FÉNIX

 

 

LOGOS Nº 21

JULHO - 2016

 

 

 

Regina Coeli

 

 

CHUVA
Regina Coeli 


Veio tão branda e ao borrifar a planta
Em suave afago que do céu caiu,
Chorou feliz e no chorar sentiu
Uma alegria verdadeira e santa.

A seca planta agradeceu, foi tanta
Paz, que ao frescor todo o calor sumiu,
E cada folha abertamente riu...
Se cai a água, a água a sede espanta.

E um intenso verde rebrotou na aurora
Reverdecendo-se a raiz sofrida,
Cansada e triste a segurar a vida...

E a natureza, numa taça erguida,
Bebeu do encanto de chover na hora
Em que a esperança já se ia embora...

(Do livro Caminhos do Meu Tempo, Ano 2014)

Rio de Janeiro -RJ - BRASIL
lacosemversosdereginacoeli.blogspot.com

 
 

 

Renate Leopoldine Gigel

 

 

MEU SETEMBRO
Renate Leopoldine Gigel 


Começou cheio de alegria
Com mil recordações.
Foi marcado, há muitos anos,
Pela melhor das emoções!
Ser mãe pela primeira vez.
Parecia a eterna primavera
Com setembro a chegar.
Que bom, adoro aniversários!
Podemos comemorar.
Mas, ao longo dos dias,
Negras nuvens a pesar...
Pelo mesmo motivo do encantamento,
Agora horas, dias e noite de angústia, busca de alento.
Na fé, na força e na esperança,
Tudo passou! Obrigado, Senhor.
Devolveste a paz à minha sempre criança...
Voltou o sol primaveril,
Voltou a bonança.
Aproxima-se o fim de setembro,
Eu sinto minha alma leve, meu coração pueril.
À doce magia de ser mãe me rendo.
A minha razão de viver em setembro
Repete-se apenas em dezembro.
Ser mãe pela segunda vez!

Renate Leopoldine Gigel
Novo Hamburgo - RS - Brasil

 
 

 

Rita Rocha

 

 

CAIXINHA DO CORAÇÃO
Rita Rocha 


Que encanto e excentricidade
aquela caixinha bem guardada
numa gaveta, a chave trancada
antigas memórias da mocidade!

Quão fulgaz é a nossa vida
desejamos momentos eternizar
juntando pedaços de sonhos
e numa caixinha guardar.

Relicário tão precioso
onde ninguém pode espiar
mas há sempre alguém belicoso
querendo nela bisbilhotar.

Tudo bem guardadinho
até simples papeizinhos
tiram faísca no olhar.
Só pra curiosidade matar.

Inocentes verdades, façanhas
que de alguém fora felicidade;
hoje apenas velhas lembranças
emergindo noutra realidade.

Uma caixinha de segredo
diz muito de um coração
sentimentos de uma época
onde o viver era ... ilusão!

Rita Rocha
Santo Antônio de Pádua - RJ - Brasil
www.sergrasan.com/ritarochaslides

 
 

 

Roberto Rodrigues de Menezes

 

 

A GUERRA DE TROIA
(em sextas heptassílabas)
Por Roberto Rodrigues de Menezes  


Troia foi uma antiga cidade semilegendária da Ásia Menor, capital da Troada, região situada na confluência dos rios Escamandro e Simois, a uma légua do Helesponto (Dardanelos).
Troada é uma região a noroeste da vetusta Anatólia, também a noroeste do Mar Egeu. Hoje pertence à Turquia. Arqueólogos precisam que Troia existiu de 2.250 AC até 1.250 AC, quando foi destruída pelos guerreiros aqueus (gregos).
Heinrich Schliemann (1822-1890), arqueólogo alemão, descobriu as ruínas de Troia em escavações na Turquia. A obra mais importante de referência a essa guerra mortal, que destruiu Troia, nos foi trazida por Homero, poeta grego que também escreveu a Odisseia, que narra o retorno de Odisseum (Ulisses) a Ítaca após a guerra
.


