FÉNIX

 

 

LOGOS Nº 21

JULHO - 2016

 

 

 

Ana Cláudia Martins Ziani

 

 

CARÊNCIA
Ana Cláudia Martins Ziani 


A carência nos faz amar
quem não é amável
A carência nos engana
sem nos importar
A carência é saber
sem querer ver
A carência nos faz sorrir
enquanto o coração chora
A carência é a inconsequência
por perca de amores
falência de valores
A carência é amar sem amor
sentença sem rancor
com o sorriso da dor
A carência nos faz flutuar
em um ar escuro e imaginário
A Carência,um sopro de vida
num coração esquecido
é a consciência sem referência
A Carência é não contrariar
é fingir acreditar
com o medo de errar.

Ana Cláudia Martins Ziani
Santa Maria - RS - Brasil

 
 

 

Ana Dias

 

 

VARIAÇÕES COM MOTE DE NICOLAU TOLENTINO
Ana Dias 


Mote

 “Fiei-me nas promessas que afectavas
Nas lágrimas fingidas que vertias,
Nas ternas expressões que me fazias
Nessas mãos que as minhas apertavas


(Soneto Cegueira de Amor, Nicolau Tolentino)

 

Glosa

Confiava no amor que me davas…
Eterno, sincero ? tu lo dizias…
E, crendo nas juras, que me fazias
Fiei-me nas promessas que afectavas

No tempo, breve, corriam os dias
Querendo-te, amei sempre com ardor…
Mas não tiveste ponta de pudor
Nas lágrimas fingidas que vertias

Acreditei que nunca te cansavas
Desta paixão, louca, em que me iludias
Nas ternas expressões que me fazias
Nos momentos em que me namoravas

Agora, desse outro tempo tão fora,
Quero esquecer como tu me mimavas…
Nessas mãos que as minhas apertavas,
Levaste tudo contigo embora


Ana Maria Dias
Vale Vite - Vimeiro - Portugal

 
 

 

Ana Isabel Rosa

 

 

A INCONSTÂNCIA DAS PALAVRAS NA VIDA
Ana Isabel Rosa 


Palavras…
Por vezes são tão maliciosas que ferem a alma.

A inconstância das palavras na vida
Traz no seu interior a falta de um abraço,
A dúvida no desconhecido
Disfarçado na meia-luz de um dia concluído.

Conduz um sonho descalço desenvolvido no pensamento
E estaciona-se no ruído do cansaço
Na fantasia de um momento.

Afrontam a própria existência
Que às vez se deixa afundar em vazios tão cheios de nada…

Mas é preciso saber ler nas entrelinhas de cada rosto.

Porque na falta das palavras encontram-se atitudes
Que dão velocidade à frase que não pronunciada
Surge do nada…

E, nestas fracas e débeis posturas apenas sobra um sinal.

Que a humanidade nunca estará apta para metamorfoses
Que possa obrigar a desprender a incoerência
Que existe no vazio da essência, de alguns…

Uma palavra dita de forma errada
É colhida tão depressa como a que se entrega
Sem que seja necessário pagar por ela.

E quando já nada parece fazer sentido
Inegavelmente a existência toma contornos dispersos.

Procura espaço para desenvolver uma nova forma de vida
Para poder entender os dias que erram!..

Ana Isabel Rosa
Ponta Delgada - Açores - Portugal

 
 

 

Ana Paula Costa Brasil

 

 

TE AMAR!
Ana Paula Costa Brasil 


Não posso andar sem parar.
Parar e voltar...
Chegar sem ter onde ficar,
voltar a andar
e ir sem querer voltar;
ir sem querer chegar
e ir sem ter porquê voltar;
ir sem saber como chegar;
chegar sem saber como devo voltar,
mas não consigo ir e voltar;
voltar não dá mais.
Nunca deixarei de ir para esse lugar,
de onde nunca pude deixar de amar.
Sem nunca ter de ir,
sem nunca ter de voltar;
canso-me de tanto ir e voltar;
voltar sem pode um dia chegar
a esse lugar para poder te amar.
Te amar sem voltar,
Te amar sem ir
e poder ficar para sempre te amar,
te amar como agora, mas sem parar,
sem parar de ir e de voltar.

Ana Paula Costa Brasil - Brasil
em Richmond Hill - Ontario - Canadá

 
 

 

André Anlub

 

 

DOS DESVELOS (como som melancólico que segue invadindo)
André Anlub


Até coloquem palavras em minha boca... Mas que nasçam poesias.
Abrasador ao íntimo – sem dor – toca e preenche e compreende ao completo;
Na mais alta altitude que o anseio ressoa, e é tênue e desconcertante.

Toda uma terra estremece em todo o corpo que balança
E merece o céu no sol e a luz da lua na luz do teto do tato e do tudo.

Namoro e sinto e choro e aprovo e comprovo o sopro e aguardo, e você.
Mas é mais mar que observo e sou servo ao todo... E amo.

Vem, vem como variante, pé e pé, paz e paixão, marcando no solo – selo;
Como ao chão e ao sentimento é um sucinto sinal sagrado, afetuoso,
Pois não censura, nem corta nem cura, o soco solitário do colosso:
O banho ao calor em chamas, supina alma à sua presença... E amo.

Solos secos castigados, que fenderam em frangalhos de raios antigos...
Ficam no aguardo das águas em rios em milagres em lágrimas em circo em cio...
E vieram e vigeram e ficaram e fincaram... E amo.

André Anlub
Crato - CE - Brasil
http://poeteideser.blogspot.com.br/


André Anlub é Artista Plástico com tela no MAC (BA) • Autor de 5 livros: "Poeteideser", trilogia Poética "Fulano da Silva", “Sicrano Barbosa”, “Beltrano dos Santos” e "PurO OsSo - duzentos escritos de paixão"; coautor em 50 livros e 20 e-books • Membro imortal da AACLIG e correspondente da ALB (BA) (SP), ALG (GO) e do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa (PT), Medalha Personalidade 2013 (ArtPop), Comenda Excelência 2014 (Braslider), entre outros títulos.

 
 

 

 

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