FÉNIX

 

 

LOGOS Nº 22

SETEMBRO - 2016

 

 

 

Antonio Cabral Filho

 
 

SORTE
Antonio Cabral Filho

Não. Nem era sexta-feira treze,
e ninguém sabe dizer nada
sobre dia nem hora.
Não tinha ocorrido atentado
em nenhum lugar do mundo
e a boite Ba Ta Clan bombava
ao som de "Imagine"
protestando contra as guerras -
não era 1968.

Sequer tem-se notícias
sobre o que dizem as cigarras
em seus cantos trombeteiros
e qualquer um podia bordejar,
solenemente,
pelos calçadões das metrópoles
admirando belezas arquitetônicas,
naturais ou não,
inclusive as esculturas humanas
que nos rodeiam e passam ao largo
quando numa dessas
seu olhar colou
numa "juliana paes"
em "trotoir à Belle Du Jour"
cruzando seu itinerário
e sem mais nem menos
tropeçou no carrara de prima
e foi ao chão.

Ninguém viu nada
nem sabe dizer como,
e corre à boca miúda
que como John Donne,
dizia que ninguém é uma ilha,
mas bateu com a cabeça
de modo fatal
e veio a óbito.

Agora, está no Pechincha,
e repousa na Mansão de Deus Amém.

Antonio Cabral Filho
Rio de Janeiro - RJ/Brasil
letrastaquarenses.blogspot.com.br
antoniocabralfilho.blogspot.com.br

 

 

 

António D'Araújo

 
 

TARDES QUENTES
António D'Araújo

Ci’ iu em mim ò bela flor.
A dor inserta.

A corda presa, a mesa ao relento.
O vento.

O céu azul.
A gloriosa tarde quente,

E o manto das estrelas que nos veste.
Ao cair das noites frescas.

António D'Araújo
São Bernardo do Campo - Brasil

 

 

 

Ariovaldo Cavarzan

 
 

QUADRAS DA PAGA
Ariovaldo Cavarzan

Faz-se grande o amor,
Quando em oferta e em paga,
Ora em perfume de flor,
Ora em esgrima de adaga.

Se de queixume e de pranto
O coração se alaga,
Chega drenando a paixão
E bem de mansinho o afaga.

Marinheiro que iça vela,
Faz premer do barco a apaga,
E sob a inclemência do sol,
Mantém a cabeça abada.

Se se quer acesa a vela,
A reclamar somente a paga,
Ao sentir que não tem jeito,
Chega outro e a chama apaga.

Se vivida em muito amor
A vida restar impaga,
Será em saudade e em dor
Que ao final será paga.

Ariovaldo Cavarzan
Campinas - SP - Brasil

 

 

 

Arnaldo Leodegário Pereira

 
 

O OLHAR E A VISÃO
Arnaldo Leodegário Pereira

Quando em seu rosto havia um olhar,
não havia visão.
Olhar o mundo com olhar que tem visão.
E enxergar a vida com a visão de quem não tem visão.
E ao perder o olhar, você ganhou visão!
Você descobriu no olhar da mulher. Quanto vale o olhar que tem visão!
Descobriu tantos olhares!...
Olhar de piedade,
Olhar de paixão.
Olhar de malícia,
Olhar de perdão.
Olhar de bondade,
Olhar de compaixão.
Olhar de desejo, que você não via não!
Então você descobriu para quê se tem visão!
Você ganhou olhar imperativo,
Olhar de Imperador, com visão de cativo.
Olhar de rei,... Sem visão, só cativo.
Ser cego para ver a vida sem visão,
ou cego e não ver nada, apesar de ter boa visão!
Enxergar o mundo sem olhar!
Descobrir a beleza da vida, que pode ser vivida sem olhar,
porém com visão.
Ou ver através de um olhar que tem vida e não tem visão.
Oh!... Quanta visão há num olhar sem vida!
E... Quão sem vida pode ser a visão de quem, a pesar de ter vida,
olhar e visão, enxerga a vida sem viver sua visão.
Olhar de lince... Visão de águia,
viver a vida sem olhos, só com a visão!
Aprender olhar no olho, descobrir o que há alem do olhar.
Olhar penetrante! Descobrindo segredos.
Olhar contundente! Revelando o oculto.
Desvendando mistérios, desbravando o inconsciente!
Olhar de homem, visão de lobo.
Descobrindo a vida, através De um olhar sem vida,
vendo a vida por um olhar sem visão!
... A enxergar e não ver,
É preferível ver sem ter visão.
Perceber o quanto a vida se descobre, e se revela num olhar.
Descobrir que era cego em pleno gozo da visão.
Ah!...quantas coisas se diz num olhar!
E quanto da vida se perde, num olhar sem visão!

Este texto faz parte da antologia “Á FLOR DA PELE”, 1ª edição, 2013. Pgs 39, 40, 41, 42. Editora Sucesso/Celeiro de Escritores S Paulo SP.

Arnaldo Leodegário Pereira
Campo Grande - Mato Grosso do Sul – Brasil


Formado em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco. Campo Grande Mato Grosso do Sul Brasil. - Várias campanhas de utilidade pública: - Campanha para Doação de livros; - para Doação de Sangue: - para doação de livros escritos em português para a Biblioteca Lorosae em TIMOR LESTE: - Participei de 09 antologias.
"PROJETO LUZES PARA O NORDESTE". Certificado de: "AMIGO DA PAZ E DAS CAUSAS SOCIAIS" outorgado pelo COMITÊ MUNDIAL DA PAZ. Brasília DF, em 02/09/2014. Acadêmico correspondente da A L G, Academia de Letras e Artes de Goiás Velho, 2013. Acadêmico Imortal pela ACLAV, Academia de Ciências, Letras e Artes de Vitória E S. 2014. Indicação para o prêmio (Melhores Poetas Luso Brasileiros 2014), - no Rio de Janeiro no dia 08/02/2014. Estou em "O MAIOR POEMA" a cor que o meu mundo traz. 2ª parte nº 63. Delegado Cultural em Campo Grande MS, pelo Movimento União Cultural.

 

 

 

Ary Franco (O Poeta Descalço)

 
 

ARAUTOS DA PRIMAVERA
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Em pleno inverno elas vão chegando.
Orquídeas desabrocham inda acanhadas.
Levam tristezas e crescem me alegrando.
Afogo as mágoas em águas passadas.

Sob o sol minhas lágrimas vão secando.
Viver feliz, assim a vida vai me levando.
Aquilo que nunca tive, jamais perderei.
Vinde as belas flores que sempre amarei.

Flores são fiéis, autênticas e constantes.
Elas me dão amor em amenos instantes.
Rejuvenescem o coração deste idoso vate
Que com os percalços, não mais se abate.

Para completar minha nova felicidade,
Já que para ser feliz não existe idade.
Reiniciei meu aprendizado de violão
E de mil acordes encherei meu coração!

QUE VENHA A PRIMAVERA!!!

Ary Franco (O Poeta Descalço)
Rio de Janeiro - Brasil

 

 

 

 

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