Quando a tarde vai ligeira,
Para a Esparta hospitaleira,
Seguem os guerreiros troianos.
Heitor e Paris, cansados,
Por Menelau são tratados
Com fidalguia e sem danos.

Menelau e a esposa Helena,
A linda mulher terrena,
Recebem os dois visitantes.
Paris percebe que a bela,
De perfeição uma tela,
Será também sua amante.

Quando a noite vai ligeira,
Da Esparta hospitaleira,
Foge o casal traidor.
O bravo rei Menelau
Convoca seu general,
Quer matar o sedutor.

Agamenon quer disputa,
Convoca seu povo à luta,
Pelo rancor está cego.
Filotectes, Aquiles,
Ajax e o bravo Ulisses,
E todo guerreiro grego.

O rei Príamo, de Troia,
Recebe Helena, uma joia,
Que com o filho chegou.
Quer aos gregos devolvê-la,
Mas Paris pretende tê-la.
Todo conselho evitou.

Cassandra, irmã, tudo via.
Tem o dom da profecia
E adverte o irmão:
Se Helena não devolver,
A guerra vai ocorrer,
De Troia o fim sem honor.

Heitor a dúvida encerra,
Se apresta, prepara a guerra,
Troianos comandará.
O Destino está lançado,
O fado já projetado,
A luta acontecerá.

Cassandra, ao nascer o irmão,
Vaticinou com razão:
Paris seria a ruína
Da sua Troia querida,
Todos perderiam a vida,
O mal lhe traria a sina.

Cassandra sabe que Apolo,
Queria tê-la em seu colo,
Mas ela lhe disse não.
O deus assim rejeitado,
Pelo despeito tomado
Lhe lançou a maldição.

A jovem ousada sabia
Ter o dom da profecia,
Sacerdotisa serena.
Mas a vingança do deus
Da sorte lhe tira os véus.
Ninguém crerá em sua pena.

A guerra se sucedeu,
O cerco à Troia se deu
E por dez anos durou.
Nela morreram milhares,
De combatentes audazes.
A paz de vez se ausentou.

Aquiles, o mais valente,
Os aqueus lidera e sente
Que não sobreviverá.
Dizem os fados que sua glória
Entrará para a História,
Mas no cerco morrerá.

Troia, o reino que se ergueu
A noroeste do Egeu,
Teve seus dias ditosos.
Mas o rapto de Helena,
Trouxe a morte, infausta cena.
Ante os gregos belicosos.

Mil navios são colocados
Por Agamenon ousado
Nas praias do vasto mar.
Os troianos, precavidos,
Por muralhas protegidos,
Esperam a sorte mudar.

Mas na primeira refrega,
Apolo ao arco se apega,
O ataque com flechas fura.
Os gregos sentem e recuam,
Os seus mortos evacuam,
Para lhes dar sepultura.

Na praia as fogueiras brilham,
As chamas quentes cintilam,
Queimando os mortos guerreiros.
Piras logo são erguidas,
Cumprem sua sina dorida,
O lamento derradeiro.

Aquiles fica na praia.
Sair da guerra ele ensaia
Pois foi desconsiderado
Pelos generais da Grécia.
Seu entusiasmo cessa,
Mas vê a mãe do seu lado.

Ela é Tétis, a grande deusa,
Dos olímpicos, princesa,
Que no Estige o mergulhou.
Quis torná-lo invulnerável
Para sempre impenetrável;
O calcanhar não molhou.


Volta a guerra no outro dia,
Agamenon se anuncia
A provocar os troianos.
Os dois exércitos ficam,
Os seus tambores repicam.
Serão terríveis os danos.

Paris agora se expõe,
E ao rei grego propõe
Um desafio sem igual.
Combaterá um guerreiro
Num combate derradeiro,
Mas que seja Menelau.

Este rei enfurecido
Por vil insulto sofrido,
Logo aceita o desafio.
Quem vencer terá vitória,
Alcançando a sua glória.
O grande herói dentre mil.

