossibilidade a me cercar, tolher, bramir, submeter. Sou córrego e planta, vitória-régia, ninfeia, limo aguçado a porfiar-me de petúnias, voz clandestina, digna e repleta, que habitam as mãos nuas e cabisbaixas, solo a par do solo... colho a poeira, a dança no escuro, o que restou no desencarceramento da ternura, único círio cuja chama não se dissipa nem adormece, e vem banhar-me, isento de faces. O céu geme o meu silêncio, a metáfora inconclusa que de mim transborda”.
Distraem-se a mente e os soluços nas denúncias do inverno, no perímetro do tempo que, colorindo-se de vácuo, sorvem a flor comunicante que não finda quando eclode, em secura de fontes e seivas, na biologia dos diálogos imperceptíveis, nas dores insistentes, como se lessem as pétalas e pintassem farpas nas tranças, num debrum oxidado de luas – matriz de ar e de crepúsculo. Ele é os desencontros pretéritos, esfumados em palavras invisíveis que a liberdade tece numa voz de elo, e, no calor difuso das geadas, descobre que o segredo é invadir a estranheza das coisas.
Ele planta as cores que não cabem na ânfora ao obedecer à sinuosidade do amor – no matiz gradual dos olhos, o pulsar do impulso de proferir-se, como se, em suas espáduas, tatuasse algum sentido inusitado. A sua alma é também o mundo – ninguém a difere do que é. Exceto a armadura de sonhos que jamais deixa de ser o lado em que nasce inteiro e seguro de si mesmo. Quando então acorda próximo aos caules do ocaso, à sincronia ardente e silenciosa cicunscrita nas migalhas nunca proferidas, sorrindo seus reflexos à lingua exangue d'água – para, e só assim, compreender que a descida é posterior à escalada.

(do livro "Vozes & Recortes" Editora Penalux 2015)

Tere Tavares
Cascavel - PR - Brasil
http://m-eusoutros.blogspot.com.br/  

Tere Tavares, escritora e artista plástica, radicada em Cascavel, PR, BRASIL, autora de cinco livros publicados "Flor Essência" (poesia 2004), "Meus Outros" (poesia e prosa 2007), "Entre as Águas" (prosa 2011), “A linguagem dos Pássaros” (poesia Editora Patuá 2014), “Vozes & Recortes” (prosa Editora Penalux 2015). Participante de quatro coletâneas editadas em Portugal: "A arte pela escrita III" (2010) "Cartas ao Desbarato" (2011), "A arte pela escrita IV" (2011) e “A arte pela Escrita VIII” (2015). Conta com trabalhos de prosa e poesia publicados nas Antologias Febraban ( 2007) e (2009. Integra as Antologias: “Saciedade dos Poetas Vivos” Vol 11 (2010) do portal “Blocos onLine”, “Contologia” da Revista “Arraia PajeurBR 4, (2013), “Antologia Poética 29 de abril o Verso da Violência" (Editora Patuá 2015)”, “Sobre lagartas e borboletas” (Selo Editorial Scenarium (2015) e “Aquafúria - Uma antologia de Poetas Sedentos" (2015).
Possui publicações em sítios da Internet: “Cronópios”, “Histórias Possíveis”, “Blocos on line”, “Musa Rara”, “Diversos Afins”, “Germina – Revista de Literatura e Arte”, “Revista Grito”, “Escritoras Suicidas”, “Mallarmargens – Revista de poesia e arte contemporânea”, Revistas “Fénix-Logos”- PT, “EisFluências”- PT, “Soletras” de Moçambique, “Acrobata” número 4, de Teresina-PI. É colaboradora do blog “Dardo”. Participa do portal lusófono litero-artístico “EscrtArtes”. Integra a Academia Cascavelense de Letras.

 

 

 

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