FÉNIX

 

 

LOGOS Nº 21

JULHO - 2016

 

 

 

Jereh Muniz

 

 

AMOR MESTRE
Jereh Muniz


Mestre?...
Por que as urzes conotam-se
ao ventre das pedras?...
Por que ama filho!...
E se dão conta?...
Ora filho e o Amor
não se dá?...
Mas Mestre, o que é
o Amor?...
São as urzes!...
Então as pedras não é o Amor?...
As pedras é o Amor!...
O Amor é o Mestre, é o
filho, idem pedras e urzes!...
Mestre?...
Por que é Mestre?...
Se forem as urzes, as pedras,
o filho e em tudo isso se dar,
então serão o Amor,
e o Amor é o Mestre!...
Acaso então as pedras
também notam-se ao
ventre das urzes?!...
Assim como a propícia
oportunidade a resposta!...
Onde não há resposta não
há Mestre!...
Portanto, será que há o Amor?...
Ainda mais nas profundidades
das coisas!...

Anoiteceu.

O Mestre foi ao outro lado
da Terra ter com outras urzes
e outras pedras que houvesse
e as urzes e pedras de cá ficaram
com o filho que ornava dia a dia
a ser Mestre.
Eis que Amor crescia no ranço
Quente do solo.

DE QUEM AS SÃO
Jereh Muniz 


De quem as são?
Do ébrio fúnebre,
Da mais linda,
Da mais feia.
De quem as são que colore?
Dos jardins em espinhos,
Da coroa que espinhos não têm.
De quem as são tão perfumadas?
Da fachada fina,
Da fachada singela,
Do mero abrigo e pobre fachada.
De quem as são tão mais variadas?
Do campo em pedras e verde,
Das gentes em pedras cativantes.
De quem as são?
De quem são estas flores

 

Jereh Muniz
Itatiba, São Paulo, Brasil


Jereh Muniz, pseudônimo de Jeremias Muniz Câncio.
Participou de concurso de poesia, colaborador de trabalhos escolares a amigos dado a sua facilidade de montar texto sob titulo.
Embora não tendo suas poesias e pensamentos filosóficos publicados oficialmente não abandonou tal necessidade de preencher os vazios cumprindo o que pedia suas inspirações que já desde adolescente quando surgiu seu primeiro poema.

 

 

João Baptista Coelho

 

 

MIGALHAS
João Baptista Coelho 


Cada gesto de ternura;
Cada palavra de amor;
Cada frase da leitura;
Cada folha duma flor;
Cada centelha de Sol;
Cada imagem dum altar;
Cada tarde em arrebol;
Cada noite de luar;
Cada muro que se abate;
Cada esmola ao mendicante;
Cada sinal de resgate;
Cada salmo que se cante;
Cada maré fugidia;
Cada onda sobre a areia;
Cada filho que se cria;
Cada sonho em maré-cheia;
Cada caneta que escreva;
Cada conta em cada terço;
Cada gota na resteva;
Cada palhinha num berço;
Cada dádiva de sangue;
Cada prenda, mesmo escassa;
Cada alívio ao ser exangue;
Cada afago que se faça;
Cada poema inventado;
Cada quimera crescendo;
Cada malha num rendado;
Cada ponto num remendo;
Cada graça que se oferta;
Cada relento no grão;
Cada porta a outro aberta; ...
... Tudo ... migalhas de pão!


João Baptista Coelho
S. Domingos de Rana - Cascais - Portugal


João Baptista Coelho, nasceu em Lisboa, em 29/4/1927. Iniciou o seu percurso de poeta apenas em 1984, , passando a ser habitual concorrente de Jogos Florais, contando no seu "palmarés", até Agosto/2015, com mais de 1500 distinções que lhe foram atribuídas. Tem sete livros de poesia publicados e mais catorze aguardando publicação. De entre os galardões que lhe foram atribuídos, contam-se o "Prémio Políbio Gomes dos Santos" - (2001/Ansião); o "Prémio Universitária Editora" - (2006/Lisboa); o "Prémio CGTP/IN - (2008/Lisboa) e o "Prémio Bocage" - (2011/Setúbal).
No ano de 2004 o Município de Cascais agraciou-o com a "Medalha Municipal de Mérito Cultural".