Menelau visa o oponente
Com sua espada inclemente.
Paris percebe o destino.
Que Afrodite o proteja,
Que do seu lado ela esteja.
Porta-se como um menino.

Afrodite não vem tarde
E faz voar o covarde
Para as muralhas, seguro.
Os troianos retrocedem,
De Apolo os favores pedem
E ficam dentro dos muros.

Volta a guerra com violência.
Os troianos à pendência,
Retornam determinados.
Heitor e Enéias guerreiros,
Levam a morte, sobranceiros,
A milhares de soldados.

Aquiles, lesto, confia,
E o troiano desafia
Para um combate mortal.
Heitor e Aquiles se enfrentam,
Os seus reinos representam.
Em luta piramidal.

Os dois, com espada e lança,
Sempre provocam matança
Nos inimigos venais.
A luta vai se estendendo,
Os heróis vão combatendo,
Estão cansados demais.

Aquiles a lança projeta
E o oponente atravessa.
Heitor a morte conhece.
O grego desfaz a liga,
Arrasta Heitor na sua biga.
O herói de Troia fenece.

A alma de Heitor, caído,
Pela morte distinguido,
Aos Infernos seguirá.
Os troianos em desalento
Recolhem o corpo ao relento.
O herói cremado será.

Aquiles ao combate volta,
Das muralhas está à porta,
E desafia os troianos.
Paris aceita, pois sabe,
Que Apolo o campo invade
Evitando todo engano.

Começa então a refrega,
Aquiles a lança enverga
E para o troiano corre.
Paris para Apolo grita,
Que evite sua desdita.
O deus da beleza acorre.

Apolo a morte anuncia
E a flecha de Paris guia
Para o calcanhar do aqueu.
Este cai, desesperado,
Na morte encontrou seu fado
E os Infernos conheceu.

O corpo os gregos protegem.
Mais uma pira que erguem,
Com fogo a purificar.
Continua o cerco a Troia.
Foram dez anos sem glória.
A morte em todo lugar.

Mas, ao fim, Ulisses tenta
Tudo acabar, se apresenta,
Com uma ideia sem par.
Um cavalo de madeira,
Enorme, sobre uma esteira,
A Troia oferecerá.

E por meses os aqueus,
Fazem na praia do Egeu,
De madeira uma escultura.
Os seus deuses eles invocam.
Pronto, nas portas colocam,
Dos troianos sepultura.

O guerreiro Sínon avança,
Às portas de Troia alcança
E diz aos seus oponentes:
Os gregos desistem, então,
Apresentam a rendição,
O cavalo é seu presente.

Cassandra adverte os seus,
Da perfídia dos aqueus,
Mas o lamento se encerra.
A escultura entra em Troia,
Os gregos passam à história,
Como os heróis dessa guerra.

E pela noite os troianos,
Sem saber de desenganos,
Alegres, vivem a vitória.
Vinho e festa é atributo
Não mais chorarão de luto.
De Troia será a glória.

Mas os gregos persistindo,
Vão do cavalo saindo,
Por uma corda até o chão.
Levam a morte à cidade,
O fogo consome e invade
Na mais cruel perdição.

Todo troiano perece,
A esperança fenece,
A cidade tem sem fim.
Mulheres, sem compaixão,
Escravizadas serão,
A guerra termina assim.

Eneias vê com pesar
Toda a cidade queimar.
Na noite logra sair.
Toma o Paládio apressado,
Cumpre outra vez o seu fado,
Na vida sempre a fugir.

Com coragem ao Lácio segue,
A sorte sempre persegue,
E com guerreiros, então,
Vai a um reino que um dia,
Do mundo será o guia.
Em Roma seu galardão.

Este império florescente,
Aos gregos venceu, ingente,
E ao mundo todo se impôs.
Escudou-se na nobreza
E tão fúlgida a grandeza,
Nele o sol nunca se pôs.


