FÉNIX

 

 

LOGOS Nº 21

JULHO - 2016

 

 

 

António D'Araújo

 

 

TUDO TEM SEU PREÇO
António D'Araújo 


Será que é justo o farto, penoso
e inevitável lado oposto do que queremos.

Até quando conseguiremos nos afastar
dos nossos desejos, apenas para evitar
o oposto dos nossos gostos.

Com o carro vem o combustível, IPVA, seguro
obrigatório e a manutenção.

Com a casa vem os móveis, a decoração,
o IPTU e as desastrosas reformas.

Com a esposa vem a sogra, TPM, Shopping
Center, Cartão de Crédito estourado e
finalmente a perda do tesão.

Com seu melhor e fiel amigo, o cachorro,
vem a ração, o veterinário e os dejetos...

E assim vamos destilando as nossas
necessidades de cada dia, tentando fugir
ao máximo do oposto dos nossos gostos.



AMAZÔNIA
António D'Araújo 


Enfileirados em busca de harmonia e equilíbrio
Ouvimos os inevitáveis gritos
Que ecoam da nossa imensa floresta
Tentando salvar o que lhe resta de esperança
Da eterna dança da alma do mundo.

Sendo consumida pelas chamas
Da hipocrisia nossa de cada dia.
Onde a cultura do destruir é mais valiosa
Do que o plantar de um novo sonho.

E entre lágrimas e sussurros de dor
Da incapacidade de renascer a cada dia
Só lhe resta a imensa agonia
Do ronco dos motores
A alastrar as dores da devastação.

Ao som das canções dos ventos,
Esperamos novamente um momento
Em que nos traga a paz de nascer, crescer e morrer
Apenas com a ação do inevitável tempo.

António D'Araújo
São Bernardo do Campo - Brasil

 
 

 

Armindo Loureiro

 

A FLORA DAS SERRANIAS…
Armindo Loureiro 


Na bela Serra do Açor
Contraforte da Estrela
A paisagem é um amor
É para mim coisa bela
É uma flora importante
Com a beleza das cores
Um olhar naquele instante
Tira de nós todas as dores
São as cores do arco-íris
Que abundam na serrania
São tão belos os sentires
Eles me enchem de alegria
São flores tão bravias
Tal e qual algumas mulheres
Eu não sei se tu sabias
Há flores que também queres
Um aroma tão perfeito
Que me deixa refrescado
Às vezes até sem jeito
No momento que me é dado
Só lamento não ser o Marão
Essa Serra que daqui vejo
Descoberta é uma ilusão
Numa flora que não ensejo
Os incêndios assim fizeram
Que a Serra ficasse nua
Coisas mais aconteceram
Nesta vida que é tão crua
Ninguém condena ninguém
Pelo mal que nos fazem
As conveniências são d’alguém
E os males em nós jazem!

Armindo Loureiro
Marco de Canavezes - Porto - Portugal

 
 

 

Augusto Tchudá

 

 

PALAVRAS
Augusto Tchudá 


Palavras, São palavras
Estendidas em papeis quão nossas lavras
Palavras que me ensinaram a cantar
Mas também me ensinaram a chorar.

Palavras que de vós aprendi
Que da memoria jamais perdi
Que nem tanto compreendo
Por muito que depreendo.

Palavras angustiantes
Palavras vazadas em cemitérios pendentes
E que lamuriam em momentos desvastantes.

Palavras da voz do homem
Que jamais paramos dizer amem
Em nome do senhor todo-poderoso, amem.

Augusto Tchudá
Guiné - Bissau


Cônsul Internacional do MUC

 
 

 

Beki Bassan

 

 

AMOR VIDA DA ALMA
Beki Bassan 


Para que a nossa alma viva,
é preciso existir amor...
Ele é uma peça fundamental.
Ele é o fiel da balança do nosso ser.

O coração é o melhor instrumento
para medir o estado da nossa alma.
Se não estamos bem, ela fica triste,
mas se estamos felizes ela grita com alegria.

Não existe ninguém que não ame alguém...
Pode ser filho, pai, mãe, namorado, amigo, amante,
a qualificação não importa.
O que importa é a força do amor sentido.

Antes de falar alguma coisa,
que seja em desacordo com o amor,
pare, pense e faça uma reflexão,
você verá que já amou alguém.

E quando permitiu que esse sentimente
dominasse a alma,
certamente sentiu alegre, leve, feliz...
e há de concordar que o amor é a vida da Alma.

Beki Bassan
Rio de Janeiro - Brasil
www.bekibassan.blogspot.com.br

 
 

 

Benedito Dimas Ferreira

 

 

SEU ALFREDO
Benedito Dimas Ferreira 


Na poesia que ora se apresenta,
para a minha mãe eu escrevi.
Ela que já passou dos oitenta,
concordou com tudo que eu li.

Seu Alfredo:
Meu amigo,
me diga sem medo
sobre o que eu tenho escrito.

Sou mãe e avó,
e por meus filhos e netos
eu sinto muito amor.
Com o talento explorado sem dó,
um filho já é escritor,
e o lindo netinho da vovó
será um jogador.

Sou uma senhora que tem fé e esperança.
Para a minha família eu peço a Nosso Senhor:
Saúde, proteção e segurança.

Que o talento dos meus
não incomode a ninguém.
Que cada um desenvolva os talentos seus.
E que ninguém persiga o outro
por aquilo que ele tem.

Todos têm competência.
Que não haja inveja,
pois temos inteligência.

O meu filho reza na igreja
que não é em Atenas,
mas é um grande templo.
O que ele quer apenas
é ser um bom exemplo.

Seu Alfredo:
Muito obrigado por tudo que você fez.
Se o Benedito escreve tão bem,
é por causa do português.

Ele escreve com dom
quase sem pensar, e com amor.
Hoje ele revela a todos
quem foi o seu professor.

Benedito Dimas Ferreira
Taubaté - Brasil

 
 

 

 

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