FÉNIX

 

LOGOS Nº 24

JANEIRO - 2017

 

 

 

Alberto Araújo

 
 

AMOR SEM FRONTEIRAS
Alberto Araújo 


Acima de tudo
capturar as mãos de quem faz
a nossa terra– ar – fogo – água
veja que o amor
mostra-se absoluto – unicamente sobrenatural
subjacente fronteira deslumbrante
onde existe coração
o amor está presente – verde maduro diamante
não importa palavras
ásperas – não plásticas
o que vale na vida é AMAR
sem questionar o rumo – vácuo – o nada
somente o oceano concreto que navega
para qualquer lugar no horizonte

MAN(US)CRITOS
Alberto Araújo 


Mãos man(us)critas
na métrica
do [mao
metano]
man(u)seia
os livros & mapas
(intra)nutridas maquetes? – e o
relógio – vê a impossível casa
onde mora o (en)canto do CANTO
- que (en)canto???
-É / um (en)canto!!! – deixei-o
já sei de cor
onde mora o
apoKalipisso

 

(In "Identidade do Sol"-

http://www.carmovasconcelos-fenix.org/Escritores/ALBERTO-ARAUJO/Alberto_Araujo.htm)

Alberto Araújo
Niterói, RJ, Brasil

ALBERTO ARAÚJO - Luzilândia - PI. Escritor, poeta, jornalista, fotógrafo, vídeomaker. Licenciado em Letras-Português pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI - Editor do Focus Portal Cultural; Colunista do Focus Cultural no Portal Sem Fronteiras; Colunista da página cultura do Jornal Santa Rosa e do Jornal Sem Fronteiras. Editor Geral da página do Grupo Mônaco de Cultura do Jornal Literato. Membro da Academia Niteroiense de Letras; Cenáculo Fluminense de História e Letras; ANE - Associação Niteroiense de escritores; Instituto Histórico e Geográfico de Niterói. Obras publicadas: Caminhos Percorridos - Eu e a poesia; Identidade do Sol; Júlio Cezar Vanni - Filho de italiano de Lucca - Tributo.
Site oficial: http://www.albertaraujo.recantodasletras.com.br/
Focus Portal Cultural: http://focusportalcultural.blogspot.com.br/
Alberto Araújo e amigos: http://albertaraujo.blogspot.com.br/

 

 

 

Alberto Chetula

 
 

JARDIM DO BARRO
Alberto Chetula Poeta 


O tempo se nos fez cacto no vêntre da palavra dita ,meus lábios sóis borboletas de vento
Amanhã serei poeta meu amor e dalos-ei o súor da minha sombra
Há gargalhadas sem nomes no cérebro da noite revestido de pétalas virgens que são poetas também
A lua ainda não foi dormir no leito do mar como se ,à pintura aí podesse construir o mesmo mendigo da minha infância,enquanto fumo a esfinge de uma liberdade anonima ,
Meus seios salpicam o silêncio amarrotado dos pássaros ,falta-me cigarros na alma para untar de anestesia a minha memória
Nenhum tribunal pode julgar as minhas lágrimas sem antes questionar os meus dedos ,só é possivel uma cesariana num cálice de vinho para pintar de monalisa o rosto da noite.




RESTOS MORTAIS DE UMA LÁGRIMA
Alberto Chetula Poeta
(À Míria Barroso ,monalisa das ruas de Luanda)


O silêncio é uma padaria de fogo,tenho comigo em mim o súor dos ditongos que hão de untar a ilha de Clérigos
Voam semanas secas no Cérebro da Árvore até o sol vestir a água de borboletas de vento e palavras de cetím
Minha mãe,por onde ando não sei a dor não conspurca a súplica da cidade,troquei os meus pés com uma nuvem de pano Bessa -Ngana e no televisor da alma um comboio de Tristezas avariado
Húmos ! Ao edifício da consciência a decaír da penumbra um navio de crianças órfãos em pedagogia,O Iraqui e a Síria são meus irmãos
Minha mãe é uma guitarra de vidro que acostumou-se a dançar nos lábios da Morgue o partir obrigatório de soldados que são meus irmãos ,apetece-me comer a primavera com um chá de camumila e cactos de Barro
O deserto menstrua tempestade e o verbo um hotel de plástico,é clínico o amanhã circuncidar o meu Rosto ... a hora é município de mentiras,quando cá eu quiser no oceano dos bovinos ceifar com peneira as pedras que os profetas untavam na noite,saudades meus amor é o que me resta nas cartas virgens da tua ausência.