 
 

 

João Carlos Hey

 

 

MOCINHA NA CAPELA
João Carlos Hey 


- Seria ela uma sobrinha do padre,
ou a neta mais nova do prefeito?
- Nada disso importa, minha comadre,
tudo que eu via nela era bem feito.

- Rezava sozinha, nunca contigo,
também só na fila da comunhão.
- Não tinha olhos para mim, meu amigo,
nem a voz ouvia do meu coração.

- Sofreste, filho, querendo-a demais,
sem saber que a outro estava prometida.
- Por que então não me ajudastes, ó Pai,
livrando-a da promessa mais antiga?

Não sabia do meu amor o tamanho
a mocinha linda que eu via na capela,
de branco véu nos cabelos castanhos.

E ainda hoje eu não sei o nome dela...


João Carlos Hey
Curitiba - PR - Brasil


Nasci e vivo em Curitiba, estado do Paraná. Vim ao mundo em junho de 1949 e ganhei o pão como economista. Ao me aposentar, cansado da aridez dos textos técnicos, passei a contar em prosa e verso histórias que eu vivi ou ouvi. E outras que eu invento.
Publicações:
Participação - Os Cem Melhores Poemas do TOC140, Festa Literária Internacional de Pernambuco, poema Tweet ao Bom Francisco (Carpe Diem 2013).
Livro - Botões de Hibisco Branco e Outras Histórias (Amazon 2014).
Site - Recanto das Letras, desde 2011, com 251 textos publicados, entre contos, crônicas e poesias (http://www.recantodasletras.com.br/autores/joaocarloshey).
Revista Benfazeja (digital) - A Mulher do Vizinho de Praia - Ano 5 V.08 2014 Edição 42.
Revista eisFluências (digital) - Noites de Junho - Ano 6 - Número 16 Suplemento

 
 

 

João Coelho dos Santos

 

 

MULHER
João Coelho dos Santos 


Mulher é encantadora
Quando solta sua voz acariciadora
Ou derrama lágrimas doridas, salgadas.
Cada braço seu é asa protetora.
Ora encanta com a alegria das flores,
Ora oculta lastro de tristeza na voz.
Tem feitiço cruel, sedução e encanto.
Mesmo que atordoada,
Segura o leme
E afoga o pranto.

Qual naufrágio passam as coisas e os instantes.

Mulher embala felicidade, derruba muros,
Constrói pontes reais ou de fantasia.

Imbatível e audaciosa, seu mundo
É encantado, enfeitiçado,
Pelo feitiço de seu encanto.

Cansaços e frustrações não afogam
O delírio de ser e de viver da mulher.
Tem esperança em qualquer espera
E, com meigo sorriso envolto
De oníricas melodias e melancolias
Esparge carinho e desfolha o malmequer;
Voam pétalas nas ondas do vento.

Sabe que, por vezes é pesada
E dura a mão do destino.

Coragem, não descreias,
Continua a lutar!
Afasta o cansaço da vida,
Não feches a janela ao sonho!
Mesmo na desarmonia do silêncio.
Tu, és a fonte da vida,
Tu és Mulher!

João Coelho dos Santos
Lisboa - Portugal

 
 

 

Joaquim Cabangue

 

 

MINHA ÁFRICA
Joaquim Cabangue 


Teus calcanhares despidos
Cada passo cinco pedidos
Choras teus filhos desaparecidos
Muitos escodidos e vendidos

Por ti acendo a fogueira
Lembrando a vida da era...

Amargurada pela febre da pobreza
Esperançada no colorido da natureza
Ergue os escombros com firmeza
Es o meu côlo de certeza

Por ti a minha honra arrisco
Mãe acolhedora do pobre e do rico

Sopram ventos indicisos
Do norte ao sul pedem teus sorrisos
Serena desconfiada para passos concisos
Acolhes os precisos

Por ti estendo a minha humildade
Meu futuro casa com a tua felicidade

Hoje desfilas as missangas do norte
Teu nariz cheira a esperança da sorte
Na boca do mundo vive a tua arte
Meu amor até a morte

Te amo minha ardente biblioteca
De norte ao sul és a África

Joaquim Cabangue
Lunda - Norte - Angola

 
 

 

 

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