FÉNIX

 

LOGOS Nº 24

JANEIRO - 2017

 

 

 

Antonio Cabral Filho

 
 

DESLUMBRAMENTO
Antonio Cabral Filho 


Meu primeiro amor
Foi como beijo roubado:
Sem liberdade de escolha.
Meu primeiro amor
Começou com a chupeta
Quando Ritinha ameaçou-me
“Só te namolo se laigá pepeta!”
Meu primeiro amor
Trocou bala boca-a boca
Na Igreja de Frei Inocêncio
Bem no meio da missa
E o Padre Daniel
Mandou-me rezar três Pai-Nossos
E eu rezei até mais
Para ficar bem perdoado
O pecadinho tão doce.
Meu primeiro amor
Bateu muita gazeta
Na pracinha da igreja
Só pra comer cocada
E dar beijinhos na boca
Das filhinhas-de-papai...
Meu primeiro amor
Passou nas provas
De educação sexual
Com notas de louvor,
Mas se o Grupo Escolar falasse...

Meu primeiro amor
Chupou muito ingá
Na galhada dos ingaseiros
Sobre as margens do Suassuí
Com a Dasdô do Mané Cachorro.

Meu primeiro amor
Tinha gosto de pé-de-moleque
Devorado com a gula
Do menino assustado
Com o presente da namorada
Que levantou a saia de chita
E lhe disse “ mete aqui!”

Meu primeiro amor
Ficou de coração na mão
Com o bicho cabeludo
Da Maria Serafina
Nuinha na minha cama
Pra comer minha inocência,
Apesar dos avisos da mamãe
De que ela era rapariga.

Meu primeiro amor
Era como filme de Speelberg:
O tempo todo de suspense
E no fim sobra surpresa.
Meu primeiro amor
Nunca encontrou seu fim
Porque a poeira vermelha
Das estradas mineiras
Nos cobriu na encruzilhada
Entre o passado e o futuro
E o destino nos levou
Para distintos presentes.

RIMBAUDICES
Antonio Cabral Filho 


Não confie em ninguém
Que xingue deus e o diabo,
E, como um litle bad boy,
Queira estuprar os anjos,
Mesmo que perca a perna esquerda
E a direita perca também
E ainda morra em Marselha,
Bem à porta do oriente
Carcomido pelo câncer.

Não acredite em ninguém
Com mais de trinta dinheiros,
Com mais de trinta invernos,
Que acredite em demônios,
Que fuja para a Abissínia
E contrabandeie armas
E ainda trafique escravos
E em sua hora final
Chame por seu Djami.*

Não confie em ninguém
Que levou tiro de Verlaine
E o colocou atrás das grades
E ainda fugiu para Roche
E, após uma Une Saisson em Enfern,
Mandou a Paul Demany
A Lettre Du Voyant,
Escreveu Iluminations
Sem dúvida bem além
Dos Paradises artificiales
De Monsieur Baudelaire,
Regado a muito haschisch.

Não confie em ninguém
Que nasceu gênio precoce,
Seja filho de gendarme,
Freqüente o CABARET VERT
E zombe de pátria e família
E vague noite a dentro no váquo
Como o Spleen de Paris.
Não confie em ninguém
Que sofra de rimbaudite
E viva pagando mico
Em algum coufeé maudit.

*: Djami é o nome do mordomo de Rimbaud

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

In: "SELETA DI VERSOS" -

 http://www.carmovasconcelos-fenix.org/Escritores/ANTONIO_CABRAL_FILHO-SELETA/A_C_FILHO-poesia.htm

Antonio Cabral Filho
Rio de Janeiro - RJ/Brasil
letrastaquarenses.blogspot.com.br
antoniocabralfilho.blogspot.com.br

 
 

 

António D'Araújo

 

 

 

UMA MISSÃO CHAMADA MEDO
António D'Araújo 


Quando nos convencemos que
Somos incapazes de construirmos
A nossa felicidade a cada dia.
Encontramos uma missão capaz
De salvar a humanidade.

Então passamos a viver em função dela,
Pois assim o medo do fracasso
Já não nos aflige tanto.

Quanto mais fugimos da nossa triste realidade
Mais ela nos persegue,
Quanto mais nos aliamos ao medo,
Mais ele nos consome.

António D'Araújo
São Bernardo do Campo - Brasil

 
 

 

António Justo

 
 

 

 

MORREU MÁRIO SOARES
Por António Justo 


Morreu Mário Soares - um homem com muitos defeitos e virtudes; não tinha medo dos defeitos e sabia o que queria conseguindo erguer-se da mediania fazendo muito de bem e muito de mal.

Reproduzo aqui uma frase de Mário Soares que diz muito, hoje citada no jornal alemão HNA: “Eu sou um pobre homem, que teve a sorte de ter assumido cargos e, assim, ter razão " („Ich bin ein armer Mann, der das Glück hatte, Positionen zu beziehen und damit recht zu haben"!
Junto o ultimato de Fernando Pessoa por ser histórico e sempre actual e dar que pensar.