NOTAS DE GUITARRA NOS SEIOS DA LÁGRIMA DE ONTEM
Alberto Chetula Poeta


Fotografo-me num óases de ruas núas lapejante de noites violadas pelo súor da senzala
Assim começa o fim das tuas sombras entre o cálice que conserva a fomé dos filhos e a revolução das moscas,leio na profundeza de um oceano de pedras os livros com sabor de esperma nas pálpebras dos jornais que me afasta das escadas da pátria
O mar é um hotel circundado de jacarés de vento que exportam sobre a túnica o sabor de um silêncio azedo entre a fúga da noiva nas páginas de um abraço de algodão
No carrossel da vaidade onde políticos vendem sorrisos na nódoa dos lenções amarrotados pela história de uma Angola sem mãe própria
Corra meu rei com todas as taças que podes içar nos pés pois já é possível sentir pelo perfume o cardume de lágrima que pastoreia os heróis de uma data sem nome

Alberto Chetula Poeta
Luanda - Angola

Alberto Chetula Poeta, nascido aos 10 de outubro de 1992, na comuna de Bolongongo,província de Kwanza-norte, país Angola, é poeta,dramaturgo,declamador,director artístico do grupo Muxima yetu Teatro

 
 

 

AlbertoCohen

 
 

ELA
AlbertoCohen 


Ela, inesperadamente,
chegou sem mala e sem rede,
modificou minha sala,
pôs uns quadros na parede,
desarrumou documentos,
colheu flores na varanda
e um fiado na quitanda,
recitou Carlos Drummond.
Invadiu copa e cozinha,
expulsou a cozinheira,
emprestou sal e farinha,
derrubou a farinheira,
fritou comida chinesa
com gosto de calabresa,
deu o banquete mais farto.
Queimou incenso no quarto,
postou-se em frente ao espelho,
despiu-se bem lentamente,
dançou a dança do ventre,
pegou meu lado da cama,
foi namorada e mucama,
fez-me rapaz novamente.
Tomou banho de chuveiro,
pediu outro sabonete,
molhou o banheiro inteiro,
cantarolou “Construção”,
debochou de minhas toalhas,
juntou suas pequenas tralhas
e partiu como chegou,
deixando a casa a seu jeito,
flores, quadros, documentos
a confusão no meu leito,
aquele incenso suspeito,
a notinha da quitanda,
o perfume de lavanda,
tudo inesperadamente.

SUTIS COMO PASSARINHOS
AlbertoCohen 


Vê que a vida é carcereira,
mas os versos são ariscos.
Esperam um descuido,
uma janela aberta,
uma porta encostada,
recolhem o não dito, o quase esquecido,
e vão à rua visitar conventos,
beber em tabernas, derramar-se em tinta
numa toalha de mesa,
num lenço de papel,
em paredes e muros,
no coração da mulher mais amada.
Vê que os dias são rotina,
mas os versos são mutantes.
Disfarçam-se de flores,
asas de borboletas,
promessas de amantes,
as mais absurdas promessas de amantes,
e aguardam a chegada do assobio,
do sorriso enorme,
da estrela cadente,
do pressentimento,
que saibam decifrá-los e encantar-se com eles.
Vê que os anos são da terra,
mas os versos são dos tempos
e voam como pássaros selvagens
que fazem seus ninhos,
com futuro e passado,
nas mais altas montanhas do momento de agora.
Mesmo sendo livres, eles têm que pousar,
um dia numa fonte,
um dia numa crença,
um dia num pecado,
um dia nas mãos solitárias de um poeta.

