FÉNIX

 

 

LOGOS Nº 21

JULHO - 2016

 

 

 

Isabel Furini

 

 

REENCONTRO
Isabel Furini 


Areias de recordações,
a avó vasculha álbuns desbotados
nas estantes de madeira e solidão
e resgata fotografias e lembranças.
A idosa liga o computador e sua alegría
é imensa,
pois reencontra um antigo namorado.

Rodeada pelo ego(ísmo) familiar,

açoitada por tornados (des)ordenados,
a idosa dança com os pés descalços.

O horário do encontro já está marcado.
As lembranças cantam uma canção.
Ela sorri ao ver o antigo namorado
e pensa: A vida é um mistério.
Além dos desencontros, o amor respira no silêncio.

Isabel Furini - Argentina
em Curitiba - PR - Brasil


Isabel Florinda Furini é professora, poeta e escritora. Sua paixão é a poesia. Seus poemas foram premiado no Brasil, Espanha e Portugal. Em 2009 participou da exposição Um olhar poético sobre expressões artísticas, no Centro Cultural Ítalo Brasileiro Dante Alighieri, em Curitiba. Seu poema O poeta, foi escolhido para o Projeto Leitura no Metrô de Belo Horizonte (MG), e participou do programa A tela e o Texto, da UFMG, em 2008. No ano seguinte teve um poema selecionado no Concurso Poemas no Ônibus e no Trem, de Porto Alegre (RS). Publicou 30 livros, entre eles, o livro de poemas "Os corvos de Van Gogh". É membro da Academia de Letras de Araraquara

 
 

 

Isadora Velho da Costa

 

 

O TEMPO
Isadora Velho da Costa 


Um ano, um mês, uma semana, um dia,
uma hora, um minuto, um segundo,
um instante neste mundo.
Num momento, vive-se no outro;
sobrevive em outros nem se sabe.
Para muitos, a vida dura
uma enorme eternidade;
para outros, na verdade,
não passa nem da metade.
A vida está aí: linda, feliz e difícil,
com medos para se superar
e verdades para se descobrir,
com muitos caminhos pra se seguir,
basta ter a coragem pra nunca desistir.

Isadora Velho da Costa
Estância Velha - RS - Brasil

 
 

 

Issis Antunes

 

 

VIOLÊNCIA HUMANA
Issis Antunes 


Bom bancar Deus
Ter o destino de outra pessoa em sua mão
Bom manter a escravidão
Fragilizando outra pessoa
Um tapa não dói em quem bate
Também não dói uma palavra maldita atirada feito flecha
Que fere e corrói a alma
Um tapa, um murro
Mas vai além da carne.
Crava na alma uma dor insuportável.
Gerando medo
Gera insegurança.
Baixa estima ...morte em vida
Um dia refém de uma pessoa maligna.
Causa um estrago enorme
Imaginem dias , meses anos
Ao lado dessa pessoa
Que te tortura moralmente ,
Te acusa querendo que você
Confesse o que não fez
E você ora , reza mas quem te salva ?

Alguém que foi eleito por você para proteger.
O príncipe se tornou monstro.
O pai amado se tornou louco
Traumatiza todos os filhos monstro.
Que adultos reproduzem a mesma violência do pai
A mulher chora.

A criança chora.
E o choro maior vem de dentro por não ser ouvido...
Ninguém se importa nem sabe com o que acontece dentro
Quem assistem, nada faz silencia se cala

O lar não me mais seu cantinho de paz , de amor
É um lugar torturador onde só existe o terror e o desamor
Respeito não existe só um cativeiro e reféns
Eles não podem pedir socorro e se pedem
sua voz não é ouvida , ninguém quer se envolver

Até quando tanto mal vai ser permitido?

E tantas marcas vão ser feitas no corpo
E na alma sem que ninguém impeça.

O príncipe / monstro continua a dominar e não morrerá.
E as criança dormem tranquila.
E quem cala consente.

E quem consente ratifica os planos do Diabo... .
Tenham humanidade ninguém merece sofrer

Se proponha a impedir a morte de mais uma mulher...

E muitas mais que andam pela vida como mortas.
São escravas, mercadorias sem vontade própria

Porque não tiveram quem as visse quem acudisse... ... ...
Ou você acha que mulher gosta de ser mulher de malandro
Que gosta de apanhar todos os dias , acha ??
Entre quatro paredes seu olhos nunca verão o que se passa

Por humanidade ajude a acabar com isso
Não fique de mãos atadas
Nunca se sabe quem poderá ser a proxima vítima

Poderá ser sua irmã, mãe ou sua amiga.

Não cruze os braços faça alguma coisa ... . .
Tolerância zero para a violência contra as mulheres.

Issis Antunes
Sorocaba - SP - Brasil

 
 

 

Ivan Braga

 

 

CANÇÃO DE NINAR
Ivan Braga 


“ O tempo não apaga, só adormece”...
Quero que me afaga
Entre beijos
E abraços
Sem lampejos,
Como em prece
Estreitem esses laços
Que unem nossa raça
E quando chegado o outono
No cinzento dos anos vividos;
Cabelos embranquecidos,
Mão trêmulas pele rugosa
Voz distante
Passo vacilante
- Lembrem-se de mim,
Sem graça.
Apenas digam assim:
Nasceu! ...viveu! ...
E num eterno adeus
Foi-se para Deus.
Não quero choro,
Porque é agouro
Só quero flores
E vela
Numa capela
Abraçando
Cantando
Sem rumores
Uma canção de ninar.

Ivan Braga
Taguatinga - DF - Brasil

 
 

 

Ivan Cezar Ineu Chaves

 

 

FOGO DE CHÃO
Ivan Cezar Ineu Chaves 


Eis que arde um fogo de chão
Já há mais de cem anos
Que a fogueira ali se cria
Na Fazenda do Boqueirão
Ele já viu nascer muita guria
Em mais de mil trocas de panos
Aquecendo toda noite fria
Foi testemunha da renovação
Atrai gaúchos e castelhanos
Pelo mito que a chama cria
Brasa mansa ou toco em fúria
Que orgulha uma povoação
Queima lentamente a incúria
E imune aos limites humanos
De Onde Sou seja noite ou dia
arde em chamas a tradição !

Ivan Cezar Ineu Chaves
São Sepé/RS/Brasil

 
 

 

 

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