"ULTIMATUM
Fora tu,
reles
esnobe
plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas,
charlatão da sinceridade
e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro
Ultimatum a todos eles
e a todos que sejam como eles,
todos.
Monte de tijolos com pretensões a casa
inútil luxo, megalomania triunfante
e tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
que nem te queria descobrir
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular,
que confundis tudo!
Vós, anarquistas deveras sinceros
socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
para quererem deixar de trabalhar.
Sim, todos vós que representais o mundo,
homens altos,
passai por baixo do meu desprezo.
Passai aristocratas de tanga de ouro,
passai frouxos.
Passai radicais do pouco!
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
descascar batatas simbólicas
fechem-me isso tudo a chave
e deitem a chave fora.
Sufoco de ter somente isso à minha volta.
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
do que todas as janelas que há no mundo.
Nenhuma idéia grande,
nenhuma corrente política
que soe a uma idéia grão!
E o mundo quer a inteligência nova,
a sensibilidade nova.
O mundo tem sede de que se crie.
O que aí está a apodrecer a vida,
quando muito, é estrume para o futuro.
O que aí está não pode durar
porque não é nada.
Eu, da raça dos navegadores,
afirmo que não pode durar!
Eu, da raça dos descobridores,
desprezo o que seja menos
que descobrir um novo mundo.
Proclamo isso bem alto,
braços erguidos,
fitando o Atlântico
e saudando abstratamente o infinito.” Álvaro de Campos – 1917


O ultimato de Fernando Pessoa apresenta a parte sombria de quem brilha na praça pública sorvendo o brilho dos outros. Os crentes laicos/seculares arruínam a democracia e exageram também na veneração e culto dos seus “santos” que querem impor, a todo o custo, a toda a sociedade. Hoje a opinião pública portuguesa não tem possibilidade de sair de uma mentalidade que festeja a mediocridade dos seus “heróis” porque nas mãos de feitores não interessados em dar a conhecer os seus actos. A Soares se deve a existência do partido comunista quando na Europa estes já desapareceram. Na França ele negociou com o partido comunista a entrega incondicional das colónias portuguesas aos guerrilheiros. A formatização maçónica-esquerda dos Media nacionais e da opinião pública é de tal ordem que torna incompatível qualquer discussão objectiva séria. Na formação diária não temos um jornal de cultura popular geral que se possa afirmar contra os interesses corporativistas, a não ser a bola para a formação clubista. Causa tristeza, como a morte de Mário Soares é utilizada pelos políticos e pelos Mídea de maneira tão absorvente, unilateral e devota: uma verdadeira lavagem ao cérebro que a continuar assim não fomenta espíritos com capacidade de discernir e a continuar assim, o país nunca sairá da cepa-torta.
Independentemente dos aspectos positivos e negativos do regime de direita de Salazar e do regime de esquerda, iniciado com o 25 de Abril, o grande problema da sociedade portuguesa está em delegar a consciência nacional na consciência partidária e num culto de pessoas. De facto demos a independência aos outros e atraiçoamos a nossa.
Marcelo Caetano, ao falar sobre o 25 de Abri, citado em Portugal da Loja profetizou: “Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suíça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa.”
“Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de República.”
É natural e legítimo que em política se tentem fazer valer os diferentes interesses partidários e as diferentes ideologias. O que não é natural é que um país tão multifacetado não saia da mediocridade continuando a dançar à volta dos seus bezerros políticos que actuam sem vergonha à custa da honra do povo. Não quero com isto estragar o humor ao socialistas e ao seu direito a festejar; “Em terra de cego quem tem um olho é rei”; -estão de parabéns num país onde o poder dos cargos é razão. Que Deus tenha Mário Soares em eterno descanso e ilumine o povo.

António da Cunha Duarte Justo - Portugal
em Kessel - Alemanha
Pegadas do Tempo, http://antonio-justo.eu/?p=4028

 
 

 
 

Antônio Paiva Rodrigues

 

 

 