 

 

Alberto Lisboa Cohen
Belém do Pará - Brasil

Poeta reconhecido e admirado por suas obras, Alberto Lisboa Cohen, é autor de vários livros premiados, entre eles:
“Poemas Sem Dono”: Vencedor do II Prêmio Literário Livraria Asabeça – Publicado pela Editora Scortecci - SP – 2003.
“Poemas de Amor, Desamor e Saudade”: Selecionado e editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE – Rio de Janeiro – RJ – 2004 (esgotado).
“Daltônicos”: Selecionado e editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE - Rio de Janeiro – RJ – 2004. (esgotado).
“Recados para Wendy”: Selecionado e editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE - Rio de Janeiro – RJ – 2005 (esgotado).
“Caminhos de Não Chegar”: Vencedor do Prêmio de Literatura Instituto de Artes do Pará- IAP – Editado pelo Governo do Estado - PA - 2005.
Vencedor da Láurea Cidade Poesia (Moderna) - Associação de Escritores de Bragança Paulista - ASES - SP - 2006.
“Juntando Pegadas”: Vencedor do Prêmio Vespasiano Ramos - Academia Paraense de Letras - PA - 2006. Publicado pela Editora Paka-Tatu – Belém - PA
“Cantigas que a Rua Canta”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance - Porto Alegre- RS – 2009.
“Álbum de Recordações”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance - Porto Alegre-RS – 2009.
“Menino das Samaúmas”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance – Porto Alegre -RS - 2010
“Catador de Momentos”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance – Porto Alegre - RS – 2011
“Sobrevivente de Mim”: Selecionado e publicado pela Editora Alcance – Porto Alegre - RS – 2012
“Canto de um só”: Selecionado e publicado pela Editora Paka-Tatu – Belém – PA – 2013
Cativos sem desejos de alforria.

 

 

Alcione Sortica

 

 

 

RAIO DE LUZ
Alcione Sortica 


Se a única realidade é o passado,
onde está a criança que nasci,
o jovem que usou meu cérebro para sonhar,
o homem que fui ontem, hoje de manhã,
há apenas um segundo?
Só estiveram, amaram, riram ou choraram,
num pedaço qualquer do tempo,
mas lá não estão mais.
E se a certeza é o futuro,
quem será e onde estará
o homem, que serei daqui a instantes,
amanhã de manhã, até mais não sei quando?
Tal e qual o menino do passado,
também não consigo encontrá-lo.
Ambos não morreram,
mas nenhum existe.
Somos, na realidade,
uma infinidade de seres diferentes,
a cada avanço milimétrico do tempo,
revelando o ser confuso,
mágico, incompreensível,
que somos no momento.
Na velocidade incomensurável da luz,
a terra desloca-se no universo,
atrelada à galáxia.
E você, que leu este poema até o fim,
já está a milhões de quilômetros do princípio,
e não é a mesma pessoa que alguém viu ou conheceu.

Alcione Sortica
Porto Alegre - RS - BRASIL
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcione_Sortica
www.alcionesortica.com

 
Alcione Sortica, escritor gaúcho. Contista, cronista, ensaísta e poeta. Contos, poesias, crônicas e frases de autoria publicados em Antologias, Coletâneas, Jornais, Revistas e sites da INTERNET. Diversos prêmios literários. Livros do autor: “Cacos do tempo” “Peneirando Estrelas” “Beira de açude” “Um Ponto no Tempo” e “De Pai para Filho” este com a coparticipação do filho Eduardo Almansa Sortica. No prelo Plenilúnio, contos e crônicas. - Lema: “Poesia - Grito de esperança por um mundo melhor”
Vice-Governador da Representação Estadual/RS da Associação Internacional de Poetas

 
 

 

Alexandra Magalhães Zeiner

 

 

 

DOLOROSA CONFISSÃO
Alexandra Magalhães Zeiner 


Confesso um amor
Por seres in-existentes,
Um dia passageiros
Na dualidade da Terra
Por que vieram?
Um dia saberei…
Para onde foram?
Simplesmente partiram,
Deixando saudade,
Dor sem palavras,
Tantas vezes negada,
Jamais esquecida.
Permaneceu a gratidão,
A esperan?a de um coração,
O sonho da re-união,
Em terras desconhecidas…
Para além de uma vida.
Universos paralelos.

Alexandra Magalhães Zeiner - Brasil
em Augsburg - Alemanha
http://www.rebra.org/escritora/escritora_ptbr.php?id=1785

 
 

 

 

Livro de Visitas

 

 

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