Príamo morreu no ataque final com a esposa Hécuba. Paris é morto na guerra por Filoctetes, pois Apolo e Afrodite se renderam a Hera, esposa de Zeus, protetora dos gregos, e desistiram da proteção aos troianos. Filotectes era grego da Tessália, amigo de Hércules e foi argonauta. Paris, Heleno, Heitor e Cassandra eram filhos do velho rei Príamo. Tinham mais quinze irmãos. Heleno conseguiu sobreviver ao saque e terminou seus dias em Epiro. Cassandra foi tomada por Agamenon e o seguiu.

Roberto Rodrigues de Menezes
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil


Nasci em Florianópolis, estado de Santa Catarina, Brasil, aos 7 de novembro de 1949. Ainda adolescente cheguei a estudar para ser padre, mas desisti, pois não era realmente a minha vocação. Aos dezessete anos ingressei na Escola de Cadetes da Polícia Militar de Santa Catarina e ali fiz a vida. Após trinta e quatro anos de serviço, trabalhando preferencialmente na área de ensino, formação e instrução da tropa, consegui alcançar o último posto da Corporação, o de Coronel. Estava agora livre para seguir minha inclinação de juventude, a literatura. No seminário mestres de alto quilate me inculcaram este amor incondicional às letras e uma paixão muito especial pela Língua Portuguesa, o grande e mais especial legado que nossos irmãos lusitanos nos deixaram. Um país continental, onde todos se entendem em qualquer pedacinho de chão, consigna realmente algo extraordinário. Descendente de açorianos, cultivo com carinho a cultura e costumes desse bravo povo que para cá veio nos séculos dezessete e dezoito, ajudar no desenvolvimento do Brasil.
Fui professor de Filosofia, Deontologia, Língua Portuguesa, Comunicação Social e Teoria e Prática de Redação.
Ingressei na Academia de Letras de minha Florianópolis, na Academia de Letras de São José, município vizinho, e na Academia de Letras dos Militares Estaduais, que tenho a honra de presidir.
Minha obra:
- A profana Comédia (análises, contos e versos esparsos) – 1999.
- Vem e Segue-me (biografia do Monsenhor Francisco de Sales Bianchini) – 2008 – Universidade Federal de Santa Catarina.
- Ao correr da vida (poesias) – 2010.
- Rememórias (narrativas) – contos açorianos e castrenses. 2011.
- Memória Militar Estadual – fatos históricos da Polícia Miilitar – 2012.
- Castelo azul – poesias – o Primeiro tomo da Trilogia de cores azul, púrpura e verde – 2012.
- Castelo Púrpura – poesias – Tomo II da Trilogia de cores azul, púrpura e verde – 2013.
- Castelo Verde – poesias – Tomo III da Trilogia de cores azul,, púrpura e verde – 2014.
- A festa do Divino na Enseada de Brito e outros contos açorianos.
- Perfis de mulheres (novelas de costumes).
- Ao correr da crônica.

 
 

 

Rogério Martins Simões -Romasi

 

 

FALA-ME DE AMOR
Rogério Martins Simões (ROMASI) 


Fala-me de amor - disseste,
quando nos recantos dos jardins
as barreiras nos impediam de pisar a relva.

Rompiam as memórias
e um ligeiro vento
arrastava as folhas secas do velho plátano.
Era tão tarde…
e ainda agora despontavam as histórias...

Olhei sem desvario.
Antes, quando me debruçava no teu peito,
eras rio,
eras só rebuçado!
E trazíamos nos pés alpercatas,
com asas,
que reluziam por cima dos muros
e o chão era mais leve que o algodão…

Sabes?
A cidade fede devaneios
e as árvores crescem nos telhados das casas.
Não te vou falar de amor, não!
Reservo para mim as sensações dos velhos tempos.
Agora, restam umas quantas folhas que vêm ter comigo:
Somos dois silêncios!
Dois estranhos castanheiros perdidos na cidade…

in“GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO”,
(Chiado Editora,Lisboa, 1ª edição, 2014)

Rogério Martins Simões (Romasi)
Praia do Meco - Portugal
http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt/

 
 

 

 

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