AMO DEMAIS ESSA MULHER
Por Antônio Paiva Rodrigues 


Ao ver essa linda mulher com o rosto em pranto bem juntinho aquele lugar prazeroso, almejei de pronto ser o seu amado para as suas magoas escutar. Ser o seu presente no futuro de belas noites de um ano de grandes e eternas de festividades, onde o sol ponteia com mais cor e mais acalorado transbordando calor e energias fulgurantes para os nossos corações. A noite espreita e realça o meu rosto avermelhado, pois anseio momentos de carícias e amor. Deus, o grande arquiteto do universo, grande escultor, planejou para nós uma união vibrante para o nosso labor.
Com hábil presteza o grande inventor e, arquiteto do Universo nos deu belos momentos que completariam o nosso encanto. Não consigo vislumbrar outra pessoa, senão você. Pinto o seu rosto na minha mente, qual uma semente que se planta, se aduba, se rega e se colhe, para uma felicidade com imensa emoção. Tento esconder da minha amada o meu pranto, as minhas frustrações, o meu desgosto, visto que, o meu encanto se une ao dela em puras emoções e a suntuosa união modifica a nossa fisionomia e, a paz banha nossos rostos aumentando cada vez mais o amor entre mim e ela é sempre crescente e quando beijo a sua face, a sua boca o meu coração fica a palpitar.
Amada querida o seu grande e belo amor reluz a nossa vida com encanto e fraternidade em nossas futuras emoções. Por mais que o orbe te atormente não seja indolente e chegue mais perto para o aconchego da gente, pois não consigo ver outra pessoa, senão você. Pinto o seu rosto na minha mente, qual uma semente que se planta, se aduba, se rega e se colhe, para uma felicidade com imensa emoção. Não quero sentir sua ausência por qualquer motivo, pois a saudade será inarrável. Pretendo sempre estar contigo, seja na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, no entanto, as vitaminas e sais minerais, irão revigorar os nossos corpos aumentando as nossas energias que irão se consumir nos momentos de amores ardorosos e calorosos. É a vida que revigora a vida é o amor que dá vida ao amor.



AMOR CALOROSO E PICANTE
Por Antônio Paiva Rodrigues


No azul da imensidão do nosso amor arde em nossos corações em brasa a chama que nos leva a uma extenuante sensação de estímulo, prazer, ardor e fervor... Nesse momento brota de mansinho a semente da felicidade que ameniza o calor que tomou conta de nossos corpos, ainda trêmulos com sudorese em alta, o pulsar de nossos corações volta ao pulsar calmo, mas belicoso, como se o descanso fosse o remédio natural para as nossas calorosas sensações.
Sem nenhum preconceito e rejeito continuamos a nos olhar freneticamente, trocando de um olhar a outro uma forte energia que alimentava nossos sensores e fortalecia nossas veias quentes, que começavam a amainar pelo gozo descomunal que proporcionamos aos nossos corpos. Jamais uma lágrima sentida deixará o crivo de o desgosto tomar conta de nossas vidas.
Nas primaveras de setembro, no lindo luar de dezembro nenhuma lágrima sentida irá nos desfavorecer, pois o nosso amor é mais forte, caloroso, imenso e gostoso como as brisas de um anoitecer primaveril. Pode ser notado em minha face às linhas de expressão causada pelo sofrimento quando por um longo período você se ausentou de mim. Esta verdade prova que o nosso amor é pleno de emoções.
Não temos ódio no peito, nossos corações emanam energias brilhantes quais raros diamantes que se encontram nos belíssimos palácios de reis e rainhas de antanho e de hoje. A força da luz que ilumina as nossas vidas reflete qual um espelho ao sol o brilho do nosso amor quando juntinho estamos. A tua presença, o seu corpo junto ao meu enobrece, fortalece a válvula propulsora que bate em descompasso transmitindo aos quatro ventos o prazer, a felicidade e a alegria por nós sentidas.
O amor é de todas as paixões a mais forte, pois ataca simultaneamente a cabeça, o coração e os sentidos. O fantástico da vida é estar com alguém que sabe fazer de um pequeno instante um grande momento de prazer. Quando o bem nos faz bem não esqueçamos jamais que aprender e ser feliz é conquistar e saber oferecer sem temer o amor em grandes proporções.

Antônio Paiva Rodrigues
Fortaleza - Ceará - Brasil

Antonio Paiva Rodrigues-jornalista-membro da ACI- da ACE- da UBT- da Aouvirce e da Alomerce

 
 

 

António Zumaia

 
 

A NAU DE PRATA…
António Zumaia (In Memorian) 


Na bela nau prateada,
enviei a minha cruz…
Pois essa nau tão sonhada,
deu-me um caminho de luz.

Nada que possa esquecer,
na bela nau existiu…
Ela deu-me o meu viver,
o perdi, quando partiu.

Nau de prata já é sonho,
de uma tristeza sem fim.
Vi um destino risonho,
mas tudo acabou, para mim.

A nau tem de navegar,
com suas velas ao vento…
Fico no cais a chorar,
só resta, no pensamento.

NAU DO ADEUS...
António Zumaia (In Memorian) 


Esta ruim nau que transportou,
todas as quimeras, minha vida…
Finalmente, às tuas mãos chegou,
brilho agridoce, da ferida…

Olha a cruz, que foi a lusa gesta;
Representa dor e sofrimento…
Mas todo o meu coração contesta,
que ela transporte, este lamento.

Mas este guerreiro já parou;
Todo o ódio ele consumiu,
armas e escudo, já arriou…

Tudo foi, nessa nau que partiu,
nas tuas mãos, agora parou…
Vamos pensar… que nada existiu.

 

 
In: "O mar… Lusitano amor" -

http://www.carmovasconcelos-fenix.org/Escritores/ANTONIO_ZUMAIA/ZUMAIA.htm

António Zumaia - Portugal

 

 

 

 

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